Home

A Primeira Batalha de Moytura

  • Nov. 20th, 2009 at 2:02 AM

A Batalha de Moytura
ou, A Primeira Batalha de Magh Turedh
H.2.17 (T.C.D.)

1.'Filhos do poderoso Nemed, qual o motivo de vossa reunião ? O que os trouxe aqui – contenda, conflito ou combate ?'
'O que nos trouxe de nossas casas, oh sábio Fintán, é isso: nós sofremos nas mãos dos Fomorians da Irlanda pela razão do tamanho do tributo.'
'Qualquer que seja o tributo, ou quem quer ou onde quer que tenha sido imposto, não está em nosso poder arcar com ele ou dele escapar.'
'Há dentre vós um grupo, belicoso embora pequeno em toda a terra, que pode trazer mais ruina do que tributos aos Fomorians.'
'Partam se pensam que essa é a hora certa, gloriosos filhos de Nemed; não sofram desnecessariamente, não fiquem aqui, mas vão para longe.'
2.'É esse o teu conselho para nós, sábio Fintán ?' 'É esse,' disse Fintán, 'e ainda tenho mais conselhos para vós: não deveis ir por uma rota ou direção, pois uma frota não pode ser reunida sem irromper de uma luta; um grande número significa discussões, estranhos provocam desafios, e uma hoste armada, conflitos. Vocês não acham fácil viver juntos em qualquer ponto da Irlanda, e não seria nem um pouco mais fácil para suas hostes ao buscarem novas casas.'
3.'Partam dessa terra, filhos de Nemed; deixem a Irlanda e escapem da violencia de seus inimigos.'
'Não fiquem mais aqui, não mais paguem tributos. Seus filhos ou seus netos retomarão a terra de onde agora fogem.'
'Deveis viajar para a terra dos Gregos – não é uma falsa história que conto – e embora vocês partam em milhares, sua força não será vista como suficiente no Leste.'
'Os filhos do resoluto Beothach devem deixa-los e ir em direção ao gélido Norte, os filhos de Semeon em direçao ao Leste, embora vocês sintam que isso é estranho, partam.'
4.Então eles se separaram, Fintán e os famosos filhos de Nemed. Beothach, filho de Iarnobel, permaneceu, com seus dez homens e suas esposas, na Irlanda, de acordo com o poeta:
Filho de Iarnobel, Beothach dos julgamentos claramente ditos, permaneceu na Irlanda. Seus filhos foram para o leste, para o noroeste de Lochlann.
5.Assombrosa é a ignorancia mostrada por aqueles que pensam que Tait, filho de Tabarn, era o único rei sobre os filhos de Nemed, pois ele ainda não era nascido. Ele nasceu no Leste, e nunca veio para a Irlanda.
6.Imensa era a frota, ávida a reunião, considerando quão poucos aportaram da grande companhia que deixou a Irlanda, pois apenas trinta homens escaparam na tomada da Torre de Conaing, e desses, um terço permaneceu com Beothach na Irlanda. Os vinte restantes se multiplicaram grandemente, pois o número de navios que agora deixava a Irlanda era de dez mil cento e quarenta.
Aqueles amigos queridos, então, separados, e tristes, e pesarosos, eram o pequeno resto que permaneceu na Irlanda...
7....os mistérios da magia, o conhecimento, o aprendizado, e dons proféticos, o domínio das armas e feitos astuciosos, as viagens e andanças dos filhos de Ibath, pois aconteceu de, naquelas histórias, que todos partiram de um lugar vir a ser dito. Uma narrativa diferente é necessária para cada raça. Comovendo os filhos de Semeon, filho de Starn. Uma tempestade os tirou de seu curso, até que eles chegaram às terras secas da Trácia às arenosas praias da Grécia, e ali eles aportaram. Então os habitantes e campeões da terra os visitaram, e fizeram um acordo de paz e concordaram com eles. Território lhes foi dado, mas na praia, nas fronteiras distantes, em gélidos trechos ríspidos e de rochas acidentadas, nos lados das colinas e encostas das montanhas, em cumes inóspitos e ravinas profundas, em terra alquebrada e território inapropriado para o cultivo. Mas os estranhos levaram uma grande quantidade de solo para as lisas pedras nuas e as transformaram em sorridentes planícies cobertas de trevos.
8.Quando os chefes e homens poderosos da terra viam os lisos, amplos e verdes campos, e as grandes extensões de terra frutiferamente cultivada, eles expulsariam os ocupantes, e lhes davam em troca rudes regiões selvagens, duras terras pedregosas com serpentes venenosas. De qualquer modo, eles domesticavam e cultivavam o solo, e os transformavam em bons campos frutiferos, belos e amplos como todas as terras que lhes eram tomadas.
9.Mas enquanto isso, os filhos de Nemed aumentaram e se multiplicaram até que eles contavam muitos milhares. O tributo ficou mais pesado e seu trabalho mais duro, até que eles, agora uma poderosa companhia, resolveram secretamente fazer grandes barcos curvos das bem tecidas trouxas que eles usaram para levar o solo, e navegar para a Irlanda.
10.Duzentos anos tinham se passado desde a tomada da Torre de Conaing até o retorno dos filhos de Semeon à Irlanda. Foi na mesma época que os famosos filhos guerreiros de Israel estavam deixando o Egito em busca da feliz terra prometida, enquanto os filhos de Gaidel Glas se moviam do sul após a fuga do povo de Deus e o afogamento do Faraó, e chegavam à rude e gélida Scítia.
11.Durante os duzentos anos após a tomada da Torre de Conaing, os fihos de Semeon se multiplicaram até que somavam muitos milhares, formando fortes hostes corajosas. Por conta da severidade do trabalho e o peso da servidão impostas, eles decidiram fugir da perseguição, se esforçar para escapar e seguir seu caminho para a Irlanda.
12.Eles fizeram barcos de suas trouxas, e roubaram alguns barcos, botes e galeras dos soldados dos Gregos. Os lordes e líderes, cabeças, chefes e campeões daquela frota eram os cinco filhos de Dela, de acordo com o poeta:
Para a nobre Irlanda assim partiram os cinco filhos de Dela filho de Loth, o impetuoso,
Rudraige, Genann, Gann, Slainge das lanças, e Sengann.
13.Eles o fizeram no anoitecer, e guiaram seus navios no porto onde eles haviam aportado. Slainge, o mais velho da companhia, que era o juiz entre seus irmãos, arengou com eles como segue:
'Agora é a hora do esforço, cuidado e atenção; feroz e cinzento com a espuma é o mar; cada bela frota parte para escapar do intolerávelmente errado; à tirania dos Gregos não estamos acostumados; as planícies da Irlanda portadora dos salmões temos de lutar para conquistar. 'Prestem a atenção e vejam a injustiça e erro que sofrem. Vocês tem em nós cinco bons homens para liderar a frota, cada um de nós páreo para uma centena.'
'Isso é verdade,' seus seguidores responderam, 'Vamos fazer o povo dessa terra pagar toda a servidão e os pesados tributos que eles impuseram a nós.' Então eles mataram cada um dos Gregos dignos de matar que eles pegaram, e devastaram as terras vizinhas, e nelas fizeram uma incursão destruidora e as queimaram. Então eles trouxeram seu saque e espólio para o lugar onde seus navios e galeras estavam e os belos barcos de proas negras que eles haviam feito de suas trouxas e sacos, isso é, para Traig Tresgad.
14.Mil cento e trinta era o número de navios que partiram, de acordo com o poeta:
'Mil cento e trinta navios – esse, sem falsidade, é o número que acompanhou Genann e seu povo do Leste.
Númerosos, sem dúvida, eram os Fir Boig quando eles deixaram a Grécia, uma forte companhia que partiu vigorosamente em sua viagem, mas não em uma frota construida de madeira.
Na Quarta-feira eles partiram para o Oeste sobre o grande mar Tirreno, e após um ano inteiro e três dias eles chegaram à Espanha.
De lá para a nobre Irlanda eles fizeram uma rápida viagem; todos podem proclamar isso, eles tomaram um periodo de treze dias.'
15.Então eles chegaram à Espanha. Eles perguntaram aos seus videntes e druidas por informação e direção sobre os ventos que seriam os próximos a leva-los para a Irlanda. Eles navegaram adiante em um vento sudoeste até que viram a Irlanda à distancia. Mas nesse ponto o vento se ergueu alto e forte, e sua violencia levou enormes ondas contra os lados dos barcos; e a frota se separou em três grandes divisões, os Gaileoin, os Fir Boig e os Fir Domnann. Slainge levou à costa de Inber Slainge um quinto dos Gaileoin; Rudraige aportou em Tracht Rudraige em Ulster; e Genann em Inber Domnann. O vento esfriou, e a tempestade levou Gann e Sengann até que eles aportarem em Inber Douglas, onde Corcamruad e Corcabaisginn se encontraram.
16.Ali eles aportaram e esse é o primeiro lugar onde ovelhas foram trazidas à Irlanda, e Morro das Ovelhas é seu nome.
Foi no Sábado, no primeiro dia de Agosto, que Slainge aportou em Inber Slainge; Gann e Genann aportaram em Inber Domnann na Sexta-feira, e Rudraige e Senngan em Tracht Rudraige na Terça-feira. Os últimos estavam ansiosos sobre se os Fir Boig haviam ou não alcançado a Irlanda ou não, e mandaram mensageiros por toda a Irlanda para reunir todos aqueles que haviam chegado à Irlanda em um lugar, isso é, a Fortaleza dos Reis de Tara. Todos eles lá se reuniram. 'Nós agradecemos aos deuses', disseram eles, 'por nosso retorno a ti, Irlanda. Que o país seja dividido igualmente entre nós. Tragam aqui o sábio Fintán, e que a Irlanda seja dividida de acordo com sua decisão.'
17.Foi então que Fintán fez cinco porções da Irlanda. De Inber Colptha a Comar Tri nUisce foi dada a Slainge, filho de Dela, e seus mil homens. A porção de Gann era de Comar Tri nUisce a Belach Conglais, a de Sengann de Belach Conglais a Limerick. Gann e Sengann tinham, assim, os dois Munsters. Genann foi posto sobre Connacht, e Rudraige sobre Ulster. O poeta assim descreve a divisão:
'No Sábado, um augurio de prosperidade, Slainge alcançou a nobre Irlanda; sua corajosa carreira começou em Inber Slainge.
Na sombria Inber Douglas os dois navios de Gann e Sengann tocaram a gloriosa terra.
Rudraige e o próspero Genann aportaram na Sexta-feira. Esses eram todos eles, e eles eram os cinco reis.
De Inber Colptha a Comar Tri nUisce Fintán fez uma divisão; essa era a porção de Slainge das lanças. Sua hoste era de mil homens.
De Comar Tri nUisce à famosa Belach Conglais era o quinto do curandeiro Gann. Ele tinha uma companhia de mil homens.
Para Sengann, pensamos, foi dado de Belach a Limerick. Ele era o chefe de mil homens quando o conflito ameaçou.
Genann era o rei absoluto de Connacht ao Maigue. O heroico Rudraige era rei de Ulster, seus eram dois mil homens na hora da batalha.
Rudraige e Sengann das lanças eram, isso é certo, os chefes dos Fir Boig. Os Gaileon seguiam glorioso Slainge. Um bom rei era ele que tinha uma hoste mais numerosa. Eles entraram na Irlanda pelo sul, como Deus achou apropriado.
18.As esposas desses cinco chefes eram Auaist, Liben, Cnucha, Edar, e Fuat, como o poeta diz:
'Fuat era a esposa de Slainge como vocês sabem, Edar do guerreiro Gann, Auaist de Sengann das lanças, Cnucha do belo Genann.
Liben era a esposa de Rudraige o Vermelho – eles faziam uma agradável companhia em visita. De qualquer modo, quanto a Rudraige, o rei dos feitos realizados, eu ouvi que sua esposa era Fuat.'
19.Os Firbolg ocuparam a Irlanda e foram mestres dela por trinta anos.
20.Quanto às Tuatha De Danann, eles prosperaram até que sua fama se espalhou sobre as terras do mundo. Eles tinham um deus da magia seu, Eochaid Ollathir, chamado o Grande Dagda, pois ele era um excelente deus. Eles tinham bravos e duros chefes, e homens proficientes em cada arte; e eles decidiram ir para a Irlanda. Então partiram daqueles audaciosos chefes, representanto a perícia militar do mundo, e a habilidade e aprendizado da Europa. Eles vieram das ilhas do norte a Dobur e Indobur, a S... e ao poço de Genann. Ali eles permaneceram por quatro anos, e na sua chegada à Irlanda, Nuada, filho de Echtach, era rei sobre eles.
Então esses guerreiros reuniram suas frotas em um lugar até que eles tinham trezentos navios ali. Então, seus profetas, Cairbre, Aed, e Edan perguntaram aos chefes da hoste em qual navio eles navegariam, recomendando o de Fiachra. Os chefes aprovaram e foram a bordo. Então eles partiram, e após três anos e três dias e três noites, aportaram na ampla Tracht Mugha em Ulster, na Segunda-feira da primeira semana de Maio.
Agora sobre a chegada das Tuatha De Danann na Irlanda, uma visão foi revelada em um sonho a Eochaid, filho de Erc, alto rei da Irlanda. Ele ponderou sobre ela com muita ansiedade, estando cheio de surpresa e preplexidade. Ele disse ao seu mago, Cesard, que ele havia visto uma visão. 'O que era a visão ?' perguntou Cesard. 'Eu vi um grande bando de pássaros negros,' disse o rei, 'vindo das profundezas do Oceano. Eles pousavam sobre nós, e lutavam com o povo da Irlanda. Eles traziam confusão sobre nós, e nos destruiam. Um de nós, eu penso, atingia o mais nobre dos pássaros e cortava uma de suas asas. E agora, Cesar, utilize sua habilidade e conhecimento, e nos diga o significado da visão.' Cesard o fez, e por meios de rituais e uso de sua ciência o significado da visão do rei lhe foi revelada; e ele disse.
'Eu tenho pressentimentos para você: guerreiros estão vindo através do mar, mil herois cobrindo o oceano; navios pintados se baterão sobre nós; todos os tipos de morte eles anunciam, uma pessoa versada em cada arte, um feitiço mágico; um espirito maligno virá sobre você, sinais para você se perder (?);... eles serão vitoriosos em cada embate.'
21.'Essa,' disse Eochaid, ' é a profecia da vinda à Irlanda de inimigos de países distantes.'
22.Quanto às Tuatha De Danann, eles todos chegaram à Irlanda, e imediatamente destruiram e queimaram todos os seus navios e barcos. Então eles partiram para as Colinas Vermelhas de Rian em Brefne, no leste de Connacht, onde eles pararam e acamparam. E finalmente seus corações e mentes estavam cheios com o contentamento de que eles tinham alcançado a terra de seus ancestrais.
23.Então foi reportado aos Fir Boig que aquela companhia tinha chegado à Irlanda. Que era a mais impressionante e deleitosa companhia, os mais belos de forma, os mais distintos em equipamentos e aparatos, e em sua habilidade na música e instrumentos, os mais dotados em mente e temperamento que já tinham vindo à Irlanda. Essa era também a companhia mais corajosa e que inspirava mais horror e medo e pavor, pois as Tuatha De excediam a todos os povos do mundo em sua proficiencia em todas as artes.
24.'Isso é uma grande desvantagem para nós,' disseram os Fir Boig, ' que não temos nenhum conhecimento ou registro de onde tal hoste viera, ou onde eles pensam em se fixar. Que Sreng parta para visita-los, pois ele é grande e feroz, e corajoso para espiar hostes e interrogar estranhos, e rude e aterrorizante de observar.' Então Sreng se levantou e pegou seu forte escudo curvo marrom-avermelhado, seus dois dardos de hastes ríspidas, sua espada causadora de mortes, seu belo elmo de quatro lados, e sua pesada clava de ferro, e tomou seu caminho para a Colina da Chuva.
As Tuatha De viram um enorme homem terrível se aproximando deles. 'Ali vem um homem totalmente sozinho,' disseram eles. 'É por informação que ele vem. Vamos mandar alguém para falar com ele.'
Então Bres, filho de Elatha, saiu do acampamento para inspeciona-lo. Ele carregava consigo seu escudo e sua espada, e suas duas grandes lanças. Os dois homens se aproximaram um do outro até que estavam à distancia de fala. Cada um olhou atentamente para o outro, sem dizer uma palavra. Cada um estava impressionado com as armas e a aparência do outro; Sreng se impressionou com as grandes lanças que ele via, e apoiou seu escudo no chão à sua frente para que pretegesse seu rosto. Bres, também, manteve o silêncio, e segurou seu escudo à sua frente. Então, eles cumprimentaram um ao outro, pois falavam a mesma língua – a origem sendo a mesma – e explicaram um ao outro, como se segue, quem eram eles e seus ancestrais.
'Minha carne e minha língua foram felicitados por sua agradável e bela linguagem, quando você recontou as genealogias de Nemed em diante.'
'Por origem, nossos povos são como irmãos; nossa raça e povo descende de Semeon.'
'Essa é a hora correta para ter isso em mente, se nós somos, em carne e sangue, a mesma distinta raça que vós.'
'Abaixe seu orgulho, que sua coragem escureça, esteja consciente de seu parentesco, evite a destruição de seus próprios homens.'
'Altivo é nosso temperamento, nobre nosso orgulho e ferocidade contra nossos inimigos; você não irá abate-los.'
'Nossos dois povos se encontrarão, será uma reunião onde muitos serão esmagados; que ele traga entretenimento.' 'Não será ele a nos distrair.'
25.'Remova seu escudo da frente de seu corpo e rosto,' disse Bres, 'para que eu possa dar à Tuatha De um relato de sua aparência.' 'Eu o farei,' disse Sreng, ' pois foi por medo da lança afiada que carrega que coloquei meu escudo entre nós.' Então ele ergueu seu escudo. 'Estranhas e venenosas,' disse Bres, 'são essas lanças, se as armas de todos vocês são semelhantes a essa. Mostre-me suas armas.' 'Eu irei,' disse Sreng; e então ele desamarrou e descobriu seus dardos de ríspidas hastes. 'O que você pensa dessas armas ?' ele disse. 'Eu vejo,' disse Bres, 'enormes armas, de pontas amplas, firmes e pesadas, poderosas e afiadas.'
'Triste para ele que elas devam destruir, triste para ele que elas devam voar, contra quem elas devem ser lançadas; elas serão instrumentos de opressão. Morte há em seus poderosos golpes, destruição em apenas um movimento deles; feridas são seus duros movimentos; esmagamento é o horror delas.'
26.'Como vocês os chamam ?' disse Bres. 'Dardos de batalha são eles,' disse Sreng. 'Eles são boas armas,' disse Bres, 'corpos feridos eles significam, sangue jorrando, ossos quebrados e escudos estilhaçados, cicatrizes certas e verdadeira praga. Morte e mancha eterna eles trazem, afiadas, inamistosas e mortais são suas armas, e há fúria por fratricidio nos corações das hostes de cujas armas eles são. Vamos fazer um pacto e um acordo.' Eles o fizeram. Cada um se aproximou do outro, e Bres perguntou: 'Onde você passou a última noite, Sreng ?' 'No abençoado coração da Irlanda, na Fortaleza dos Reis em Tara, onde estão os reis e príncipes dos Fir Boig, e Eochaid, Ard Righ da Irlanda. E tu ? De onde vieste ?' 'Da colina, do apinhado campo ali, na costa da montanha, onde estão as Tuatha De e Nuada, seu rei, que vieram do norte do mundo, em uma nuvem de bruma e uma chuva mágica para a Irlanda e a terra do oeste.' (De qualquer modo, ele não acreditou que fora assim que eles vieram) Foi então que Sreng disse: 'Eu tenho uma longa jornada e é a hora que tenho de ir.' ' Vá então,' disse Bres, 'e aqui há uma das duas lanças que eu trouxe comigo. Pegue-a como um exemplo das armas das Tuatha Dé.' Sreng deu um de seus dardos para Bres, como um exemplo das armas dos Fir Boig. 'Diga aos Fir Boig,' disse Bres, ' que eles podem dar ao meu povo ou batalha ou metade da Irlanda.' 'Por minha palavra,' disse Sreng, ' eu preferia lhes dar metade da Irlanda a enfrentar essas armas.' Eles partiram em paz após fazerem um acordo de amizade um com o outro.
27.Sreng pegou seu caminho para Tara. Ele foi perguntado por impressões do povo com o qual ele tinha ido falar; e ele contou sua história: 'Bravos são seus soldados,' ele disse, 'viris e habilidosos são seus homens, sangrentos e certos de batalha são seus heróis, grandiosos e fortes seus escudos, muito afiadas e de duras hastes são suas lanças, e rigídas e largas são suas espadas. Difícil é lutar com eles; 'é melhor fazer uma clara divisão da terra, e lhes dar metade da Irlanda, como eles desejam.' 'Não daremos isso, sem dúvida,' disseram os Fir Boig, 'pois se o fizermos, a terra será toda deles.'
28.Bres alcançou seu acampamento, e foi perguntado por uma descrição do homem com o qual ele havia falado, e de suas armas. 'Um homem grande, poderoso, feroz,' ele disse, ' com armas vastas e surpreendentes, com uma vontade firme e truculenta, sem reverência ou medo por nenhum homem.' As Tuatha Dé Danann disseram uns aos outros, 'Não vamos ficar aqui, mas ir para o Oeste da Irlanda, para algum lugar fortificado, e lá enfrentaremos quem quer que seja.' Então a hoste viajou para Oeste, pelas planicies e enseadas, até que chegou a Mag Nia, e ao fim da Colina Negra, que é chamada Sliabh Belgadain. Na sua chegada, eles disseram: 'Esse é um excelente local, forte e impenetrável. Daqui nós lutaremos nossas guerras, e faremos nossos ataques, aqui vamos criar nossas batalhas e hostes.' O acampamento é citado pelo poeta nessas linhas:
'Da Colina de Belgadain à Montanha – lisa é a montanha ao redor do qual nos engajamos em nossas contendas. Do seu cume, as Tuatha De tomaram a Irlanda.'
29.Foi então que Macha e Badb e Morrighan foram à Colina da Tomada dos Reféns e à Colina da Invocação das Hostes em Tara,e lançaram chuvas de feitiçaria e nuvens compactas de névoa e uma furiosa chuva de fogo, com um despejo de sangue vermelho sobre as cabeças dos guerreiros; e elas não permitiram aos Fir Boig nem descanso nem paz por três dias e três noites. 'Pobre,' disseram os Fir Boig, 'é a feitiçaria dos nossos feiticeiros, que não pode nos proteger da feitiçaria das Tuatha Dé.' 'Mas nós protegeremos vocês,' disseram Fathach, Gnathach, Ingnathach, e Cesard, os feiticeiros dos Fir Bolg, e eles pararam a feitiçaria das Tuatha Dé.
30.Então os Fir Bolg se reuniram, e seus exercitos e hostes foram a um lugar de encontro. Ali se encontraram os reis provinciais da Irlanda. Primeiro vieram Sreng e Semne e Sithbrugh, os três filhos de Sengann, com o povo das provincias de Curói. Também foram Esca, Econn, e Cirb, com as hostes das provincias de Conchobar; os quatro filhos de Gann com as hostes das provincia de Eochaid filho de Luchta; os quatro filhos de Slainge com o exército da provincia de Gaileoin; e Eochaid, o Alto-Rei, com as hostes de Connacht. Os Fir Bolg, contando onze batalhões, então marcharam para a entrada de Mag Nia. As Tuatha Dé, com sete batalhões, tomaram sua posição na extremidade oeste da planície. Foi então que Nuada propôs às Tuatha De mandar enviados aos Fir Bolg: 'Eles precisam ceder metade da Irlanda, e nós dividiremos a terra entre nós.' 'Quem serão nossos enviador ?' o povo perguntou. 'Nossos poetas,' disse o rei, nomeando Cairbre, Ai e Edan.
31.Então eles partiram e chegaram à tenda de Eochaid, o Alto-Rei. Depois que eles haviam sido presenteados com dádivas, eles foram perguntados pela razão de sua vinda. 'Isso é porque viemos,' eles disseram, ' para pedir a divisão da terra entre nós, uma divisão igual da Irlanda.' 'Os nobres dos Fir Bolg ouviram isso ?', disse Eochaid. 'Nós ouvimos,' eles responderam, ' mas não concederemos o seu pedido até o final do mundo.' 'Então,' disseram os poetas, 'quando vocês pensam em batalhar ?' 'Alguma espera é pedida,' disseram nos nobres Fir Bolh, ' pois nós temos que preparar nossas lanças, consertar nossas armaduras, moldar nossos elmos, afiar nossas espadas, e preparar vestimentas adequadas.' Foram trazidos a eles homens para arranjar essas coisas. 'Preparem,' disseram eles, 'escudos para uma décima, espadas para uma quinta, e lanças para uma terça parte. Vocês precisam ter cada utensilio que possamos pedir em qualquer lado.' 'Nós,' disseram os enviados das Tuatha Dé aos Fir Bolg, 'devemos fazer suas lanças, e vocês precisam fazer nossos dardos.' As Tuatha Dé então receberam hospitalidade até que tudo estava feito. (De qualquer modo, embora tenha sido dito aqui que os Fir Bolg não tinham lanças, essas tinham sido feitas por Rindal, avô do então rei). Então eles providenciaram um armistício até que as armas chegassem, até que o equipamento estivesse pronto, e eles estivessem preparados para a batalha.
32.Os druidas voltaram às Tuatha Dé e contaram sua história do começo ao fim, como os Fir Bolg não partilhariam a terra com eles, e lhes recusaram favores ou amizade. As notícias encheram as Tuatha Dé com consternação.
33.Então Ruad com vinte e sete filhos do corajoso Mil correram à oeste para a extremidade de Mag Nia para oferecer uma competição de arremesso às Tuatha Dé. Um número igual veio para enfrenta-los. O desafio começou. Eles deram muitos golpes em pernas e braços, até que seus ossos se quebraram e feriram, e caíram estendidos na turfa, e o desafio terminou. O Cairn do Desafio é o nome do cairn onde eles se enfrentaram, e Glen Came Aillem o lugar onde eles foram enterrados.
34.Ruad se voltou para o leste, e contou sua história para Eochaid. O rei estava feliz pela morte dos jovens soldados das Tuatha Dé, e disse para Fathach, “Vá para o oeste, e pergunte aos nobres das Tuatha De como a batalha deve ser lutada amanhã - se é para ser por um dia ou por muitos.” O poeta foi e pôs a questão para os nobres das Tuatha De, isso é, Nuada, o Dagda, e Bres. “O que nós propomos,” eles disseram, “é combatermos com números iguais em ambos os lados.” Fathach voltou e reportou aos Fir Bold a escolha das Tuatha De. Os Fir Bold estavam deprimidos, pois eles não gostaram da escolha das Tuatha De. Eles decidiram chamar por Fintan para ver se ele poderia lhes dar algum conselho. E Fintán veio a eles.
Os Fir Bolg tinham entrincheirado um grande forte. (Ele era chamado o Forte das Matilhas, pelas matilhas de cães que predavam sobre os corpos dos mortos após a batalha, ou Forte dos Poços Sangrentos, pelos poços de sangue que cercavam os feridos quando as pessoas vinham para vê-los.) Eles fizeram um Poço de Cura para curar seus guerreiros de suas feridas. Ele foi cheio com ervas. Outro forte entricheirado foi feito pelas Tuatha De.(Ele era chamado Forte dos Inícios, pelos inícios ali direcionados para a batalha). Eles cavaram um Poço de Cura para curar suas feridas.
Quando esses trabalhos estavam terminados, Cirb perguntou: “De onde viestes, para onde vão ? O cuidado da batalha de amanhã seja vosso. Eu irei liderar o ataque com Mogarn e seu filho Ruad, Laige e seu pai Senach,” “Nós os enfrentaremos com quatro batalhões,” foi a resposta.
35.Seis semanas do verão, metade do quarto, chegou ao dia combinado da batalha. As hostes se ergueram naquele dia com o primeiro brilho da luz do sol. Os perfeitamente forjados escudos pintados estavam içados nas costas dos bravos guerreiros, o firmes lanças temperadas e dardos de batalha estavam apertados nas mãos direitas dos heróis, junto com as brilhantes espadas que faziam duelos ofuscantes com luzes como brilhantes raios de sol cintilados nos bosques escupidos de espadas. Assim, as firmes companhias em formação, se moveram pela força da paixão de seus corajosos comandantes, avançando em direção a Mag Nia para dar batalha às Tuatha De. Foi então que o poete dos Fir Bolg, Fathach, foi à frente para descrever sua fúria e espalhar a notícia dela. Ele ergueu e plantou firmemente no meio da planície um pilar de pedra, no qual ele se recostou. Esse foi o primeiro pilar posto na planicie, Pilar de Fathach foi seu nome daí em diante. Então Fathach em total angústia derramou dilúvios de ferventes lágrimas ferventes, e disse:
“Com que pompa eles avançam ! Sobre Mag Nia eles marcham com poder animador. Assim as Tuatha De que avançam, e os Fir Bolg das lâminas decoradas.
“A Badb Vermelha vai agradecer pelos combates que eu vejo. Muitos serão os seus corpos talhados no leste após sua visita à Mag Tured.
“... serão a hoste após a partida dos guerreiros de que falo. Muitas cabeças serão feridas com pompa e vigor.”
36.As Tuatha formaram uma compacta hoste bem armada, liderada por guerreiros lutadores e providos com armas mortais e escudos rígidos. Cada um deles se pressionou sobre seu vizinho com a borda de seu escudo, a haste de sua lança, ou a guarda de sua espada, tão fortemente que eles feriam uns aos outros. O Dagda começou o ataque sobre o inimigo por cortar seu caminho através deles a oeste, abrindo um caminho para cento e cinquenta. Ao mesmo tempo Cirb causou um massacre sobre as Tuatha De, e devastou suas fileiras, abrindo um caminho para cento e cinquenta através deles. A batalha continuou em uma série de combates e duelos, até que, no espaço de um dia, um grande número tinha sido destruido. Um duelo teve lugar entre Aidleo das Tuatha De e Nerchtu dos Fir Bolg. As juntas rígidas de seus escudos foram rasgadas, as espadas separadas de suas guardas, e rebites das lanças perdidos. Aidleo tombou pelas mãos de Nerchtu.
37.Ao fim do dia, as Tuatha De estavam derrotadas e retornaram ao seu campo. Os Fir Bolg não os perseguiram pelo campo de batalha, mas retornaram animados para seu próprio campo. Cada um deles levou com eles à presença de seu uma pedra e uma cabeça, e fizeram um grande cairn com elas. As Tuatha De ergueram um pilar de pedra chamado Pilar de Aidleo, pelo primeiro deles a ser morto. Seus curandeiros então se reuniram. Os Fir Bolg também tinham seus curandeiros levados com eles. Eles levaram ervas curatibas, e as esmagaram e moeram na superfície da água do poço, e as preciosas águas curativas se tornaram espessas e esverdeadas. Seus feridos foram colocados dentro do poço, e imediatamente saíam inteiros.
38.Na manhã seguinte, Eochaid, o Alto-Rei, foi para poço sozinho para lavar suas mãos. Enquanto ele o fazia, viu sobre ele três belos e soberbos homens armados. Eles o desafiaram para o combate. “Me dêem tempo,” disse o rei, “para pegar minhas armas.” “Nós não lhe daremos nem um momento para isso; o combate deve ser agora.” Enquando o rei estava nessa dificuldade, um jovem homem ativo apareceu entre ele e seus inimigos, e se virando para eles, disse: “Vocês terão combate de mim, no lugar do rei.” Eles ergueram suas mãs simultaneamente, e lutaram até que todos os quatro cairam juntos. Os Fir Bolg vieram após o combate estar terminado. Eles viram os homens mortos, e o rei lhes disse como eles haviam vindo sobre ele, e como o campeão solitário havia lutado com eles em seu lugar. Cada homem dos Fir Bolg trouxe uma pedra para o poço por ele, e construiram um grande cairn. O Cairn do Campeão é o nome do cair, e a colina é chamada a Colina dos Três. Os estranhos eram Oll, Forus e Fir, três curandeiros, irmãos de Diancecht, e eles haviam vindo para espionar os curandeiros dos Fir Bolg, quando eles viram Eochaid lavando o rosto.
39.Os batalhões das Tuatha De estavam organizados sobre a planície do leste, e os Fir Bolg vieram para a planície contra eles do oeste. Os chefes que foram na frente das Tuata De naquele dia foram Ogma, Midir, Bodb Dearg, Diancecht, e Aengaba da Noruega. As mulheres, Badb, Macha, Morrigan e Danann ofereceram companhia a eles. Contra eles vieram os Fir Bolg, Mella, Esa, Ferb, e Faebur, todos filhos de Slainge. Fortes, poderosos golpes foram dados pelos batalhões em cada lado, e as bordas dos escudos foram quebradas quando elas vigorosamente enfrentavam os golpes, enquanto os homens em armas mostravam sua fúria, e os guerreiros mostravam sua coragem. Suas lanças eram torcidas pela luta continua; nos combates manuais, as espadas quebravam nos ossos despedaçados; os aterrorizantes brados de batalha dos veteranos eram afogados na multidão de gritos.
Vigorosamente, os jovens se viram para o número de ataques ao seu redor, em cada lado. Os guerreiros se encolhiam com os encontros das espadas, a força do peso, e a fúria da queda. Bem calculado era a defesa ali, e galante a guarda, e rápido os golpes dados. Nemed, filho de Badrai, se aproximou do flanco dos Fir Bolg. Então os homens o cercaram, e no conflito, o filho de Eochaid, Slainge, o Belo, foi em sua direção. Os dois guerreiros atacaram um ao outro. Houve distensão de lanças e tremor de espadas e estilhaças de escudos e golpear de corpos. No entando, Nemed caiu pelas mãos de Slainge; eles cavaram sua sepultura e ergueram um pilar para ele, e a Pedra de Nemed é seu nome até hoje. Quatro filhos de Slainge, filho de Dela, entraram na luta contra as Tuatha De. No lado das Tuatha De, os quatro filhos de Cencal lutaram contra eles. Eles enfrentaram uns aos outros até que os filhos de Cencal caíram perante os filhos de Slainge. Esses então foram enfrentados pelos cinco filhos de Lodan, o Veloz, e os cinco filhos de Lodan tombaram por suas mãos. Aengaba da Noruega começou a dobrar o inimigo e confundir suas linhas. Ruad ouviu isso e correu para a luta. Os três filhos de Dolad o enfrentaram, e ele despejou sua raiva sobre eles, e eles caíram perante ele. De outro quarto da batalha, os três filhos de Telle o enfrentaram, e foram mortos por ele da mesma forma. Lamh Redolam e Cosar Conaire foram mortos por Slainge, o Belo, ao lado do lago. Desses dezessete, as lápides foram postas ao lado do lago, pois eles tinham recuado até ali.
40.Ruad e Aengaba da Noruega se enfrentaram; eles ergueram seus escudos um contra o outro, e continuaram ferindo um ao outro até que Aengaba tinha vinte e quatro ferimentos inflingidos por Ruad. No final, Ruad cortou sua cabeça, e após isso continuou lutando até o anoitecer.
41.Ogma, filho de Ethliu, fez um ataque sobre a hoste, e seu rastro foi marcado por poças de sangue rubro. Do lado leste, Cirb entrou na luta e fez um massacre sobre as hostes, e trezentos das Tuatha caíram perante ele.
42.Quando a noite caiu, os Fir Bolg recuaram pelo campo de batalha. De qualquer modo, cada um levou uma cabeça e uma pedra para Eochaid, seu rei. “Isso é o que vocês conseguiram hoje ?” disse o rei, “Sim,” disse Cirb, “mas isso não será de lucro para eles.”
43.No dia seguinte foi a vez de Sreng, Semne, e Sithbrug, juntos com Cirb, de liderar os Fir Bolg; Eles se levantaram cedo. Uma ofuscante cobertura de escudos, e uma rigida floresta de dardos eles fizeram sobre si, e os apoios de batalha então se moveram adiante. “Com quanta pompa, “ eles disseram, “essas tropas entram na planície e vem em nossa direção.” E foi então que a planície ganhou o nome de Mag Tured, a Planície dos Apoios.
44.As Tuatha De perguntaram quem deveria lidera-los naquele dia. “Eu irei,” disse o Dagda, “pois em mim vocês tem um excelente deus;” e então, ele foi adiante com seus filhos e irmãos. Os Fir Bolg estacionaram firmemente suas formações e colunas, e marcharam seus batalhões ao nível de Mag Nia (que, dali em diante, foi chamada de Mag Tured, a Planície dos Apoios). Cada lado então apareceu para o outro. Sreng, filho de Sengann, começou a desalojar as hostes do inimigo.O Dagda foi a romper os batalhões e devastar as hostes e desalojar suas posições e a força-los de suas posições. Cirb, filho de Buan, entrou no combate pelo leste e massacrou bravos homens e altivos soldados. O Dagda ouviu a investida de Cirb, e Cirb ouviu os ressoantes golpes do Dagda. Eles surgiram um para o outro. Furiosa foi a luta quando as boas espadas fenderam, heroicos os herois quando eles mantiveram a infantaria, e responderam aos massacres. No final, Cirb tombou perante os ressoantes golpes do Dagda.
Sreng, filho de Sengann estava pressionando as hostes de seus lugares quando ele chegou aos três filhos de Cairbre Cas das Tuatha De, e aos três filhos de Ordan. O filhos de Cairbre com suas três colunas caíram perante os filhos de Ordan, quando Sreng guiou as hostes. O inimigo caiu perante ele a cada lado, e a fúria do combate cresceu por trás das linhas.
45.Após a que da Cirb os Fir Bolg recuaram para seu campo. As Tuatha De não os perseguiram através do campo de batalha, mas eles levaram consigo uma cabeça e um fragmento de um pilar de pedra, incluindo a cabeça de Cirb, que foi enterrada no Cairn da Cabeça de Cirb.
46.Os Fir Bolg não estavam nem felizes nem alegres naquela noite, e quanto às Tuatha De, eles estavam entristecidos e desanimados. Mas durante a mesma noite, Fintán veio com seus filhos para se juntarem aos Fir Bolg, e isso alegrou a todos, pois valentes eram tanto ele quanto eles.
47.Nesse humor alegre a manhã os encontrou. Os sinais de seus chefes os levantaram nas vastas encostas do acampamento, quando eles começaram a encorajar um ao outro para enfrentar o perigo e o risco. Eochaid, o Alto-Rei, com seu filho, Slainge o Belo, e os soldados e chefes de Connaught, vieram para se juntar a eles. Os três filhos de Sengann com as hostes da provincia de Curoi, tomaram seu lugar no flanco da linha. Os quatro filhos de Gann com os guerreiros da província de Eochaid marcharam para o centro do mesmo exército. Os filhos de Buan, Esca e Egconn se uniram com os da provincia de Conchobar no outro flanco. Os quatro filhos de Slainge com a hoste dos Gaileoin trouxeram a retaguarda do exército. Ao redor de Eochaid, o Alto-Rei, eles fizeram uma barreira de valorosos bravos de vermelho sangue ansiosos por batalha, a garbosos cavaleiros e as tropas mais confiáveis do mundo. Os treze filhos de Fintan, homens provados na corajosa resistência do cinflito, foram trazidos para onde estava o rei. Uma massa flamejante era a batalha naquele dia, cheia de cores mutantes, muitos feitos e mãos sangrentas, de movimentos de espada e combates individuais, de lanças e espadas cruéis e dardos; feroz ela era, e sem misericórdia, e terrivel, travada e apertada, furiosa e vasta, mutável e fluente com muitas aventuras. Os Fir Bolg, como é dito, marcharam corajosamente e vitoriosamente ao oeste, para a borda de Mag Tured, até que eles chegaram aos firmes pilares e apoios de valor entre eles e as Tuatha De. As passionais Tuatha De fizeram um impetuoso ataque furioso em companhias juntas com suas armas venenosas; e eles formaram uma poderosa falange sangrenta sob o abrigo dos fortes escudos de bordas vermelhas, ardentes, prateados. Os guerreiros começaram o conflito. Os flancos e os lados da vanguarda estavam cheios de veteranos grisalhos rápidos para ferir; homens idosos foram colocados para ajudar e atender os movimentos desses veteranos; e próximos a esses venenosos guerreiros resolutos foram colocados jovens de armas. Os campeões e seus servos foram colocados atrás dos jovens. Seus profetas e sábios se posicionaram sobre os pilares e locais vantajosos, empregando sua feitiçaria, enquanto os poetas tomavam nota dos feitos e escreviam contos deles. Quanto a Nuada, ele estava no centro da luta. Ao seu redor se reuniram seus príncipes e guerreiros apoiadores, com os doze filhos de Gabran da Scitia, sua guarda pessoal. Eles eram Tolc, Trenfer, Trenmiled, Garb, Glacedh, Gruasailt Duirdri, Fonnam, Foirisem, Teidm, Tinnargain e Tescad. Não haveria nenhuma alegria na vida para quem eles causassem um ferimento sangrento (até que eles mataram os filhos de Fintán e os filhos de Fintán os mataram). Assim eles realizaram seu ataque após amarrarem a seus corpos pedras de bordas rispidas com fechos de ferro; e fizeram seu caminho para o lugar apontado para a batalha. Nesse momento Fathach, o poeta de Fir Bolg, foi ao seu pilar, e quando ele viu os exércitos do leste e oeste, disse:
“Velozmente avançam as hostes marchando sobre Mag Nia, seu poder irresistivel; essas Tuatha De Danann que avançam e os Fir Bolg das palavras ditas.
“Eu penso que os Fir Bolg vão perder alguns de seus irmãos ali – muitos serão os corpos e cabeças e flancos rasgados na planície.
“Mas embora eles caiam por todo o lado, feroz e aguçado será seu ataque, embora eles caiam, eles farão outros cair, e herois serão derrubados por seu impetuoso valor.
“Tu subjugaste os Fir Bolg; eles cairão ali ao lado de seus escudos e laminas; eu não confiarei na força de ninguém pelo tempo que eu tenha de estar na tempestuosa Irlanda.
“Eu sou Fathach, o poeta; fortemente a tristeza se apossou de mim, e agora que os Fir Bolg se foram, eu devo me render ao veloz avanço do desastre.”
48.As fúrias e monstros e bruxas do julgamento gritaram tão alto que suas vozes foram ouvidas nas rochas e quedas d'água e nas cavernas da terra. Foi como o aterrorizante grito agonizante do último terrivel dia quando a raça humana partirá de todo esse mundo. Na vanguarda das Tuatha De avançaram o Dagda, Ogma, Alla, Bres, e Delbaeth, os cinco filhos de Elatha, junto com Bres, neto de Net, o Fomorian, Aengus, Aed, Cermad o Belo, Midir, Bodb Derg, Sigmall Abartach, Nuada o Alto-Rei, Brian, Iuchar e Iucharba, os três filhos de Turenn Bigrenn, Cu, Cian e Cethenn, os três filhos de Cainte, Goibnenn o Ferreiro, Lucraid o Forjador, Credne o Artífice, Diancecht o Curandeiro, Aengaba da Noruega, as três rainhas, Ere, Fotla, e Banda, e as três feiticeiras, Badb, Macha e Morrighan, com Bechuille e Danann, suas duas madrinhas. Eles fixaram seus pilares no chão para evitar que qualquer um fugisse até que as pedras voassem. Eles golpearam uns aos outros com suas lanças afiadas, até que as sólidas hastes estavam torcidas pelas tremores das vitmas em suas pontas. Os gumes das espadas se viravam nos escudos cobertos de limo. As laminas curvadas eram temperadas nos poços ferventes de sangue nas coxas dos herois. Alto era o cantar das lanças quando elas encontravam os escudos, alto o som e a confusão dos guerreiros quando eles golpeavam corpos e quebravam ossos no caminho. Rios de sangue fervente tomaram a visão dos olhos cinzentos dos guerreiros resolutos. Foi então que Bres fez um ataque sobre o exército Fir Bolg, e matou cento e cinquenta deles. Ele acertou nove golpes no escudo de Eochaid, o Alto-Rei, e Eochaid, por sua vez, lhe devolveu nove feridas. O filho de Sengann, Sreng, virou seu rosto para o exército das Tuatha De, e matou cento e cinquenta deles. Ele acertou nove golpes no escudo do Alto-Rei Nuada, e Nuada lhe devolveu nove ferimentos.
Cada um deu terriveis golpes de morte, fazendo grandes ferimentos sangrento na carne do outro, até que sob suas laminas, escudos e lanças entalhadas, cabeças e elmos se quebraram como os frágeis ramos cortados com machadinhas usadas pelos fortes braços dos lenhadores. Herois oscilavam de um lado para outro, cada um cercando o outro enquanto buscavam a oportunidade para um golpe. Os campeões de batalha se ergueram de novo sobre as bordas de seus escudos brilhantes. Sua coragem crescia, e os valentes homens virulentos firmes como um arco. Suas mãos iam com suas espadas, e eles rasgavam rapidamente sobre as cabeças de guerreiros, partindo seu elmos. Por um momento, eles retrocederam as fileiras do inimigo de seus lugares, e à visão deles as hostes ondearam como a água que vai muito além de seus lados por uma chaleira que ferveu demais, ou a inundação que, como uma queda d'água, um exército despeja sobre os bancos de um rio, tornando-o transponivel para as tropas da retaguarda. Então, um lugar apropriado foi aberto para os chefes; os herois cederam seus lugares, e ágeis combatentes suas posições; guerreiros foram desalojados, e servos fugiram por horror a eles. Para eles foi deixada a batalha. Pesadamente a terra foi pisoteada sob seus pés até que a turfa dura ficou macia sob eles. Cada um deles inflingiu trinta ferimentos no outro. Sreng deu um golpe com sua espada em Nuada, e cortando a borda do escudo, ferindo o seu braço direito no ombro; e o braço do rei com um terço do seu escudo caiu no chão. Foi então que o Alto-Rei gritou alto por ajuda, e Aengaba da Noruega, ao ouvi-lo, entrou no combate para protege-lo. Ferozes e furiosos foram os ataques que Aengaba e Sreng fizeram um ao outro. Cada um inflingiu ao outro um número igual de ferimentos, mas eles não eram comparáveis, pois a larga lamina da lança de Sreng e sua rigida haste faziam sons mais profundos, mortais. Tão logo o Dagda ouviu a música das espadas em pressão de batalha., ele se apressou para o lugar do conflito com saltos deliberados, como o rugir de uma grande queda d'água. Sreng declinou de uma disputa com os dois guerreiros; e embora Aengaba da Noruega não cair ali, foi da violencia daquele conflito que ele morreu depois. O Dagda veio e ficou sobre Nuada e, após as Tuatha Dé realizarem conselho, ele trouxe cinquenta soldados com seus curandeiros. Eles levaram Nuada do campo. Sua mão foi erguida no lugar do rei no circulo de valor, um circulo de pedras cercando o rei, e sobre ele o sangue da mão de Nuada foi pingado.
49.As Tuatha De mantiveram o conflito intensamente e bravamente, após seu rei ter partido. Bres fez seu caminhos entre as fileiras dos Fir Bolg para vingar seu rei, e chegou ao ponto onde Eochaid estava incitando a batalha, e fortificando seus guerreiros e exortando seus herois e encorajando seus capitães e organizando seus combates. Um fez do outro seu oponente, e ferimentos foram inflingidos onde eles estavam desprotegidos. Ante a ferocidade de sua fúria e o peso de seus golpes, os soldados foram lançados à confusão. No final, Bres foi morto por Eochaid; e o Dagda, Ogma, Alla, e Delbaeth atacaram-no para vingar seu irmão. Eochaid estava incitando a batalha, juntando e encorahando seus capitães, aproximando e juntando as fileiras dos soldados, mantendo seus guerreiros firmes e resolutos. Os quatro irmãos, em sua busca por Eochaid, levaram as hostes perante eles para o lugar onde eles o ouviam incitando a batalha. Mella, Esen, Ferb e Faebur, filhos de Slainge, os enfrentaram, e cada um acertou o escudo do outro. Suas espadas se bateram, e o conflito cresceu, e os gumes das laminas curvas cortavam ferimentos sangrentos. Os quatro filhos de Slainge caíram perante os outros quatro, e as Lápides dos Filhos de Slainge é o nome do lugar onde eles foram enterrados. Os quatro filhos de Gann então entraram em fúria. Contra eles avançaram Goibnenn, o Ferreiro, Lucraid, o Soldador, Dian Cecht e Aengaba de Noruega. Horrivel era o som feito pelas armas mortais nas mãos dos campeões. Aqueles combatentes mantiveram a luta até que os quatro filhos de Gann foram mortos; e o Monte dos Filhos de Gann é o nome do lugar onde eles foram enterrados.
50.Bedg, Redg e Rinne, os três filhos de Ordan, caíram sobre as Tuatha De, e as fileiras tremeram perante seu ataque. Os três filhos de Cainte os enfretaram, mas eles se cansaram dos conflito; e o Monte dos Magos é o lugar onde eles foram enterrados.
51.Brian, Iuchar e Iucharba, os três filhos de Turenn Bigrenn, caíram sobre a hoste Fir Bolg. Eles foram opostos pelos dois filhos de Buan, e Cairbre filho de Den. Os filhos de Buan foram superados pelos filhos de Turenn Bigrenn, e as Lápides de Buan são as pedras que os cobrem, e a Tumba de Cairbre está ao lado das lápides.
52.Eochaid e seu filho, Slainge, o Belo, então se juntaram ao combate, e destruiram inumeráveis companhias das Tuatha De. “Nossos melhores homens,” disse Eochaid, “foram destruidos, nosso povo massacrado, e nos é bom ser absolvidos valorosamente.” Então eles fizeram seu caminho pelo campo de batalha uma vez mais, e curvaram homens e massacraram soldados e talharam hostes e confundiram as fileiras com seus ataques. Após esse longo esforço continuo, Eochaid foi tomado por grande fraqueza e excesso de sede. “Tragam Sreng a mim,” ele disse. Isso foi feito. “Você e Slainge, o Belo,” disse Eochaid, “precisam manter a luta até que eu vá em busca de uma bebida e lavar meu rosto, pois não posso resistir a essa sede avassaladora.” “Ela será bem mantida,” disse Slainge, “embora nós sejamos apenas uns poucos para lutar em sua ausencia.” Eochaid então saiu da batalha com uma guarda de cem dos seus soldados. As Tuatha Dé os seguiram e gritaram para eles.
53.Mas Slainge, o Belo avançou para enfrentar a hoste, e os deu batalha a eles, e evitou que seguissem o Alto-rei. Ele foi atacado pelo poderoso Lugaid, filho de Nuada, e os dois lutaram uma feroz batalha cruel e enérgica, no qual houveram feridas e chagas e escorno talhados. Tão logo os outros viram que Slainge prevalecia, deram apoio a Lugaid. Lugaid e Slainge caíram juntos, e a Sepultura de Lugaid é o lugar onde Lugaid foi enterrado, e Monte de Slainge é o monte onde eles enterraram Slainge.
54.Quando os magos das Tuatha De viram como o rei da Irlanda estava sofrendo de uma sede consumidora, eles esconderam deles todos os riachos e rios da Irlanda até que ele chegou ao córrego de Eothail. Três filhos de Nemed, filho de Badrai, o seguiram, com cento e cinquenta homens. Eles lutaram sobre o córrego, e um número caiu a cada lado. Eochaid e os filhos de Nemed se enfrentaram em combate. Venenosos em batalha eram os filhos de Nemed, e treinado em lutar contra revezes era Eochaid. Eles lutaram até que seus corpos estivessem rasgados e seus peitos abertos com os poderosos ataques. Irresistível era o ataque do rei enquanto ele cortava sem parar os seus oponentes, até que ele e os três filhos de Nemed caíram. O Cairn de Eochaid é o cairn onde Eochaid foi enterrado (ele também é chamado de Cairn de Eothail), e as Lápides dos Filhos de Nemed estão no lado oeste do córrego.
55.Quanto a Sreng, filho de Sengann, ele continuou lutando por um dia e uma noite após os seus companheiros, até que no fim nenhum lado era capaz de atacar o outro. Seus velozes golpes ficaram mais fracos por todo o massacre e seus espiritos caíram por todos os seus males, e sua coragem desvaneceu por toda a vastidão de seus desastres; e então eles se separaram. As Tuatha De se retiraram para as terras de Cenn Slebe e para as encostas do Glen de Sangue, e para o Monte das Lágrimas. Então o Dagda disse:
“Soldados mataram sem medida, muitas feridas em heróis; espadas cruéis rasgaram seus corpos. Os Fir Bolg superaram vocês (?)... sobre suas terras.”
56.“Quais foram suas perdas nessa última batalha ?” disse Nuada ao Dagda. O Dagda lhe disse nessas palavras:
“Eu lhe direi, nobre Nuada, as histórias da terrivel batalha, e após isso, suas calamidades e desastres eu contarei, oh filho de Echtach.
“Nela caíram nossos nobres perante a violência dos Fir Bolg; tão grandes são nossas perdas que poucos sabem delas.
“Bres, filho de Elatha, um guerreiro como uma torre, atacou as fileiras dos Fir Bolg, uma gloriosa luta, e matou cento e cinquenta deles.
“Ele deu nove golpes – selvagem foi o feito – no grande escudo de Eochaid, e Eochaid devolveu a Bres nove golpes.
“Enorme Sreng veio, e matou trezentos de nossa hoste. Ele deu nove golpes no seu escudo, Nuada.
“Você, Nuada, friamente devolveu a Sreng nove golpes, mas Sreng cortou o seu braço, guerreiro impetuoso, no ombro.
“Você ergueu um alto grito por ajuda, e aquele da Noruega veio. Sreng e Aengaba lutaram com vontade um batalha bem disputada com armas de guerra.
“Quando Aengaba gritou por ajuda, eu fui rapidamente; quando cheguei, ainda descansado, Sreng recusou um combate contra nós dois.
“Mella, Esec, Ferb, e o ruivo-sangue Faebur caíram perante nós na mesma batalha.
“Os quatro filhos de Gann caíram nas mãos pelas mãos de Goibnenn, o Ferreiro, de Aengaba dos Ataques, de Lucraidh e de Diancecht.
“Bedg e Rinde e Redg, os três filhos de Ordan das artes, foram mortos certamente pelos belos filhos de Cainte.
“Eochaid e seu filho, Slainge o Belo, mataram em batalha um grande número dos herois das Tuatha Dé.
“Na batalha, a sede tomou o rei Eochaid, e ele não encontrou alívio até que chegou ao córrego de Eothail.
“Os três filhos de Nemid o cercaram no córrego silencioso, e ali eles lutaram até que todos caíram juntos.
“Lugaid, filho de Nuada, me parece, foi morto por Slainge o Belo; e Slainge, embora tão feroz antes, foi morto lutando contra as Tuatha Dé.
“Brian, Iucharba e Iuchar, os três filhos de Turenu Bigrenn, mataram Esca e Econn e Airbe.
“Após isso, foi Sreng quem dominou a luta – e muitos eram aqueles que mudaram as cores – por três dias, mas nem ele nem nós deixamos o combate.
“Cansados estávamos nós em cada lado, e resolvemos nos separar. Os combates de cada homem, como eu ouvi, eu devo contar exatamente.”
57.Tristes e cansados, feridos e cheios de pesadas reprovações estavam os Fir Bolg naquela noite. Cada um enterrou seus parentes e familiares, seus amigos e conhecidos e primos; e então eles ergueram montes sobre os bravos, e lápides sobre os guerreiros e tumbas sobre os soldados, e colinas sobre os heróis. Após isso, Sreng, Semne, e Sithbrug, os filhos de Sengann, convocaram um encontro para conselho e deliberação para os trezentos reunidos. Eles consideravam o que era de seu interesse fazer, se eles deveriam deixar a Irlanda, ou oferecer batalha regular, ou aceitar partilhar a terra com as Tuatha Dé. Eles decidiram oferecer batalha às Tuatha Dé, e Sreng disse:
“Resistencia é destruição para homens; nós resolutamente demos batalha, huve duelo de duras espadas, o forte vôo de lanças nos flancos de nobres guerreiros, e a quebra de broquel em escudo; cheias de problemas estão as planícies da Irlanda; desastre nós encontramos sobre suas florestas, a perda de muitos bons homens.”
58.Eles pegaram seus fortes escudos recurvos, suas lanças venenosas e suas espadas afiadas com laminas azuis. Assim equipados, eles fizeram um intenso ataque assassino, uma feroz companhia selvagem, com suas lanças firmemente presas no ataque, cortando seu caminho em um fogo flamejante de fúria para enfrentar qualquer infortúnio e qualquer tribulação. Foi então que Sreng desafiou Nuada para combate individual, como eles lutaram na batalha anterior. Nuada o enfrentou bravamente e corajosamente como se ele estivesse ileso, e disse: “Se o combate individual em termos justos é o que busca, amarre sua mão direita, como eu perdi a minha; só então nosso combate será justo.” “Se você perdeu sua mão, isso não me dá nenhuma obrigação,” disse Sreng, “pois nosso primeiro combate foi em termos justos. Nós mesmos iniciamos a luta.” As Tuatha Dé tomaram conselho, e sua decisão, e sua decisão foi oferecer a Sreng sua escolha das provincias da Irlanda, enquanto um acordo de paz, boa vontade, e amizade seria feito entre os dois povos. E assim, eles fizeram a paz, e Sreng escolheu a provincia de Connacht. Os Fir Bolg se reuniram ao seu redor de cada lado, e teimosamente e triunfantemente tomaram a posse da provincia contra as Tuatha Dé. As Tuatha Dé fizeram de Bres seu rei, e ele foi Alto-Rei por sete anos, Ele morreu após tomar uma bebida enquanto caçava em Sliab Gam, e Nuada, sua mão amputada sendo substituida, se tornou rei da Irlanda. E essa é a história da Mag Tured Cunga.
Isso foi escrito na Planície de Eithne, a Filha das Fadas, por Cormac O'Cuirnin para seu companheiro Sean O'Glaimhmn. Dolorosa para nós é sua deserção quando ele nos deixou em uma jornada.
Fonte:
Fraser, J. “The First Battle of Moytura.” Ériu v.8 (1915), pp. 1-63 [H 2.17]
Versão em Português: Wallace William de Sousa.

A Mari Lwyd

  • Jun. 28th, 2009 at 8:40 PM

No auge do Inverno, com as noites frias e longas, nas vilas do leste de Gales, na região de Gwent e Glamorgan, uma estranha cena poderia ser vista. Um crânio de cavalo, vestido com um fino tecido branco, usado como um véu, ornamentado com fitas e guizos, poderia estar sendo carregado pelas ruas, seguido por uma procissão de jovens. Se eles batessem à sua porta, era porque a Mari Lwyd havia escolhido sua casa para receber suas oferendas. Dado o forte enfoque Celta para a poesia, haveria uma disputa de versos, que falavam sobre a época fria em que se vivia, sobre o destino final de todas as pessoas (a morte, um tema comum à essa época) bem como sobre o futuro que a nova estação prometia, com seu Sol e seu calor. Se você desistisse, a Mari Lwyd poderia ser carregada para dentro de sua casa e o caos estaria instalado. Se não, os jovens da procissão apenas pediriam por alimentos como oferenda, em uma tradição próxima ao do Halloween, e partiriam para a próxima casa.
O nome da Mari Lwyd é normalmente traduzido como “Égua Cinzenta”, mas a palavra Galesa para egua é caseg, portanto, a tradução é improvável, sendo que o nome atual provavelmente tem a origem ligada à tradição Cristã, significando “Maria Cinzenta”, ligado à época dificil em que a cerimônia acontecia, e que voltou a acontecer. Apesar da ligação com o Cristianismo, a base da cerimônia é bem pouco Cristã. Um crânio de cavalo carregado como troféu, ornamentado, e com teor de reverência, é um retorno a caracteristicas totemicas que o Judaico-Cristianismo já ignorava em tempos medievais, mas que os povos Cristianizados ainda carregavam como sobrevivência de suas antigas crenças. Por sua localização nas províncias do Leste do País de Gales, há uma probabilidade de a prática não ser de origem Celta, mas sim Germânica, mas sua ausência na Inglaterra nos sugere que a Mari Lwyd é, sim, uma prática Galesa, e de possível origem Britonica. Uma cerimônia com caracteristicas fortemente sazonais, e associada à terra, cuja vida começa a retornar no Solsticio de Inverno, com a presença sempre forte da poesia natural (em Galês, claro), e a possivel representação das deusas-égua da soberania, a ligação da Mary Lwyd com as tradições Celtas é bastante forte.
A prática da Mary Lwyd permaneceu dentre o povo dos vilarejos de Glamorgan e Gwent nos tempos medievais e na Renascença, aparentemente sem sofrer realmente perseguição das autoridades Católicas ou Protestantes, com apenas alguma condenação da Igreja Metodista no século XIX. De qualquer modo, nessa época, a festa passou a ser associada com bandos arruaceiros e sua importância começou a diminuir, praticamente sumindo no início do século XX. Sua prática foi continuada em Llangynwyd e em tempos mais recentes, foi revivida em algumas cidades. Hoje, a Mari Lwyd está novamente viva em Gales.
A lenda da Mari Lwyd conta com duas versões: uma delas, bem Cristianizada, e próxima da prática medieval e atual que conhecemos nos diz que, quando a Sagrada Família escolheu o estábulo onde Maria teria seu filho, a Mari Lwyd e seus potros foram expulsos e desde então, ela vai vagando pelas vilas em busca de um estábulo para passar o Inverno. A outra versão nos diz que, na noite do Solstício de Inverno, os potros da Mari são levados embora, e desde então, em todo meio de Inverno, ela vaga em busca dos seus filhos. Essa lenda guarda uma grande semelhança com a história de Rhiannon, que também tem seu filho levado, e é recuperado. Rhiannon é fortemente associada com a égua, e seu nome normalmente é traduzido como “Grande Rainha” (em Britonico, Rigantona), e ligação das deusas da soberania com a figura da égua é bem conhecida (Epona e Macha são outros exemplos). Além da ligação do mito da criança divina que é roubada, e é recuperada para trazer novamente a fertilidade ao mundo, aqui simbolizada por Pryderi, filho de Rhiannon. Assim, podemos fazer um esquema hipotético de uma deusa da soberania (Rhiannon) que tem seu filho solar (Pryderi) roubado, o que traz um ermo à terra (o Inverno), mas que é buscado novamente no Solsticio, quando as noites começam a ficar mais quentes e os dias mais longos. Demorará até que Pryderi cresça, e atinja seu auge, mas ao menos, seu retorno é buscado, e para que a nova estação de cultivo comece. Um esquema hipotético, claro, mas não tão improvável, dadas as imensas semelhanças mitológicas e ritualisticas dessa prática.

Hu Gadarn

  • Nov. 21st, 2008 at 8:28 PM

A raça dos Cymry não viveu sempre na Ilha da Bretanha. No sombrio passado, eles habitaram o País do Verão chamado Deffrobani. Enquanto eles viajavam, um grande benfeitor surgiu entre eles, ao qual o nome Hu Gaddarn, Hu, o Poderoso, foi dado. Ele inventou o arado, e os ensinou a cultivar o solo. Ele os dividiu em comunidades, e lhes deu leis, pelas quais as lutas e contendas eram divididas. Sob sua guia, eles deixaram o País do Verão, e cruzarando o Mor Tawch em pequenos barcos, eles vieram à Ilha da Bretanha, e tomaram a posse dela sob a proteção de Deus e Sua paz. Antes daquele tempo, ninguém vivia nela, mas era plena de ursos, lobos, texugos, e gado selvagem; ninguém, portanto, tinha direito à Ilha da Bretanha além dos Cymry, pois eles foram os primeiros a se assentar nela. Eles lhe deram o nome de Ilha do Mel, pela grande quantidade de mel que eles encontraram (Bretanha é um nome posterior). Hu os governou com justiça, estabelecendo sábias regras e ritos religiosos, e aqueles que através da graça de Deus haviam recebido o gênio poético eram feitos professores da sabedoria. Através de suas canções a história e a verdade foram preservadas durante as eras até que a arte da escrita fosse descoberta.
Algum tempo depois que eles chegaram à Ilha do Mel, os Cymry foram muito atacados por um monstro chamado an afanc, que rompeu os bancos de Llyn Llion, onde morava, e inundou suas terras. Nenhuma lança, dardo, ou flecha fazia qualquer marca em sua pele, então Hu Gaddarn resolveu retira-lo de sua morada e coloca-lo onde ele não faria nenhum mal. Uma garota o atraiu de sua toca aquática, e enquanto ele dormia com sua cabeça sobre os joelhos dela, ele foi preso com longas correntes de ferro. Quando ele acordou e percebeu o que havia sido feito, ele se levantou, e rasgando a sua amada em vingança, correu para seu velho refúgio. Mas as correntes estavam presas ao rebanho de gado selvagem de Hu Gaddarn, que o puxaram do lago e o arrastaram através das montanhas até Llyn y Ffynnon Las, o Lago do Poço Verde, em Cwn Dyli, em Snowdonia. Um desfiladeiro pelo qual eles passaram tem sido sempre chamado Bwlch Rhiw'r Ychen, o Desfiladeiro do Galopar do Gado. Um dos bois perdeu um dos olhos pelo seu esforço no desfiladeiro, e o lugar foi chamado Gwawn Llygad Ych, a Charneca do Olho do Boi. Um poço foi formado onde o olho do boi caiu que é conhecido como Pwll Llygad Ych, o Poço do Olho do Boi; o poço nunca seca, embora nenhuma água se erga nele ou flua nele, exceto quando a chuva cai, e nenhuma água flua dele, mas ele tem sempre a mesma profundidade, chegando à altura dos joelhos.
O afanc não podia romper os bancos do Lago do Poço Verde, mas ainda é perigoso passar próximo a ele. Se uma ovelha cai no lago, ela é de uma vez puxada para o fundo,e não está a salvo nem mesmo um pássaro que voa ao redor dali.

Giraldus Cambrensis, Gerald of Wales, Gerallt Gymro ou Geraldo de Gales, foi uma autoridade eclesiastica, que viveu entre 1140 e 1220. Filho de nobres Galeses, ele viajou pelas Ilhas Britanicas, coletando cultura e hábitos dos camponeses de várias regiões, da Nortumbria à Irlanda, da Cornualha à Escócia.
No que podemos entender sobre a obra de Giraldus, ele se torna extremamente valioso para aqueles que estudam os povos Celtas e as possiveis evidências de sua antiga religião sobrevivendo em meio ao folclore dessas regiões. É dele a descrição do rito do sacrificio da égua na Irlanda, bem como a descrição dos Awenyddion de Gales.
Então, se ele é tão valioso, porque há no titulo, a palavra "problema" ? Porque, Giraldus, no auge da era medieval, estava longe de ser um homem que se pudesse chamar de neutro. Filho de nobres não apenas Galeses, mas também Normandos, ele devia obediencia à coroa Britanica; além disso, devia obediencia também à própria Igreja. Assim, se ele é gentil ao nos ceder tantas boas informações, em muitas outras podemos ver que ele camufla informações sob sua manta clerical, sob a coroa Inglesa e sob a fachada Galesa. E é uma fachada que ele defende bem. Descreve os Galeses como um povo próximo à perfeição, um terror para seus inimigos, mas que já havia sido conquistados pelos Normandos nessa época, e com poucas batalhas. Essa defesa do povo Galês tem mais a ver com o fato desses descendentes de Celtas terem sido subjugados mais com artimanhas politicas do que com batalhas, e era uma forma de o governo Anglo-Normando fingir que reconhecia as suas caracteristicas,fossem reais ou imaginadas, ainda que também apontando-lhes os seus defeitos, esses bem reais. Assim, quando eles nos fala sobre os Galeses entrando em batalha de modo aterrorizante e aos gritos, mas que são vencidos rapidamente por unidades de batalha organizadas, nós vemos praticamente um relato identico sobre como os Romanos venciam os Celtas. Também era verdadeiro o hábito do saque entre os Celtas, principalmente entre suas próprias tribos. Essa desunião foi uma das principais causas de sua queda. Verdadeiro também era o grande respeito pela linhagem familiar entre os Celtas. Um fato muito interessante é notado quando ele fala dos corais. A música folclórica Galesa é menos conhecida por seus reels e jigs, como a Irlandesa e a Escocesa (embora ela os tenha, normalmente tocados em flautas, e não usando violinos), mas sim por seus belos corais, demonstrando que essa é uma tradição que já vinha desde tempos anteriores à conquista normanda. E a hospitalidade e generosidade sempre foram virtudes Celtas mesmo. Mas devemos sempre estar atento aos exageros de Giraldus e outros cronistas medievais, querendo exaltar o próprio povo, pelos mais diversos possiveis. Pois os Galeses eram homens, com muito de Celtas ainda, mas humanos (como os próprios Celtas o eram) e com certeza sofreriam com a fome, diferente dos Galeses que Giraldus nos descreve abaixo.

O povo Galês é leve e ágil. Eles são ferozes mais que fortes, e totalmente dedicados à prática das armas. Não apenas os líderes mas toda a nação é treinada na guerra. Soe a trombeta para a batalha e o camponês irá largar de seu arado para pegar suas armas tão rapidamente quanto o nobre da corte.
Eles aram o solo uma vez em Março e Abril para a aveia, uma segunda vez no verão, e então o fazem uma terceira vez enquanto o grão está sendo maturado. Dessa forma, toda a população vive quase que exclusivamente de aveia e da produção seus rebanhos, leite, queijo e manteiga. Eles comem uma plenitude de carne, mas pouco pão.
Eles são passionalmente devotados à sua liberdade e à defesa de seu país: por essas eles lutam, por essas eles sofrem privações, por essas eles vão de bom grado pegar em suas armas de bom grado sacrificar suas vidas.
É um fato extraordinário que em muitas ocasiões eles não hesitaram em lutar sem nenhuma proteção no todo contra homens vestidos em ferro, desarmados contra aqueles usando armas, a pé contra cavalaria montada. Eles são tão ágeis que muitas vezes venceram batalhas lutadas contra tais revezes.
Os Galeses não são dados nem à gula nem à embriagues. Eles gastam pouco em comida ou roupas. Seu único interesse na vida consiste de cuidar de seus cavalos e manter suas armas em boa ordem, sua única preocupação a defesa de sua terra natal e se apoderar do butim.
Se a comida é pouca ou se eles não a tem, no todo, eles esperam pacientemente pela próxima noite. Nem fome nem frio pode dete-los. Eles passam as noites escuras e tempestuosas observando os movimentos dos seus inimigos.
Em Gales, ninguém mendiga, as casas de todos são abertas a todos, para os Galeses, a generosidade e a hospitalidade são as maiores de todas as virtudes.
Quando eles se juntam para fazer música, eles cantam suas canções tradicionais, não em unissono, como é feito em outros lugares, mas em partes, em muitos modos e modulações. Quando um coral se reúne para cantar, o que acontece muitas vezes nesse país, você irá ver tantas partes e vozes quanto músicos, todos se juntando no fim para produzir uma única harmonia e melodia na leve doçura da afinação em B.
Os Galeses valorizam o nascimento distinto e descendência nobre mais do que qualquer coisa no mundo. Eles prefeririam casar com uma familia nobre do que com uma mais rica. Mesmo os camponeses conhecem sua arvore familiar e podem prontamente recitar a lista de seus avôs, bisavôs, tataravôs, até a sexta ou sétima geração...
O povo Galês raramente mantém suas promessas, pois suas mentes são tão instáveis quanto seus corpos são ágeis.
É o hábito dos Galeses roubar qualquer coisa que eles possam colocar em suas mãos e viver do saque, roubo e banditismo, não apenas de estrangeiros e pessoas hostis à eles, mas também entre si.
Em guerra, os Galeses são muito ferozes no inicio da batalha. Eles gritam, fitam ferozmente o inimigo, e enchem o ar com um aterrorizante clamor, fazendo um alto guincho com suas trompas longas. Do seu primeiro e precipitado feroz primeiro ataque, e a chuva de arpões que eles lançam, eles parecem ser oponentes mais formidáveis. Se o inimigo resiste virilmente e eles são repelidos, eles são imediatamente lançados em confusão.
Os Galeses são mais atentos à sua terra e à extensão de suas posses do que qualquer outro povo que eu conheça.

ORAÇÕES: TRADICIONALISMO E INSPIRAÇÂO

  • Jul. 20th, 2008 at 4:17 PM

Orações. Talvez a forma mais simples conhecida de comungar com os Deuses. Talvez dentro dos movimentos pagãos, essa prática não seja tão valorizada quanto deveria, quando as pessoas se preocupam principalmente com rituais elaborados e oferendas, mas a prática e a valorização da oração dentre as religiões antigas é bastante clara. Existem orações preservadas dos Gregos e Romanos, trechos de orações entre os Escandinavos, orações essas que poderiam ser usadas pelos devotos, sem a necessidade um sacerdote para media-la. Essa prática também é bastante visível entre os povos Celtas, principalmente entre os Gaélicos, com a Carmina Gadelica.
A Carmina Gadelica é uma coleção de canticos e orações reunidas por Alexander Carmichael, nas regiões Gaélicas da Escócia; ali, em meio a todo o folclore Gaélico, Carmichael reconheceu o forte teor pagão oculto entre as práticas Cristãs, como as práticas divinatórias, as orações à santa Brigida e algumas citações à possiveis deidades pagãs, como o "Homem do Mar" (me perdoem, mas um tradicionalista Gaélico falando de um "Homem do Mar", para mim, está falando de Manannán), além do forte significado de feitiço dentre algumas orações. Nota-se também a grande variedade de orações, muito maior do que dentre os cristãos de outras regiões, mais influenciados pela ortodoxia romana, uma vez que entre os Gaélicos, também da Irlanda, mas principalmente na região do Dál Riada Escocês, de acesso muito mais dificil, a mescla entre as tradições Cristãs e Pagãs permitiu uma sobrevivencia muito maior de práticas da religião anterior na posterior. De fato, a Igreja Cristã Celta chegou a ser reconhecida como perigosa pelo Vaticano, e muitas de suas práticas foram banidas, mas como sempre, entre o povo do interior, e principalmente de regiões isoladas, essas práticas custaram a desaparecer. Porém, uma coisa não pode ser negada de forma alguma. Essas práticas, como o Frith (divinação escocesa) ou as orações nos chegam hoje como sendo parte do Cristianismo, diferente do Cristianismo que conhecemos hoje (e muito mais Celta do que qualquer prática Wiccan e de muitos outros grupos neo-pagãos que exista), mas ainda assim, continua sendo Cristianismo. Por isso, elas não são apropriadas à nossa prática, por mais Celtas que sejam, pelo menos dessa forma. Só que, se admitimos o forte teor pagão dessas orações, não seria correto tentar utilizar o substrato pagão oculto por trás delas ? Culturalmente, isso é errado. Tais orações são patrimonios culturais das Terras Altas Escocesas e de muitas partes da Irlanda também. Danifica-las é ofender essa cultura. Dizer que as está "devolvendo ao paganismo" orginal não é diferente do que os Ingleses, Portugueses, Franceses e Espanhois fizeram ao banir as linguas e culturas de seus povos colonizados para impor a sua. Porém, usar essas orações como inspiração, como guias para uma oração pagã, sem negar a original Cristã, não seria errado, afinal, você não está negando a Cristã (que é mais Celta que 90% das tradições neo-pagãs por aí), e está criando uma nova, usando a estrutura Gaélica para dedica-la aos Deuses Celtas. Isso sim, seria muito mais apropriado.
Já houve uma tentativa de faze-lo, infelizmente voltada para a Wicca. A "Carmina Gadelica Pagã", de Mike Nichols, foi uma tentativa de repaganizar a Carmina Gadelica. Infelizmente, Nichols não tinha conhecimento histórico, folclórico ou antropológico necessário para falar sobre os Celtas. Ou seja, sua "tentativa de restaurar as orações ao seu Paganismo Original" não passa de mais uma tentativa de adaptar essas tradições a uma religião que aos Celtas seria totalmente estranha, e que está completamente contra os valores morais desse povo que valorizava tanto a figura do Rei e do Heroi. Então, qual seria a forma correta de faze-lo ? Não existe forma correta. Tudo o que poderiamos fazer é conhecer essas orações, junta-las ao nosso conhecimento e deixar a inspiração nos guiar. É isso o que Nichols fez, mas juntou as orações com uma ideologia que nada tem a ver com os Celtas. E é isso que farei como exemplo agora, tendo a Carmina Gadelica Tradicional e a Carmina Gadelica Pagã, e usando ambas para guiar a minha inspiração. A minha visão dos Celtas como povo politeista pode torna-las muito diferente das de Nichols, mas algumas como "Nos proteja e nos guarde", terminarão muito semelhantes à dele, pois ali, a inspiração o guiou à algo que eu considero muito próximo ao conhecimento que tenho sobre os povos Celtas. Claro, como eu disse, dizer que essas são versões definitivas é um crime cultural. São apenas orações que eu deixei meu espirito falar, combinado com meu conhecimento. Cada um pode usa-las se quiser, apenas para propósitos religiosos, nunca para desmentir as originais. E cada um pode simplesmente toma-las como exemplo e deixar a sua própria inspiração fluir. Enfim, que o Awen os guie à um melhor uso de tais tradições.

"Nos proteja e nos guarde"

Valente Nuada, da Espada Brilhante
Que derrotou aos Firbolg da Terra
Pela honra da tribo, das Tuatha Dé Danann
Segura teu escudo sobre nós, a todos proteja

Segura teu escudo sobre nós, a todos proteja

Brighid amada, senhora do fogo brilhante
Proteja-nos, Proteja-nos Senhora da Poesia
E Brighid, a nobre, pastora dos rebanhos
Guarda nossos animais, nos circule com tua chama.

Guarda nossos animais, nos circule com tua chama.

E Manannán, habilidoso, radiante,
Aquele que nos guia através da névoa
Torna seguro nosso caminho, nossa viagem
Guie-nos, à nossa procissão proteja.

Guie-nos, à nossa procissão proteja.

A Nemhain ! A Badbh ! A MOrrigu !
Estejam as três hoje ao nosso lado.
Na planicie verde, na alta montanha.
Estejam as três conosco, conosco sua benção.

Estejam as três conosco, conosco sua benção.


"Runa antes da Oração"

Eu estou me ajoelhando
No olho de Manannán que me guiou,
No olho de Nuada que me protegeu,
No olho do Lugh que me purificou,
Em amizade e respeito.
Através de vossos próprios caminhos, ó Deuses.
Tragam-nos a totalidade para nossas necessidades.
Respeito para os Deuses
A amizade dos Deuses
O riso dos Deuses
A sabedoria dos Deuses
A graça dos Deuses
O medo dos Deuses
E a vontade dos Deuses.
Para que seja feito nos Três Mundos
Como os Deuses e Sidhe
O fazem no Outro Mundo.
Cada sombra e cada luz
Cada dia e noite
Cada hora em gentileza
Dê-nos vosso Espirito.

"Oração do Mar"

DRUIDA: Abençoe o barco
PESCADORES: Manannán do Mar o abençoe
DRUIDA: Abençoe o barco
PESCADORES: Manannán das Chuvas o abençoe
DRUIDA: Abençoe o barco
PESCADORES: Manannán das Névoas o abençoe
TODOS: Deus do mar
Deus das chuvas
Deus das Névoas
Abençoe o barco.
DRUIDA: Que pode recair sobre você
e Manannán do Mar com você ?
PESCADORES: Nenhum mal pode recair sobre nós.
DRUIDA: Que pode recair sobre você
e Manannán das Chuvas com você ?
PESCADORES: Nenhum mal pode recair sobre nós.
DRUIDA: Que pode recair sobre você
e Manannán das Névoas com você ?
PESCADORES: Nenhum mal pode recair sobre nós.
TODOS: Deus do Mar
Deus das chuvas
Deus das Névoas
Conosco Eternamente.
DRUIDA: O que pode lhe causar ansiedade
E o Deus dos Elementos sobre você ?
PESCADORES: Nenhuma ansiedade pode ser nossa.
DRUIDA: O que pode lhe causar ansiedade
E o Filho dos Elementos sobre você ?
PESCADORES: Nenhuma ansiedade pode ser nossa.
DRUIDA: O que pode lhe causar ansiedade
E o Espirito dos Elementos sobre você?
PESCADORES: Nenhuma ansiedade pode ser nossa.
TODOS: O Deus dos Elementos
O Filho dos Elementos
O Espirito dos Elementos
Próximo a nós,
Para sempre, eternamente.

UISCE = água
TINE = fogo

O encontro do Fogo com a Água gera fumaça e névoa, quando a água extingue a chama e é por ela evaporada. Me permitindo uma certa licença, a névoa (que é água em forma de vapor) é uma das entradas para o Outro Mundo Celta na mitologia. St. Collen, ao entrar nas névoas de Glastonbury, é levado à corte de Gwynn ap Nudd. Conn das Cem Batalhas, ao se perder nas névoas em Tara, vai de encontro a Lugh e sua esposa Flath Eíreann. A névoa é erguida na Ilha de Mann por Manannán, para protege-la, e é nela que os DRuidas Gaélicos utilizavam o Féth Fiada para a mudança de forma.
Ao levar essa questão para um simbolismo moderno, o que seriam a água e o fogo que formam a névoa, a névoa que nos guia ao nosso lugar no Outro Mundo, a névoa que nos liga aos Deuses, a névoa que é tão importante para a mitologia Celta ? Partindo da opinião de Erynn Laurie (do qual esse texto é apenas uma extensão), o fogo é o estudo academico, aquele estudo que nos leva ao que é tradicionalmente Celta, e a água é o estudo exotérico e místico, aquele que nos leva a tentar suprir as lacunas que nos faltam no conhecimento das práticas Celtas. Esse inclui magia natural, magia cerimonial, meditação, xamanismo, enquanto o outro trata de mitologia, história, antropologia, estrutura social, linguistica e mesmo canções e poesia tradicional. Todos são parte da névoa que nos liga ao Outro Mundo nos tempos modernos. E, coincidentemente (ou não), esses elementos parecem incompátiveis também, como a água e o fogo. Mas ambos são necessários ao nosso caminho moderno, assim como tanto a água quanto o fogo são necessários ao vapor que forma a névoa.
Antes de mais nada, porque o estudo acadêmico é o Fogo ? Porque ele é tradicional. É aquilo que é reconhecido como genuinamente Celta, e ninguém entra nesse caminho (pelo menos não de um Druidismo com respeito à História ou do Reconstrucionismo Celta) sem ter paixão por esse povo e suas práticas. É aquilo que nos faz querer estudar mais e mais, querer conhecer mais, e nos dar mais respeito e fascinação pelos Celtas. Nós precisamos do Fogo, precisamos saber como esse povo vivia, quais eram seus valores, quais eram seus Deuses (que, por acaso, são os nossos), o que cantavam e para que poetizavam. Não se segue uma religião Celta sem saber que foram os Celtas. Todos os estudiosos concordam sobre isso. Mas até onde precisamos estudar isso ? Ninguém precisa se tornar um grande academico, um LeRoux, ou uma Miranda Green (mas se você se tornar, seja bem vindo :). Mas um conhecimento básico de mitologia Celta (as Batalhas de Magh Tuiread, os Quatro Ramos do Mabinogion, o Sonho de Oengus, a Corte a Étain, o Taliesin, os contos folclóricos Arthurianos, um básico sobre os CIclos Ultoniano e Feniano seriam o bastante), de ética Celta (Tríades, as Instruções do Rei COrmac, o Testamento de Morann, as Leis de Hywel Mawr, um pouco das Leis dos Brehon), Historia (Guerras Gálicas, conquista da Brittania, a cristianização) e Teologia Indo-Européia (Politeismo, castas sociais) seriam o bastante para ajudar a colocar um iniciante em um caminho com um certo grau de tradicionalismo.
Infelizmente, para nós, o Tradicionalismo não é o bastante. Não é possivel negar que muito foi perdido, e que muito do que os grupos modernos utilizam não é tradicional. Isso é errado ? Não. É por isso que o estudo mistico é agua, mais fluente, mais dificil, mas igualmente necessário. Os bardos Gaélicos entravam em casernas escuras, com pedras em seus peitos e lá ficavam até atingir o Imbas. Não sabemos os detalhes do processo, mas entendemos isso como uma forma de meditação, e podemos utilizar outras formas de meditação para tentar atingir o mesmo efeito. Os Awenyddion de Gales entravam em um estado em pronunciavam vaticinações em palavras desconexas "mas que faziam todo o sentido". Até onde podemos entender, seria um estado semelhante ao estado de extase das tradições xamanicas. Claro que não estou (estamos, no caso da comunidade Reconstrucionista Celta) sugerindo simplesmente pegar práticas religiosas de diferentes tradições religiosas e agrupar às nossas simplesmente porque achamos que estão faltando pedaços na tradição Celta. Antes de mais nada, elas estão mesmo perdidas ou nunca existiram entre os Celtas ? Se a resposta for a segunda alternativa, a sua utilização não deve ser considerada parte de uma prática pagã Celta, ainda que não seja condenavel utiliza-la. Para uma prática ser entendida como perdida, temos de olhar as evidências históricas, ver algo que sabiamos ser feito, ainda que sem saber como, e só então procurar por algo semelhante. Mesmo nesses casos, a prática pode ainda ser o mais Celticizada possivel (utilizar paisagens mitologicas Celtas ao invés das básicas paisagens do Xamanismo nas meditações, por exemplo).
Assim, com o Fogo do conhecimento queimando em nossos corações e mentes, e a água do mistico, que ainda que passe por grandes pedregulhos, ainda assim pode fluir, se ela correr na mesma direção da tradição, se encontrando dentro de nós, podemos formar a névoa do Outro Mundo, aquilo que nos guiará e gerará comprometimento tanto com os Celtas Ancestrais quanto com nós mesmos e nossos tempos.

A QUESTÃO DA INICIAÇÃO E GRADUAÇÃO

Com a devida importância dos papéis definida, podemos nos voltar ao quesito de Graduação. No meio neo-pagão, a maioria das pessoas vem de meios em que a hierarquia é definida rigidamente em graus, e no qual você necessita ser iniciado para participar da religião. No Druidismo e no Reonstrucionismo Celta não é assim. Você não precisa ser iniciado por ninguém para participar da religião, vc apenas precisa de seu comprometimento pessoal. No caso, a maioria pode vir a entender que para participar do cargo do Féirmeoir, a iniciação e a graduação não é necessaria. De fato, não é. Mas uma divisão hierarquica simples sobre niveis de conhecimento aconteceria. Afinal, um Féirmeoir com mais conhecimento do que outro naturalmente assumiria mais responsabilidades, mas também seria cobrado dele mais sabedoria. E nos outros papéis ? Já foi dito que discordo veementemente de hierarquia entre os cargos, mas não de uma hierarquia que possa ser necessária ao grupo ritual, uma vez que aqueles com mais conhecimento e/ou sabedoria merecem sim serem tratados com um respeito devido, se estiverem realizando suas funções e, principalmente, orientando aqueles com menos conhecimento. Mas nos outros cargos, existiria uma graduação e Iniciação ?
Nos registros históricos, é visto que haviam vários quesitos a serem cumpridos para se atingir o posto de Druida e Bardo, assim como haviam firmes exigências para se atingir o posto de Rei (ainda que não esteja aqui sugerindo a criação de uma estrutura monárquica para um grupo ritual; acho que isso seria contraproducente...). Provavelmente, para tais cargos haveria algo que reconheceriamos como "iniciação", seja alguma reunião obscura na terra dos Carnutos, seja participar de algum rito com uma égua na Irlanda. Porém, isso nos é interessante hoje em dia ? O rito com a égua não, nem viajar para a França e descobrir onde raios era a terra dos Carnutos, mas acredito que um certo reconhecimento daqueles que atingem determinado grau de entendimento pode sim ser incentivo, além de ajudar a delegar funções no grupo. Assim, a minha opinião é a favor da Iniciação. E quanto à Graduação ? Podemos supor que haveria um hierarquia entre os Druidas sim, assim como havia entre os Bardos da Irlanda. Mas os processos sobre isso ou foram perdidos, ou são complexos demais para se utilizar plenamente em um grupo ritual moderno (como os vários graus entre Bardo e Ollamh). Ainda assim, é um conceito que pode ser plenamente integrado ao de Iniciação; numa visão puramente neo-pagã (portanto, não-tradicional), eu acredito pessoalmente que a cerimônia de iniciação pode acontecer a cada vez que a pessoa avança na sua graduação, até atingir seu grau pleno. Mas como definir a graduação em termos modernos e neo-pagãos de forma funcional ?
Até aqui, podemos usar o mesmo esquema da maioria dos grupos misticos, mas adaptados ao modo mais tribal e menos rigído da cultura Celta. Claro que essa é uma visão totalmente não-tradicional, mas não há nenhum mal em inovar. Não vivemos na Irlanda da Idade do Ferro e temos que entender que nos nossos tempos as coisas funcionam diferente, e dessa forma, as coisas fazem mais sentido para mim. A principal inspiração dessa visão veio de um livro neo-pagão, Irish Witchcraft From An Irish Witch, da escritora Irlandesa Lora O'Brien, que não nega em nenhum ponto as influências das vertentes mistícas mais modernas, mas que as adapta à sua própria forma de crença, tradicionalmente Celta. E é dela que eu pego emprestada essa visão sobre graduação;
Antes de mais nada, nas crenças exotéricas modernas, existe um "não-grau", o posto do Não-Iniciado, aquele que é recém chegado e ainda está inciando os seus estudos. Ao adaptar esse posto à sua visão, Lora nos dá a idéia não de um Não-Iniciado, o que é um termo por vezes desagrádavel, mas sim de um Convidado (Cuaiteoir/Gwestai). Esse posto seria ocupado por todos aqueles que não seriam ainda membros efetivos do grupo, mas que frequentam reuniões, ritos e tem contato constante com o grupo. Esse grau seria considerado como semelhante, em alguns pontos, ao posto de Féirmeoir, mas com menos responsabilidades, uma vez que o membro não é parte integral do grupo ainda, e está iniciando seus estudos e adaptação. Após um período como Gwestai, ele tem a possibilidade de ser um membro em definitivo do grupo, como posto de Féirmeoir efetivo, ou membro de outro cargo em treinamento. Algumas vezes, o período como Convidado pode ser ignorado, se for para entrade de um pessoa com muita experiência e afinidade com o grupo. Claro que, mesmo como convidado, o membro tem seu papel e é respeitado por ele. Afinal, Hospitalidade para os Convidados é uma virtude Celta.
Após esse ponto, chegamos àquilo que os grupos misticos chamariam de Primeiro Grau, ou Iniciado. Aqui, podemos definir aquele que está buscando seu conhecimento (Cuardóir/Ceisiai). Nesse ponto, aceitamos os membros como parte do grupo, e aceitamos que todos tem sua responsabilidade e importancia dentro dele. Aqui, seu estudo passa a ser mais formalizado e guiado pelo grupo. Aqui também os membros passam a ser considerados Féirmeoir efetivos, portanto parte da tribo e parte importante dela. Não deve-se nunca pensar que, porque se está no posto de Féirmeoir e não sabe se quer escolher outro cargo, seu estudo termina aqui. Seu estudo continua, e atinge novos patamares, como todos os outros. Assim, o papel do Féirmeoir evolui também, bem como sua autoridade. E aqui, todos, sem excessão passam a ter papel nos rituais do grupo.
Dúine Éolach/Dysgwrwydd Aelod é o grau seguinte. No exoterismo moderno, seria quando alguém seria chamado de "Sacerdote". Ambos os termos significam "Pessoa com Conhecimento". Aqui, a pessoa é reconhecida como tendo o nível necessário para ser considerado um Bardo, um Druida, um Ovate, um Laoch (ou Rhyfelwr). Aqui, o conhecimento da pessoa já atingiu um nivel em que ela pode ser convidada a cuidar do treinamento de um Gwestai ou Ceisiai. E por isso que o posto de Féirmeoir também é importante ao atingir esse nivel. Ele também pode assumir o papel de guiar os recém chegados.
O último grau é normalmente quando a pessoa é considerada um "Alto-Sacerdote". Novamente, aqui usamos termos menos pomposos, que, numa visão tribal, oferecem mais respeito:Séanoir/Hen (Ancião, Antigo). Antes de mais nada, isso pouco tem a ver com idade fisica, e sim com conhecimento. Quando se atinge um nível de conhecimento que esteja próximo aos líderes do grupo, a pessoa pode atingir esse posto. A partir de então, ele também passa a ser considerado como parte da liderança do grupo, e se quiser, pode deixa-lo e criar outro grupo aparentado ao primeiro, recebendo um grau de amizade e reconhecimento do grupo original, onde foi feito o seu treinamento.
Assim, todos os cargos tem a possibilidade de ascenção dentro do contexto do grupo ritual neo-pagão, sem fugir muito dos valores Celtas tradicionais, nem do esquema comum das ordens misticas modernas.

Assim, definimos uma estrutura que é praticamente um reflexo da natureza tribal Indo-Européia tripartida, como é pregada desde os tempos de Georges Dumézil, uma sociedade estruturada num esquema de Povo-Clero-Aristocracia, onde o Povo seriam os Féirmeoiranna, o Clero seriam os Aés Dana, e a Aristocracia seriam os Laochanna. Claro que esse estrutura não é plenamente adaptável aos Celtas (afinal, muito do poder do Rei devia-se aos Druidas, e não era nada incomum o próprio povo arranca-lo do poder), mas ela é adaptável ao conceito do Paganismo Moderno ? Não necessariamente. A maioria dos grupos Druidicos modernos (falando, novamente, somente por aqueles que se empenham em manter um certo teor de respeito histórico em suas práticas) não utiliza os cargos do Féirmeoir e do Laoch, sendo que alguém que não fosse Bardo, Ovate ou Druida, seria apenas um devoto, sem função definida ritualmente, ainda que parte do grupo. Desde os tempos da Senistrognata, o Reconstrucionismo Celta diz que a religião Celta poderia ser praticada sem a presença de Druidas (e há um certo grau de correção nisso, uma vez que orações e oferendas simples seriam feitas pelo povo, provavelmente sem a presença de Druidas, tanto que continuaram a ser realizadas mesmo muito tempo após o fim dos Druidas; e muitos ritos dependiam fortemente da presença do Rei, ou seja, os três grupos tinham atribuições rituais definidas). Ou seja, a presença de um grupo não implica necessariamente na presença de outro.
Esse pode ser um excelente ponto de partida para começarmos. Antes de mais nada, não somos um grupo de revivalistas da Idade do Ferro. Não buscamos uma estrutura tribal trinfuncional para nossas práticas. O motivo que nos guia é principalmente a paixão e a fé nos Deuses. Assim, realmente, não vejo a necessidade obrigatória da presença dos três grupos em um grupo ritual moderno (nem vejo obrigatoriedade da presença dos três subgrupos dos Aés Dana). Porém, a minha principal preocupação é: como chamar os iniciantes, que são recém chegados no grupo (ou mesmo um grupo recém formado, em que todos são iniciantes) ?
É daí que vem o meu pensamento no termo Reconstrucionista Féirmeoir. O Féirmeoir é parte do povo, e não é desprovido de suas funções no quesito ritual. Ele tem acesso à orações, pode fazer oferendas e é a mola motriz por trás da tribo. Sua importancia é muitas vezes diminuida pelos devotos modernos, mas na verdade, quantos de nós realmente poderiam ocupar um posto de Druida na sociedade Celta antiga, ou mesmo o posto de Bardo na sociedade Irlandesa ou Galesa ? O papel do Féirmeoir inclui as pessoas que ainda não tem o conhecimento necessário para se atribuir um posto, ou que aqueles que não se decidiram por um dos outros papéis. No sociedade antiga, o papel do povo era nutrir a tribo. Na nossa também. Não quer dizer no sentido literal, mas a presença de novos membros no posto de Féirmeoir, mesmo que apenas se dedicando para atingir um outro posto futuramente, garante a continuidade do grupo, assim como o plantio e o gado do povo antigo garantia a sobrevivencia da tribo. Eu sugeriria, em termos práticos de grupo ritual neo-pagão, que cada novo membro que reconhecidamente estivesse em grau inicial de aprendizado, passasse um ano no posto de Féirmeoir, para depois se decidir se opta por um outro posto ou continua nesse. Claro que antes, também alguns requisitos minímos deveriam ser definidos para que a pessoa começasse a trilhar um dos outros papéis.
Também deve ser enfatizado que, em um contexto moderno, não deve haver hierarquia entre os papéis. Podemos a ter entre membros do grupo, mas a importancia de um papel não deve ser maior do que a de outro. Não deve haver empecilhos para que um Féirmeoir ou Laoch experiente assuma a liderança de um grupo ritual, mesmo que haja Druidas no grupo também. A importancia de todos é igual. E isso inclui em mostrar a importancia de cada um dos papéis, dando determinadas tarefas a cada cargo, e permitindo à todos a participação em atividades lúdicas. À todos também deve ser dada a chance de inovar e demonstrar seus talentos, e incentivar a pensar melhor no seu papel dentro do grupo, bem como entrar em discussões sobre as atividades do grupo. Assim, permitindo a todos o diálogo e dando certa participação exclusiva, podemos ter membros satisfeitos em todos os cargos, e permitir a criação de grupos rituais mais duradouros e saudáveis no quesito amizade.

Algumas pessoas por vezes me perguntam se eu faço parte de uma "ordem". Seguindo o conselho de um sábio companheiro de grupo, que costuma dizer que "mesmo uma 'desordem' é um tipo de 'ordem'", eu às vezes respondo que sim (as vezes respondo que não, depende do meu interlocutor também). Pelo menos, essa é a resposta usual que dou a pessoas do meio exotérico. Normalmente, preferia usar termos como Tuath ou Tylwyth, mas reconheço que no tamanho do grupo atual, é inadequado, e o termo também teria que ser aprovado pelos membros do grupo. Então, creio que "ordem" esteja funcionando. A não ser quando a resposta vem acompanhada de outra : "Quem é o Mestre de sua ordem ?" Aí a coisa costuma degringolar, porque os conceitos que fazem mais sentido para mim não são os que fazem mais sentido para o meio exotérico/pagão em geral. A maioria das pessoas desse meio vem de práticas como a Wicca e a Magia Cerimonial, em que praticamente todos são sacerdotes, e há uma hierarquia entre graus, e entre mestres e discipulos. Praticamente, a partir do momento em que se entra em um grupo dessa linha, vc começa em um grau baixo e vai subindo, sem muita variação. Mas dentro da minha prática pessoal, eu vejo os caminhos como muitos, isso sem nem mesmo sair da minha crença. Talvez seja um certo tradicionalismo de minha parte, mas até onde sei, manter um certo grau de tradicionalismo só enriquece a prática neo-pagã. E no meu entendimento, a crença no Paganismo Celta, ainda que seja uma estrada de mão única, é uma estrada de várias faixas. O problema é definir o que seria uma faixa ou não: Neo-Druidismo, Reconstrucionismo Celta, Sinnsearadh ou Tradicionalismo Gaélico ? E dentro de cada uma dessas vertentes, quais são as divisões de papéis ? Eu costumo me afastar do radicalismo extremo do Sinnsearadh, apesar de julgar algum de seus valores interessantes. O Tradicionalismo Gaélico é um movimento que é tão Pagão quanto Cristão, portanto, também não costuma me interessar. Por isso, me foco realmente no Neo-Druidismo e Reconstrucionismo Celta, que são os caminhos dentro do Paganismo Celta que mais fazem sentido aos meus olhos.
Antes de mais nada, o que eu entendo por Neo-Druidismo ? Não entendo por Neo-Druidismo a Wicca, nem entendo por Neo-Druidismo os delirios Renascentistas de Iolo Morgannwg (há algo interessante nele ? Há sim. Mas é trabalhoso, para não dizer chato, ficar decifrando o que é bom ou o que é ruim na obra dele). Eu entendo como Neo-Druidismo grupos que se dedicam às tradições pagãs Celtas, mas que tenham também o minimo de consideração pelo lado historico. Nisso podemos incluir grupos tão diversos como a Brittish Druid Order, a Ar nDRaiocht Féin, ou a Henge of Keltria, e mesmo o atual momento da Order of Bards, Ovates and Druids, que hoje busca distanciamento de suas teorias estranhas e "morgannwgianas" do passado e se volta para uma prática mais realista do ponto de visto academico. Todas essas ordens tem a grande diferença de grau de valorização da História, Arqueologia e Antropologia na suas práticas (a OBOD e a BDO costumam ser mais flexiveis, a ADF e a HoK, mais rigidas), mas mantém uma base comum que pode ser reconhecida como sendo "tradicional": o politeismo,o enfoque na cultura Celta e, o objetivo desse artigo, a divisão da sua devosão em três classes: a dos Bardos, dos Ovates e dos Druidas. Isso ainda me lembra as práticas da Wicca, e da Magia Cerimonial, onde todos são sacerdotes/magos/bruxas/o-que-valha. Mas já mostra também uma variedade maior. Além disso, em conversas com membros da BDO, eles dizem que não é necessário seguir um dos três caminhos para seguir o Druidismo, e se pode ser apenas um devoto. Só não fica claro quais são os papéis daquele que é apenas um devoto. Mas não vamos falar deles ainda.
A divisão da casta sacerdotal Celta nessas três classes é bem atestada historicamente, tanto pelos Romanos que estiveram na Gália e na Bretanha, quanto pelas tradições Gaélicas. Essas três classes seriam os Aés Dána, os Neimheadh, aqueles que seriam mais devotados à prática do sagrado. Os Druidas teriam um forte papel legal, além de sacerdotal, seriam Historiadores, Genealogistas, Legisladores, além de Magos, Curandeiros e sacerdotes. Seu papel estaria acima das outras classes sacerdotais, e exigia o maior grau de conhecimento e treinamento. Os Ovates são, dessas três classes, os mais difíceis de explicar: muito do conhecimento do Druida seria o deles também, mas mais voltados à arte da profecia e do augurio, além do herborismo. Seria uma posição muito mais "mistica" do que a de forte liderança politica que teria também de ser exercida pelo Druida. Os Bardos também teriam muito do conhecimento do Druida, no concernente à história, genealogia e principalmente mitologia. Eram experientes na poesia e na musica, e nas lendas, essas artes são fonte de muito da magia dos Celtas. Assim, temos aqui uma divisão sacerdotal em três classes, nos quais uma exige grande autoridade e conhecimento (os Druidas) e as outras, ainda que exijam menos, são mais específicas (Ovate e Bardo). Vamos discutir o que tornaria alguém um Druida, Bardo ou Ovate hoje mais adiante, apenas vamos nos perguntar se dentro do paganismo atual, essas três denominações são pertinentes. E, surpreendentemente, são sim. Mais do que pertinentes, chegam a ser necessárias. Pois os três papéis são muito importantes em grupos rituais modernos. O Druida precisa ser aquele que organiza tudo, pois ele tem o maior conhecimento de todos. O Bardo deve se lembrar das lendas e das referencias mitológicas para cada ocasião. O Ovate precisa entender o curso da natureza local e consultar os oráculos. Assim, a divisão nos papéis nos dada pelo Neo-Druidismo é válida. Mas e aqueles que não pertencem a nenhuma dessas classes, mas são parte da crença. Quais seriam as atribuições deles ? Onde o Neo-Druidismo não deixa claro, uma vertente mais recente, o Reconstrucionismo Celta, nos dá uma boa resposta. O Reconstrucionismo Celta vem de uma divisão dentro de determinadas ordens Druidicas, de pessoas que gostariam de valorizar as fontes academicas. Daí nasceram grupos como a Paganachd, que são os grupos que, na minha opinião, melhor valorizam a Historia, a Arqueologia e a Atropologia dentro do Paganismo Celta moderno. Chegando ao ponto do estudo das linguas Celtas para o entendimento da forma pensamento desse povo, o reconstrucionismo se vale também do folclore, para aumentar o tradicionalismo e a "Celticidade" de suas práticas. Mas sua divisão é diferente da do Neo-Druidismo. Eles reconhecem o papel das três classes do Aés Dana, mas também reconhecem aqueles fora dessa classe mais ampla, o papel dos Gerreiros (Laoch) e dos Devotos (Feirméoir, lit. "fazendeiros"). Aqui, as divisões são muito mais condizentes com o todo da sociedade Celta, e nos fornecem excelente material de trabalho do mundo moderno. Claro que um Laoch não precisa arrancar uma cabeça para ser reconhecido, nem precisa de uma lança e uma espada para defender a tribo nos dias de hoje, mas seu conhecimento marcial e estratégico, bem como sua capacidade de argumentação são as melhores defesas que um grupo ritual pode precisar. O Feirméoir não precisa suprir as necessidades da tribo mais, nem é obrigado a trabalhar na terra, mas sua ajuda é valiosa, e ele pode contribuir da forma que puder, trazendo novidades e idéias; essa é a nutrição que um grupo ritual moderno precisa. Na minha opinião, inclusive, todo recém chegado seria considerado como um Feirméois, mas que poderia permanecer assim se quisesse, pois seu papel não é menos importante do que os outros. E nenhuma dessas posições está banida do mundo do sagrado, do mistico. Todos cultuavam os deuses ao seu próprio modo. E principalmente, no Paganismo Moderno, tais papeis não implicam em hierarquia. Implicam em estudo, cada qual ao seu modo, mas a importancia de todos é a mesma para a tribo.

AS DINDSEANCHAÍ

  • Jun. 18th, 2008 at 6:06 PM

As Dindseanchaí são alguns dos pontos mais intrigantes do estudo da mitologia Gaélica. Muitissima informação está oculta nelas, em seus textos curtos e muitas vezes vagos. Ali, conhecemos historias sobre Manannán, Macha, Brighid e Lugh, que são simplesmente citadas em pouquissimos detalhes. As Dindseanchaí são histórias curtas, tanto em verso quanto em prosa, explicando a toponímia de inumeros pontos das terras Gaélicas, tanto de rios e montes (como o rio Boyne) quanto de pontos importantes artificiais (como o Brugh na Boinne e Emhain Macha). Elas podem estar em verso ou prosa, mas sempre são curtas, e vagas. Algumas vezes fazem referência a outros textos, como a Dindseanch de Emain Macha abaixo, que cita "A Sucessão dos Reis". Algumas vezes, novamente como no exemplo abaixo, mais de uma versão da historia é citada, demonstrando a grande variedade de contos que os bardos antigos tinham para contar. Elas existiram em outras terras Celtas ? Não há certeza absoluta disso, mas há evidências de que podem ter havido Dindseanchaí em outros lugares sim. No Mabinogi de Taliesin, é citada que a origem do nome de um vau no País de Gales está ligado aos cavalos que morreram ali envenenados pelos restos da beberagem do caldeirão de Ceriddwen. Quantos toponimicos não teriam seus nomes derivados de antigos deuses ? E quantos desses pontos não teriam seus próprios contos e poemas dizendo o porque de serem a eles associados ?

Emain Macha

  • Jun. 18th, 2008 at 6:04 PM

[1] Emhain Macha, por que o nome ? Não é difícil dizer. Macha Crina Vermelha, filha de Aed Ruad, filho de Badurn, pôs sobre os filhos de Dithorba a tarefa de cavar o vau. Enquanto eles estavam ilegalmente nos campos de Boirenn, ela foi até eles difarçada como uma leprosa, enquanto eles estavam perseguindo um javali selvagem na floresta. Cada um deles então a pegou para ficar com ela, e então ela amarrou cada um deles firme. Depois disso, ela carregou cada um dos filhos de Dithorba com ela nesse apuro para Emain; Baeth, Brass, Betach, Ualach e Borbchass eram seus nomes. Também ela ordenou-os a cavar o vau, pois ela preferia fazer deles escravos do que mata-los. Ela traçou para eles depois então a circunferencia do vau sobre ela com seu prendedor de broche, e eles o cavaram. Quando os homens dizem “Emain”, isso é eo-muin, isso é “o broche da garganta de Macha”, isso é, “o prendedor de sua garganta”. Mas veja adicionalmente A Sucessão dos Reis, se quiser conhecer a historia completa, que em nome da brevidade eu aqui omiti.
[2] Ou novamente, Emain Macha é chamada por esse evento: Macha, filha de Sainrith mac Inboith veio para uma corrida dos dois corcéis do rei Conchobar no Banquete, após Crunnchu ter declarado que sua esposa era mais veloz que os cavalos do rei. O rei disse a Crunnchu que ele morreria a menos que sua esposa viesse para a corrida. Então Macha veio salvar seu marido, embora gravida, e correu com os cavalos até o fim da grama, e se provou mais rápida do que eles. Então, ela deu à luz a um menino e a uma menina, e as crianças gritaram, e o som levou os Ulaid à sua debilidade, até que cada homem não fosse mais forte que uma mulher no resguardo. E a debilidade continuo com eles. Dessa Macha e dos gemêos (emon) que ela pariu veio o nome de Mag Macha e Emain Macha.

A QUESTÃO DO XAMANISMO

  • Jun. 15th, 2008 at 7:22 PM

O termo Xamanismo atualmente é muito lembrado como um exemplo básico de religião antiga. Na verdade, é muitas vezes pensado que todas as religiões antigas (e as vezes, até mesmo as religiões semíticas "reveladas") como sendo "xamanicas", ainda que não sejam utilizados tais termos para descreve-las. Assim, nasceram no mundo moderno muitas vertentes misticas que se utilizam do termo "xamanismo" para se valer, como o Xamanismo Celta, o Xamanismo Nórdico, o Xamanismo Eslavo. Mas até onde esses termos são realmente válidos para esses povos antigos ?
A palavra "xamã" vem de uma lingua Siberiana-Asiática chamada Tungusc, "saman", e qualifica os curandeiros daquele povo. Ou seja, utilizar o termo "xamã" a um praticante que não se utiliza das tecnicas daquele povo oriental que vive isolado na Sibéria até hoje (e que não teve influencia clara nem mesmo nos Eslavos) já seria errado. Dito isso, as comparações entre essa fé (que de fato é muito antiga, e precede até mesmo a chegada dos Indo-Europeus ao continente) e as muitas religiões de todo o mundo, mostram de fato uma semelhança surpreendente. Isso significa que o Xamanismo, a religião dos Tungusc é a base religiosa de todo o mundo ? Não é a minha opinião. Parece mais claro dizer que diferentes povos em diferentes regiões desenvolveram formas semelhantes de ver o mundo sagrado, provando assim sua validade. Afinal, nem todas as práticas são semelhantes em todo o lugar.
Então, quais seriam os aspectos do Xamanismo que seriam válidos, a nós, estudiosos e dedicados a reconstruir a espiritualidade dos povos das Ilhas Britanicas, Gália e Ibéria ? Muitos. Dos aspectos mais básicos do Xamanismo, muitos podem ser encontrados até no Velho Testamento da Bíblia, como o reconhecimento dos deuses habitando pontos da terra (o Deus na Sarça Ardente ? o Deus do Monte Sinai ?), e outros. Mas para nós, alguns aspectos são os que interessam.
O Totemismo talvez seja o principal. Talvez seja a coisa mais impossivel do mundo negar a existencia de práticas totemicas entre os Celtas. O exemplo do Totemismo é muitas vezes um fortalecedor de um herói, como quando o jovem Sétanta recebe seu nome com o totem do cão, se tornando assim Cuchulainn. Ou quando Demné, cujo o nome significa "cervo", recebe seu nome assim sendo lembrado de sua origem, como filho da corça mágica Sadb. Também usado como forma de louvor, a comparação com um animal era sempre importante em poemas, tanto de louvor como de escarnio. O numero de herois e deuses com nomes de animais é incontável: Demné (Finn), Cuchulainn, Oisin, Oscar, Brán (que significa Corvo), Arthur (cujo nome vem do Urso), Badbcatha (Corvo de Batalha, um dos epítetos da Morrighan) são apenas exemplos de maior importancia entre muitos outros. Muitas aventuras Celtas eram guiadas por animais Totemicos. Em Culhwch ac Olwen, os herois em busca das prendas de Yspaddaden Penkawr são guiados à prisão do jovem deus Mabon pelos cinco Animais Mais Velhos da Bretanha (O Pássaro de Cilgwri, o Cervo de Redynfre, a Coruja de Cwm Cawlwyd, a Águia de Gwern Abwy, e o Salmão de Llyn Llyw); os homens de Ulster também chegaram ao local de nascimento de Cuchúlainn seguindo uma revoada de pássaros. Gwenhwyfar inicia a aventura de Geraint ao ir à caçada do Cervo Branco com Galhadas de Prata. Fora os muitos herois com a capacidade de se transformar em animais. Mongán, Fintán e outros, além de ser uma habilidade atribuida aos Druidas.
O Animismo também é uma caracteristica Xamanica comum entre os Celtas. A visão do sagrado em determinados lugares e de coisas inanimadas como sendo possuidoras de espirito é muito comum na mitologia Celta. Antes de mais nada, a atestada crença na metempsicose entre os Celtas que no é dada pelos Romanos nos diz que os Celtas acreditavam na transmigração da alma de uma forma para outra. Isso não exclui animais, plantas ou mesmo objetos inanimados. Os poemas de Taliesin e Amhairgen são prodigos em identificar seus poderosos autores com lugares, objetos ou mesmo coisas etéreas ('eu fui um grito na batalha', é dito em um dos poemas de Taliesin), e a canção folclórica Irlandesa The Bonny Swans, tão belamente regravada por Loreena McKennit, nos mostra um exemplo tipicamente Celta dessa idéia, com a alma da donzela migrando para o cisne e posteriormente para a harpa. Além disso, deuses como Manannán e Oghma tem suas espadas falantes. A ligação de certos pontos topográficos com entidades do Outro Mundo é comum, e também caracteriza Animismo. Glastonbury Tor é associado em tradições Galesas com a morada de Gwynn ap Nudd, o "Rei dos Mortos", aquele que rege a Caçada Selvagem em busca das almas dos mortos. Ainda em Gales, algumas tradições atribuem o monte Eryri com a morada de Brán. Na Irlanda, o Brugh na Boinne costuma ser associado ao Dagda e também à Aonghus, bem como Emhain Macha à Macha. Existem duas montanhas associadas à Morrighan, bem como duas associadas à Anu. MIdhir, Fionnbhearra, Brighid, Cromh Cruach e Manannán também tem importantes lugares ligados à suas figuras.
O estado de Transe, comum aos xamãs, também é verificado entre os Celtas. Porém, aí temos uma prática similar que não é nada similar. Não temos uma evidência plena, mas provavelmente os Celtas não usavam água de tabaco para entrar em transe, como os xamãs Siberianos, nem chá de cipó, como é comum no "Xamanismo" atual. Onde há evidência do uso de substancias psicoativas, é de uso de coisas ainda mais perigosas, como fungo de centeio (ou seja, não tentem fazer isso em casa crianças). Mas o estado de transe existiu entre os Celtas, isso é fato. Quando Giraldus Cambrensis fala dos Awenyddion, ele nos diz que suas vaticinações vem na forma de "palavras desconexas que fazem todo o sentido". Os bardos das montanhas da Escócia e do interior da Irlanda atingiam a iluminação após passar três dias meditando em uma caserna escura, com uma pedra sobre seus peitos, após mastigar carne de cão crua. E não podemos nunca nos esquecer de Suibhne Geilt, Myrddin (Merlin), e Lailoken, que atingem a iluminação e o dom da profecia após atingirem a loucura. Finn e Gwion (ambos nomes quase equivalentes, um Gaélico e outro Galês) atingem a suprema sabedoria, o Awen, o Imbas Forosnai, após receberem as três gotas da magia em seus cozidos mágicos, seja o salmão imortal de Finn, ou a beberagem da deusa Ceriddwen de Gwion.
Isso não quer dizer que as práticas xamanicas entre os Celtas fossem iguais aos dos xamãs Siberianos, ou aos dos Ameríndios, notadamente chamados de xamãs hoje em dia, mas que tem denominações próprias para seus curandeiros, magos e sábios. Cada cultura tem suas regras e auto-conceitos do mundo e o xamã dos ermos Siberianos tem sua sabedoria ligada à sua cultura, que não é a mesma do Druida da Idade do Ferro da Irlanda.

SUIDIGUD TELLAIG TEMRA

  • Jun. 14th, 2008 at 5:59 PM

A Divisão das Terras de Tara
Suidigud Tellaig Temra
suidgud tellaig temra

Tradução para o Inglês:R.I. Best
Versão em Português: Wallace “Brân Du” William

O Estabelecer das Casas de Tara

1- Os Ui Neill estiveram uma vez em conferencia em Magh Breigh no tempo de Diarmait filho de Fergus Cerball, e isso foi o que discutiram. O territorio de Tara pareceu excessivo para eles, isso é, a planicie com sete vistas em cada lado, e eles consideraram reduzir aquele verde, pois julgaram desperdicio ter tantas terras sem casas ou cultivo sobre elas, e de nenhuma utilidade à lareira de Tara. Pois a cada três anos eles eram obrigados a apoiar os homens da Irlanda e a alimenta-los por sete dias e sete noites. Foi dessa forma, então, que eles procederam para o banquete de Diarmait Mac Cerbaill. Nenhum rei foi sem uma rainha, ou um chefe sem sua esposa, ou guerreiro sem concubina, ou tolo sem uma mulher, ou hospitalario sem uma consorte, ou jovem sem um amor, ou donzela sem um amante, ou homem sem uma arte.
2- Os reis e ollaves (ollamha) foram colocados ao redor de Diarmait MacCerbaill, isso é reis e ollaves juntos, guerreiros e soldados juntos. Os jovens e donzelas e o orgulhoso povo imprudente nas camaras ao redor das portas; e sua própria porção era dada a cada um, isso é, escolher fruta, e gado, e javali, e ave, para reis e ollaves, e para os antigos nobres livres dos homens da Irlanda da mesma forma: servos e servas cortando e servindo a eles. Então carne vermelha de espetos de ferro, e pães, e cerveja nova, e leite aguado para guerreiros e soldados: e bufões e copeiros cortando e servindo-os. Cabeças e pés e miudos de todos os tipos de gado para os carroceiros, malabaristas, e para o baixo e povo comum, com carroceiros e malabaristas e porteiros cortando e servindo-os. Vitela então, e cordeiro e porco e a sétima porção externa para jovens homens e donzelas, porque seus risos os entretinham e sua nobreza os aguardava. Mercenarios livres e serviçais contratadas cortavam e os serviam.
3- Os nobres da Irlanda foram então chamados para o banquete na casa de Diarmait MacCerbaill. E eles disseram que não partilhariam do banquete até que o estabelecer das divisões de Tara fosse determinado, como ela era antes de seus dias e como elas seriam após eles por todos os tempos, e eles exigiram essa resposta de Diarmait. E Diarmait respondeu que não era correto perguntar a ele pela divisão das terras de Tara sem pedir o conselho de Flann Febla filho de Scannlan filho de Fingen, isso é, o chefe da Irlanda e sucessor de Patricio, ou de Fiachra filho da bordadeira. Mensageiros foram então enviados a Fiachra filho de Colman filho de Eogan, e ele foi trazido então para ajuda-los, pois poucos eram os homens eruditos, e muitos eram os leigos, e numerosas suas contendas e seus problemas.
4- Então Fiachra chegou, e eles perguntaram a ele pela mesma coisa, a saber, a divisão para eles das terras de Tara. E ele respondeu que não daria uma resposta sobre aquele assunto até que eles procurassem por alguém mais velho e mais sábio que ele. “Onde está ele ?”, disseram eles. “Não é dificil responder,” disse ele, “é Cennfaelad filho de Aillil filho de Muiredach filho de Eogan filho de Niall. É de sua cabeça,” disse ele, “que a mente do esquecimento foi tirada na batalha de Magh Rath, isso é dizer, ele se lembra de tudo o que ele ouviu sobre a historia da Irlanda desde aquele tempo até esses dias. É correto que ele venha decidir por vocês.”]
5- Cennfaelad foi então convocado, e ele veio, e eles perguntaram a ele pela mesma coisa. E Cennfaelad replicou: “Não é próprio para vocês pedirem isso de mim enquanto os cinco senhores de todos nós estiverem na Irlanda.” “Onde estão eles ?” disseram os homens da Irlanda. “Fácil dizer,” disse ele, “Finnchad de Falmag de Leinster, e Cú-alad de Cruachu Conalad, e Bran Bairne de Bairenn, Dubán filho de Deg da provincia de Fir Olnegmacht, Tuan filho de Cairell de Ulster, ele que passou por muitas formas.”
6- Esses cinco foram então convocados, e eles foram trazidos à Tara, e eles perguntaram a mesma coisa deles, a partição das terras de Tara. Então cada um dos cinco relatou o que ele se lembrava, e isso era o que eles se lembravam, e isso foi o que eles disseram, que não era adequado para eles dividirem Tara e suas terras enquanto seu mais antigo e professor não estivesse na assembléia. “Onde ele está ?”perguntaram os homens da Irlanda. “Não é dificil dizer,” disseram eles, “Fintán, filho de Bóchra, filho de Bith, filho de Noé. Ele estava em Dun Tulcha em Kerry.”
7- Então Berran, ajudante de Cenfáelad, foi por Fintán a Dun Tulcha a oeste de Luachair Dédad. E ele entregou sua mensagem. Então Fintán veio com ele a Tara. E sua escolta consistia de dezoito companhias, a saber, nove à sua frente e nove à suas costas. E não havia nenhum dentre eles que não fosse da semente de Fintán – filhos, netos, bisnetos e seus descendentes eram aquela hoste.
8- Uma grande boas vindas foi dada a Fintán na casa de banquetes, e todos estavam alegres com sua vinda para ouvir suas palavras e suas historias. E todos eles se levantaram perante ele, e lhe ofereceram sentar na cadeira do juiz. Mas Fintán disse que não iria enquanto não conhecesse a questão. E ele disse a eles “Não há necessidade de se fazerem regozijar por mim, pois estou certo de suas boas vindas como cada filho é ciente de sua madrinha, e essa então é minha madrinha,” disse Fintán, “a ilha em que estais, a própria Irlanda, e o joelho familiar dela é a colina em que estais, a saber, Tara. Mais ainda, foram o mastro e produção, as flores e a comida dessa ilha que me salvaram do Diluvio até hoje. E eu sou conhecedor de seus banquetes e seus roubos de gado, suas destruições e suas cortes, em tudo que teve lugar do Diluvio até agora.” E então ele fez uma canção:
9- Irlanda, embora seja perguntado a mim,
Eu sei precisamente
Cada colonização que se fora
Desde o inicio do agradavel mundo

Cessair veio do leste,
a mulher, filha de Bith,
com suas cinquenta donzelas
e seu trio de homens

O Diluvio pegou a eles
Embora fosse uma triste compaixão,
e afogou a todos eles
cada um em sua altura

Bith ao norte em Sliab Betha,
triste era o mistério,
Ladru em Ard Ladrann,
Cessair em seu esconderijo.

Quanto a mim, fui salvo
pelo filho de Deus, uma proteção sobre a multidão
o Diluvio se afastou de mim
sobre o massivo Tul Tuinde.

Eu estive um ano sob o Diluvio
no arco de Tul Tuinde.
Não há sono, não haverá,
algum sono melhor.

Então Parthalon veio a mim
do leste, da terra Grega,
e eu vivi com sua progenie
embora fosse um longo caminho.

Eu ainda estava na Irlanda,
quando a Irlanda se tornou um ermo,
até o filho de Agnomain vir,
Nemed, agradaveis seus caminhos.

A seguir vieram os Fir Bolg,
essa é uma historia claramente verdadeira.
Eu vivi junto com eles,
enquanto eles estiveram na terra.

Os Fir Bolg e Fir Galion
vieram, foi muito tempo (depois).
Os Fir Domnann vieram,
eles aportaram em Irrus no oeste.

Então vieram as Tuatha Dé
em nuvens de névoas sombrias,
e eu vivi junto com eles
embora fosse uma longa vida.

Os filhos de Mil vieram então
para a terra, contra eles.
Eu estive com cada tribo
até o tempo em que vocês vêem.

Após isso vieram os filhos de Mil
da Espanha do sul
e eu vivi junto com eles
embora poderoso fosse seu combate.

Eu estou preso à longa vida,
Eu não esconderei isso,
quando a Fé veio a mim
do Rei do céu nevoento.

Eu sou o branco Fintán
Filho de Bóchra, eu não esconderei.
Desde o Diluvio aqui
Eu sou um nobre alto sábio.

10- “Bom, oh Fintán,” disseram eles, “Nós somos os melhores para qualquer negligencia que possa ser causada a ti, e nós devemos saber de ti o quão confiavel sua memória é.” “Não é dificil,” disse ele, “Um dia eu passava por uma floresta no Oeste de Munster. Eu peguei para mim uma baga de teixo vermelho e eu a plantei no jardim de minha corte, ele cresceu até que estava grande como um homem. Então eu o removi do jardim e o plantei no gramado de minha corte, e ele cresceu no centro daquele gramado até que eu poderia estar com cem guerreiros debaixo de sua folhagem. Eu permaneci e assim fez meu teixo florescendo junto, até que ele perdeu sua folhagem para a ruina. Então quando eu não tinha esperança de que ele mudasse, para meu bem, eu o cortei de seu lugar, e fiz dele sete tinas,e sete ians (?) e sete drolmachs (?), e sete vasilhas, e sete brochas, e sete milões, e sete metros, com arcos para todos eles. Assim eu permaneci e minhas vasilhas de teixo estiveram comigo até que seus arcos cairam pela decadencia e idade. Então, eu refiz todas elas, mas eu só fazer um ian (?) de uma tina, e um drolmach (?) de um ian, e uma vasilha de um drolmach, e uma brocha de uma vasilha, e um milão de uma brocha, e um metro de um milão. E eu juro pelo Deus Todo Poderoso que eu não sei onde estão esses substitutos desde que eles pereceram pelo tempo.

11- “Tu és sem duvida veneravel,” disse Diarmait. “É uma transgressão o julgamente de um ancião estar acima de teu julgamento. E é por essa razão que chamamos a ti, para que pronuncies um julgamento justo para nós.” “É verdadeiro, sem duvida,” disse ele, “que sou conhecedor em cada julgamento justo que foi realizado desde o inicio do mundo até hoje.” E então ele fez a seguinte canção:

12- Eu conheço nesse caminho,
nenhum tolo o encontrará,
o primeiro juiz, garboso e sem se esconder,
que pronunciou sem falha o primeiro julgamento.

Julgamento sobre o Demonio em Druim Den.
Eu sei a maneira na qual ele foi dado.
Querido Deus o deu, a noticia se espalhou,
de que como foi o primeiro crime, foi o primeiro julgamento.

O dom divino do querido Deus,
de que os homens deveriam ter julgamento,
a lei da bela fala (ie. Latim) foi dada
a Moisés, maior do que qualquer boa lei.

Moisés entregou, brilhante feito,
os julgamentos perfeitos da carta.
David entregou depois disso
os verdadeiros julgamentos da profecia.

Fénius Farsaid, longa vida de serviço,
e Cai Cáin-brethach,
por eles foram dadas, nenhum insignificante festival,
as duas e setenta linguas.

Amairgen da ilha dos Gael,
nosso ouro, nossa glória, nosso raio,
Amairgen Glungeal, o valoroso
deu o primeiro julgamento sobre Tara.

Três reis em Liathdruim na Ler
e os quatro filhos de Mil,
eles disputaram pela poderosa posse
da ilustre ilha da Irlanda.

Aqui Amairgen pronunciou para eles
os mais sábio e belo julgamento
que os filhos de Mil deveriam ir além
de nove ondas no risonho mar.

Então eles partiram para o mar,
os quatro filhos do rei da Espanha,
e eles enterraram, um festival sobre as ondas,
Dond, que eles deixaram em Tech Druind.

Após valente e astuta luta,
Ir foi deixado na rispida terra do Skellig.

Então as hostes de Eber e Eremon
partiram para o Leste,
e após a perda de sua força eles ocuparam
a Irlanda, ao escapar do Egito.

Então Jesus nasceu
da donzela Maria,
e julgamentos foram declarados com bondade,
através da nova comunhão divina.

Isso é suficiente de enlouquencia...
a pequena coroa da realização de belos julgamentos,
que as ávidas hostes devem conhecer,
que eles precisam ser letrados no conhecimento.

13- “Bom, oh Fintán,” disseram eles, “Nós ficamos melhores com tua vinda para relatar a historia da Irlanda.” “Eu me lembro realmente,” disse ele, “ da progressão da historia da Irlanda, como ela tem estado até agora, e como ela estará até o fim do mundo.” “Uma pergunta,” disseram eles, “como tu o adquiriste, e o da historia que nos é indispensavel para nos ajudar no assunto de nossa discussão, a divisão das terras de Tara ?” “Não é dificil isso, “ disse Fintán, “Eu relatarei por enquanto algo a vocês.”

14- “Uma vez estavamos realizando uma grande assembléia dos homens da Irlanda ao redor de Conaing Bec-eclach, Rei da Irlanda. No dia daquela assembléia, então, nós vimos um grande heroi, belo e poderoso, se aproximando de nós do Oeste ao entardecer. Nós muito nos surpreendemos com a magnitude de sua forma. Tão alto quanto uma floresta era a altura de seus ombros o céu e o sol visiveis entre suas pernas, por seu tamanho e altura. Um brilhamte véu de cristal havia sobre ele como se feito do mais precioso linho. Sandalias haviam sobre seus pés e não é conhecido o material de que elas eram feitas. Cabelo louro havia sobre ele, caindo em cachos até a altura de suas coxas. Tabuletas de pedra haviam em sua mão esquerda, um ramo de três frutos em sua mão direita, e esses eram os três frutos que nele haviam, nozes, maçãs, e bolotas da época de Maio: e inteiriço estava cada fruto. Ele passou por nós, então rodeou a assembléia, com seu dourado ramo multi-colorido de madeira do Libano atrás dele, e um de nós lhe disse, “Venha até aqui e fale com o rei, Conaing Bec-eclach.”Ele fez sua resposta e disse, “O que é que vós desejais de mim ?” “Saber de onde vieste,” disseram eles, “e para onde vai, e qual é teu nome e sobrenome.”

15- “Eu venho, de fato,” disse ele, “ do por-do-sol e estou indo para o nascer, e meu nome é Trefuilngid Tre-eochair.” “Porque esse nome foi dado a ti ?” disseram eles. “Fácil dizer,” disse ele, “porque sou eu quem causa o nascer e o por-do-sol.” “E o que trouxe a ti no por-do sol, se é ao nascer que tu deveria estar ?” “Fácil dizer,” disse ele. “Um homem que foi torturado – isto é, foi crucificado pelos Judeus hoje; pois ele passou por eles após esse feito, e não brilhou sobre eles, e isso e foi isso que me trouxe ao por-do-sol, para descobrir o que aflige o sol; e então isso me foi revelado, e quando eu soube das terras onde o qual o Sol de põe, eu vim para Inis Gluairi além de Irrus Domnann; e eu não encontrei nenhuma terra ao Oeste, pois aquela é a fortaleza onde o Sol se põe, como o paraiso do Adão é a fortaleza de onde o sol se levanta.”

16- “Diga então,” disse ele, “qual é a raça de vós, e de vieste para esta ilha ?” “Fácil dizer,” disse Conaing Bececlach, “Dos filhos de Mil da Espanha e dos Gregos viemos. Após a construção da torre de Nimrod, e da confusão das linguas, nós chegamos ao Egito, a convite de Faraó Rei do Egito. Nél filho de Fénius e Goedel Glas foram nossos chefes enquanto estavamos no sul. Por isso eramos chamados de Féne por causa de Fénius, que é o Féne, e Gaels por causa de Gaedel Glas, como é dito:

'Os Féne por Fénius são nomeados, significando sem linhagem,
Os Gael por Gaedel Glas, o hospitaleiro, os Escotos por Scota.

'Scota, então,a filha de Faraó, o rei, foi dada como
esposa a Nél filho de Fénius, em sua ida ao Egito. Então ela é
nossa ancestral, e por isso nós somos chamados de Escotos.'

17- Na noite em que os filhos de Israel escaparam do Egito, quando eles passaram com os pés secos pelo Mar Vermelho, com o líder do povo de Deus, o próprio Moisés filho de Amram, e quando Faraó e sua hoste foram afogados naquele mar por terem mantido os Hebrews em escravidão, por nossos ancestrais não terem ido com os Egipcios em perseguição ao povo de Deus, eles despertariam a furia de Faraó contra eles quando ele retornasse, e mesmo se Faraó não retornasse eles temiam que os Egipcios os escravizassem como outrora escravizaram os filhos de Israel. Então eles escaparam a noite em dez dos navios de Faraó pelo estreito do Mar Vermelho até o oceano sem fronteiras, ao redor do mundo a noroeste, passaram as montanhas do Caucaso, a Citia e a India, através do mar que há lá, chamado Cáspio, sobre o Palus Maeotis, passaram pela Europa, do sudeste ao sudoeste, através do Mediterraneo, a esquerda da Africa, passaram pelas Colunas de Hercules até a Espanha e de lá até essa ilha.”

18- “E Espanha,” disse Trefuilngid, “Onde fica essa terra ?” “Não é dificil dizer, é a distancia de um grande prospecto de nós ao sul,” disse Conaing, “Foi pela vista que Ith filho de Bréogan viu as montanhas de Southern Irrus do topo da torre de Bréogan na Espanha, e ele é quem veio espionar essa ilha para os filhos de Mil, e em sua trilha nós viemos até ela, no nono ano da passagem dos Israelitas pelo Mar Vermelho.”

19- “Quantos são vocês nessa ilha ?” disse Trefuilngid. “Eu gostaria de vê-los reunidos em um lugar.” “Nós não somos tão poucos, de fato,” respondeu Conaing, “e se tu desejas isso, então que seja feito; só que eu penso que isso vai angustiar o povo por te atender nesse periodo.” “Não haverá angustia,” pois a fragrancia desse ramo, vai me servir como comida e bebida pelo tempo que eu viver.”

20- Ele permaneceu com eles então por quarenta dia e noites até que os homens da Irlanda foram reunidos para ele em Tara. E ele viu os viu todos reunidos em um lugar, e ele disse a eles: “Que cronicas tem vós dos homens da Irlanda na casa real de Tara ? Façam-nas conhecidas.” E eles responderam, “nós não temos velhas shanachies, de fato, aos quais poderiamos confiar as cronicas até que tu vieste a nós.” “Vós as terão por mim”, disse ele. “Eu vou estabelecer para vós a progressão das historias e cronicas do próprio centro de Tara com os quatro quartos da Irlanda ao redor; pois eu sou a real testemunha erudita que explica a todos tudo o que é desconhecido.

21- Tragam-me sete de cada quarto da Irlanda, que sejam os mais sábios, os mais prudentes, e os mais astutos também, e os bardos do próprio rei que está no centro de Tara; pois é correto que os quartos estejam presentes na divisão de Tara e suas cronicas, para que cada dos sete possa tomar sua parte devida das cronicas do centro de Tara.

22- Então ele convocou esses bardos distantes, e relatou a eles as cronicas de cada parte da Irlanda. E depois ele disse ao rei, Conaing, “Venha para um espaço distante para que eu possa relatar a ti e à companhia de homens da Irlanda contigo como dividimos a Irlanda, como eu instrui aos quatro grupos de sete.” Então ele relatou para eles tudo novamente em geral, e foi para mim, disse Fintán, que ele confiou para explicar e entregar perante a hoste, eu sendo o bardo (shanachie) mais velho que ele encontrou perante si na Irlanda. Pois eu estive em Tul Tuinde no tempo do Diluvio, e eu estive sozinho aqui após o Diluvio por mil e dois anos, quando a Irlanda esteve deserta. E eu estive ao lado de cada geração que a ocupou depois até o dia que Trefuilngid veio à assembléia de Conaing Bec-eclach, onde Trefuilngid me perguntou através de seu conhecimento das perguntas.”

23- “Oh Fintán,” disse ele, “e Irlanda, como ela foi dividida onde haviam coisas dentro dela ?”
“Fácil dizer,” disse Fintán, “conhecimento no Oeste, batalha no Norte, prosperidade no Leste, musica do Sul, reinado no centro.”
“Verdadeiro, sem dúvida, oh Fintán,” disse Trefuilngid, “tu és um excelente shanachie. É assim que tem sido, e assim será para sempre, a saber:

24- “Seu aprendizado, sua fundação, seus ensinamentos, sua aliança, seus julgamentos, suas cronicas, seus conselhos, suas historias, sua ciencia, sua sabedoria, sua enloquencia, sua beleza, sua modestia, sua riqueza, sua abundancia, suas possessões – da parte Oeste no Oeste.”
“Onde é isso ?” perguntou a hoste, “Fácil dizer,” ele respondeu
“De Ae, de Umall, de Aidne, de Bairenn, de Bres, de Breifne, de Bri Airg, de Berramain, de Bagna, de Cera, de Corann, de Cruachu, de Irrus, de Imga, de Imgan, de Tarbga, de Teidmne, de Tulcha, de Muad, de Muiresc, de Meada, de Maige (isso é, entre Traige e Reocha e Lacha), de Mucrama, de Maenmag, de Mag Luirg, de Mag Ene, de Arann, de Aigle, de Airtech.”

25- “Suas batalhas também,” disse ele, “e suas contendas, suas dificuldades, seus lugares hostis, seus conflitos, sua soberba, seus ermos, seu orgulho, suas capturas, seus ataques, suas privações, suas guerras, seus embates, da parte Norte do Norte.”
“Onde é esse lugar ?” disse a hoste. “Fácil dizer: de Lie, de Lorg, de Lothar, de Callan, de Farney, de Fidga, de Srub Brain, de Bernas, de Daball, de Ard Fothaid, de Goll, de Irgoll, de Airmmach, dos Glens, de Gera, de Gabor, de Emain, de Ailech, de Imclar.”

26- “Sua prosperidade então,” disse ele, “e seus viveres, suas colméias, suas contendas, seus feitos de armas, suas familias, seus nobres, suas maravilhas, seus bons costumes, seu esplendor, sua abundancia, sua dignidade, sua força, sua riqueza, suas casas, suas muitas artes, seus acordos, seus muitos tesouros, seu cetin, sua sarja, sua seda, suas roupas, seus tecidos tingidos de verde, sua hospitalidade, da parte Leste do Leste.”
“Onde são esses ?” disse a hoste.”Fácil dizer,” disse ele, “de Fethach, de Fothna, de Inrechtra, de Mugna, de Bile, de Bairne, de Berna, de Drenna, de Druach, de Diamar, de Lee, de Line, de Lathirne, de Cuib, de Cualnge, de Cenn Conn, de Magh Rath, de Magh Inis, de Magh Muirthemne.”

27- “Suas cachoeiras, suas belezas, seus nobres, seus arados, seu conhecimento, sua sutileza, sua musicalidade, sua melodia, seus menestreis, sua sabedoria, sua honra, sua musica, seu aprendizado, seu ensinamento, seus guerreiros, suas partidas de fidchell, sua veemencia, sua ferocidade, sua arte poética, sua advocacia, sua modéstia, seu codigo, seus contratos, sua fertilidade, da parte Sul do Sul.”
“Onde são esses ?” disseram eles. “Fácil dizer,” disse Trefuilngid. “De Mairg, de Maistiu, de Raigne, de Rairiu, de Gabair, de Gabran, de Cliu, de Claire, de Femned, de Faifae, de Bregon, de Barchi, de Cenn Chaille, de Clere, de Cermna, de Raithlinn, de Glennamain, de Gobair, de Luachair, de Labrand, de Loch Léin, de Loch Lugdach, de Loch Daimderg, de Cathair Chonroi, de Cathair Cairbri, de Cathair Ulad, de Dun Bindi, de Dun Chain, de Dun Tulcha, de Fertae, de Feorainn, de Fiandainn.”

28- “Seus reis, além disso, suas hospedarias, sua dignidade, sua primazia, sua estabilidade, seus estabelecimentos, seus suportes, suas destruições, sua belicosidade, suas carruagens, seus soldados, seus principes, seus alto-reis, seus ollaves, seu hidromel, sua fartura, sua cerveja, seu renome, sua grande fama, sua prosperidade, da posição central.”
“E onde ela está ?” disseram eles. “Fácil dizer,” disse Trefuilngid.
“De Mide, de Bile, de Bethre, de Bruiden, de Colba, de Cnodba, de Cuilliu, de Ailbe, de Asal, de Uisnech, de Sidan, de Slemain, de Sláine, de Cno, de Cerna, de Cennandus, de Brí Scail, de Bri Graigi, de Bri meic Thaidg, de Bri Foibri, de Bri Dili, de Bri Fremain, de Tara, de Tethbe, de Temair Broga Niad, de Temair Breg, o dominio de toda a Irlanda a partir desses lugares.”

29- Então Trefuilngid Tre-eochair deixou aquelas ordens com os homens da Irlanda para sempre, e ele deixou com Fintán filho de Bóchra alguns dos frutos do ramo que ele tinha em sua mão, para que ele os plantasse em quaisquer lugares que ele pensasse que poderiam crescer na Irlanda. E essas foram as arvores que cresceram desses frutos: a Antiga Arvore de Tortu e a Arvore de Ross, a Arvore de Mugna e a Arvore Galhada de Dathe, e a Antiga Arvore de Usnech. E Fintán permaneceu relatando as historias aos homens da Irlanda até que ele mesmo era sobrevivente das antigas arvores, e até que elas tivessem murchado durante seu tempo. Então, quando Fintán percebeu a própria velhice e a das arvores, fez uma canção:

30- Eu vejo claramente hoje
No cedo amanhecer após o levantar
de Dum Tulcha no oeste distante
sobre o topo da floresta do Libano.

Pelo destino de Deus eu sou um velho
Eu sou mais relutante do que nunca
Faz muito tempo desde que bebi uma bebida
do Diluvio sobre o umbigo de Usnech.

Bile Tortan, Eó Rossa
um tão amavel e espesso quanto o outro
Mugna e Craebh Daithi hoje
e Fintán sobrevivendo.

Por tanto tempo que ressoe Ess Ruaid,
será o tempo em que o salmão lutará nele
Dun Tulcha, ao qual o mar vem
não sairá de uma boa shanachie.

Eu mesmo sou um shanachie perante todas as hostes
mil anos, e nenhum erro,
antes dos tempos dos filhos de Mil, abundancia de força
eu estarei dando claro testemunho.

31- Então ele fez essa canção, e permaneceu para relatar as historias dos homens da Irlanda até o dia em que foi convocado por Diarmait filho de Cerbail, e Flann Febla filho de Scannlan, e Cennfaelad filho de Ailill, e os homens da Irlanda também pronunciaram julgamento por eles concernendo a divisão das terras de Tara. E esse é o julgamento que ele passou, “que ela seja como a encontramos,” disse Fintán, “nós não devemos ir em contrario ao arranjo que Trefuilngid Tre-eochair nos deixou, pois ele era um anjo de Deus, ou Deus em pessoa.”

32- Então os nobres da Irlanda foram, como relatado, acompanhar Fintán a Usnech, e eles tomaram a permissão um do outro no topo de Usnech. E ele ergueu em sua presença um pilar de pedra com cinco bordas no cume de Usnech. E ele assinalou uma borda para cada provincia da Irlanda, pois assim eram Tara e Usnech na Irlanda, como dois rins em uma besta. E ele marcou um forrach nelas, isso é, a divisão de cada provincia em Usnech, e Fintán fez essa canção após arrumar o pilar de pedra.

33- As cinco divisões da Irlanda, tanto mar e terra
seus confins serão relatados, de cada divisão delas.

De Drowes da grande multidão, sul de Bellach Cuairt,
ao engolido Boyne, agradavel riacho de Segais.

Do Boyne das brancas corredeiras, com suas centenas de portos,
ao gélido populoso Comar Tri nUsci.

Do agradavel Comor com prazeres...
à passagem de feroz Cão que é chamado Glas.

Daquele Belach Conglais, formoso o sorriso,
à grande e verde Luimnech que se bata com a costa.

Do porto daquela Luimnech, uma baixa planicie verde,
ao deixado verde Drowes contra o qual o mar se bate.

Sábia a divisão que as estradas receberam,
perfeita o arranjo que as dividiram em cinco.

Os pontos das grandes provincias correm para Usnech,
eles dividiram aquela pedra em cinco.

34- Então Fintán testemunhou que era correto tomar as cinco provincias da Irlanda de Tara até Uisnech, e que era correto para eles também que fossem tirados de cada provincia na Irlanda. Então ele deixou os homens da Irlanda para aquele lugar,e ele foi para Dun Tulcha em Ciarraighe Luachra, onde ele foi afligido por uma fraqueza, e ele fez a seguinte canção:


Fraca hoje é minha vida muito vivida,
ruína se apegou aos meus movimentos.
Eu não mais mudo formas
Eu sou Fintán, filho de Bochrá.

Eu estive um ano inteiro sob o Dilúvio
em poder do sagrado Senhor,
e mil agradáveis anos
eu estive só após o Dilúvio.

Então a companhia de puro brilho veio
e aportou em Inber Bairche.
E eu desposei a nobre dama
Áife, filha de Parthalon.

Eu fui por um longo tempo após isso
um contemporâneo de Parthalon,
até que dele partiu assim
uma vasta multidão inumerável.

A praga do pecado os alcançara
no leste de Sliabh Elpa,
por ela, feroz a resistência,
é nomeada Tamlacht na Irlanda.

Eu passei trinta anos após isso
até a chegada dos filhos de Nemed,
entre Iach Boirche, era antigo
vivendo na grama, sem contenção.

Em Magh Rain, com o conhecimento do Senhor,
Eu desposei Éblenn da pele radiante,
irmã de Lugh, velocidade sem traição,
filha de Cían e Ethliu.

Eu me lembro, história sem tributo
a lenda de Magh Rain,
na feroz batalha de Magh Tuiread
os filhos de Gomer forjando a destruição.

Foi uma crescente floresta, com ramos flexiveis
nos dias das Tuatha Dé Danann
até que os Fomorians a levaram embora para o Leste
em seus barcos, após a morte de Balor.

........................
A filha de Toga do cinzento mar tempestuoso,
naquele tempo era uma mulher
ela, por quem Sliabh Raisen é nomeado.

Lecco, a filha do poderoso Tâl
e de Mid, cujas hostes eram magnificas
ela os encontrou na colina, sem tristeza
na companhia de Mid do sudoeste.

Embora eu esteja em Dul Tulcha hoje
mais e mais próxima está a dissolução
o bom Alto Rei que me apadrinhou até aqui
é Ele quem pôs a fraqueza em mim.

35- Agora ele estava dolorosamente aflito quando ele percebeu os sinais da morte se aproximando, mas quando ele soube que Deus julgava que era a hora para ele morrer, sem sofrer mais uma mudança de forma, ele então fez a seguinte canção.

Eu estou devastado hoje em Comor Cuan,
Eu não tenho problema em dize-lo,
Eu nasci, eu prosperei,
cinquenta anos antes do Dilúvio.

O brilhante rei me assegurou
que minha boa fortuna seria prolongada,
quinhentos, e cinco mil anos até agora,
essa é a duração do tempo.

Em Magh Mais, nos lugares secretos,
onde Gleoir está, filho de Glainide
é lá que eu bebi a bebida das eras
uma vez que nenhum dos meus companheiros restou.

O primeiro návio, a celebração foi ouvida,
que alcançou a Irlanda após a transgressão,
Eu vim nele, do Leste
Eu sou o filho de cabelos claros de Bochra.

Foi dele que eu nasci, do Senhor,
o descendente de Noé, filho de Lamech
após a destruição de Cessair eu estive em um espaço
relatando a historia da Irlanda.
Bith, filho de Noé antes de todos os homens
foi o primeiro que aqui veio viver
e Ladru, o ferreiro, depois disso
o primeiro a ser enterrado na terra.

Eu agradeço a Deus, eu sou um venerável senhor,
para o Rei que criou o ságrado céu;
isso não me é mais de lucro, como quer que seja,
minha decadencia não me é de ajuda.

Cinco invasões, o melhor dos feitos,
a terra da Irlanda sofreu.
Eu estive aqui um tempo após elas
até os dias dos filhos de Mil.

Eu sou Fintán, eu vivi muito,
Eu sou um antigo shanachie das nobres hostes.
Nem sabedoria nem feitos brilhantes me reprimiram
até que a idade e a decadencia caíram sobre mim.

36- Então Fintán terminou sua vida e sua era dessa maneira, e ele chegou a um arrependimento, e ele partilhou da comunhão e sacrifício da mão do Bispo Erc filho de Ochomon filho de Fidach, e os espiritos de Patricio e Brigit vieram e estavam presentes na sua morte. O lugar onde ele foi enterrado é incerto, de qualquer modo. Mas alguns pensam que ele foi levado em seu corpo mortal para algum lugar secreto divino onde Eliás e Enoque foram levados no paraíso, onde eles estão aguardando a ressurreição daquele veneravel ancião de longa vida, Fintán, filho de Bóchra, filho de Eithier, filho de Rual, filho de Annid, filho de Ham, filho de Noé, filho de Lameque.

Finit, Amém.

Dec. 5th, 2007

  • 11:53 PM

CONLLA E A FADA


Conlla dos Cabelos de Fogo era o filho de Conn das Cem Batalhas. Um dia, ele estava com se pai no Monte Usna, e ele viu uma garota vestida com estranhos tecidos vindo em sua direção:
"De onde você vem, donzela ?"Perguntou Conlla.
"Eu venho das planicies do Sempre Viver", ela disse, " onde não há nem pecado, nem morte. Onde nós mantemos eterno feriado, nem precisamos de qualquer ajuda em nossa alegria. E em todo o nosso prazer não temos nenhum conflito. E por termos construido as nossas casas nas encostas das colinas, os homens nos chamam de 'Gents das Colinas'"
O rei e todos com ele se espantaram ao ouvir uma estranha voz e não ver ninguém. Além de Conlla, ninguém viu a garota fada.
"Com quem você fala, meu filho?" Perguntou Conn, o rei. Então a donzela respondeu: "Conlla fala a uma jovem garota fada, a quem nem morte nem velhice aguardam. Eu me apaixonei por Conlla, e agora eu o chamarei para a Planicie do Prazer, Moy Mell, onde Boadag é rei, e não tem havido queixas entre nós desde que ele assumiu o reinado. Oh, venha comigo, Conlla dos Cabelos Flamejantes. Saudavel será a viagem para a sua pele pálida. Uma coroa das fadas lhe aguarda.Venha e nunca irá desvanescer, nem a sua juventude até o último e terrivel dia do mundo."
O rei, assustado com o que dizia a jovem, que ele ouvia mas não podia ver, chamou o seu druida chamado Corann.
"Oh Corann dos muitos feitiços", ele disse, "e da mágica engenhosa, eu clamo por sua ajuda. Um problema está sobre mim, um problema maior que todos os que enfrentei desde que assumi o reinado. Uma donzela invisivel nos encontrou, e com o seu poder, ela irá tirar de mim meu querido, meu primogenito. Se você não me ajudar, ele será levado para o seu reino pelas palavras e feitiçarias da mulher."
Então Corann, o Druida, se adiantou e cantou seus feitiços na direção de onde vinha a voz. E ninguém mais ouvia a voz da garota e nem Conlla podia vê-la direito. Só que antes de sumir, pelo poderoso feitiço do Druida, ela deu uma maçã para Conlla.
Por um mês inteiro, depois daquele dia, Conlla não tocou em nada, nem comeu nada, a não ser aquela maçã. Mas quando ele a mordia, o pedaço crescia de novo, e novamente a maçã estava completa. E sempre crescia em Conlla uma saudade pela garota.
Mas no ultimo dia do mês, Conlla foi com seu pai para a Planici de Arcomin, e novamente ele viu a garota vindo para o seu lado e novamente ela falou com ele.
"Este é um lugar glorioso, entretanto, Conlla permanece entre os mortais de vida curta, aguardando o dia da morte. Mas agora o povo da vida, os sempre viventes, pedem que venha a Moy Mell, a Planicie do Prazer, para que aprendam com você, vendo-o da sua casa com seus entes queridos."
Quando Conn, o rei, ouviua voz da garota, ele disse aos seus homens: "Chamem rápido o meu druida, Corann, pois eu vejo que ela está aqui novamente, usando o poder de suas palavras."
Então a garota disse: "Oh , poderoso Conn, Guerreiro das Cem Batalhas, o poder desse Druida é uma desonra nessa poderosa terra, habitada por tantos honestos, pois é virado contra seus antigos aliados."
Então Conn, o rei, observou que desde que a garota veio da primeira vez, Conlla , seu filho, falava com o nada como se falasse com ele. Então Conn das Cem Batalhas disse a ele: "E o que seu coração lhe diz sobre essa donzela, meu filho?"
" É dificil para mim, " disse então Conlla; " Eu amo meu próprio povo mais do que todas as coisas; mas ainda assim, a muito eu anseio por ela."
Quando ouviu isso, a donzela disse: "O oceano não è tão forte sem as suas ondas. Venha comigo, em minha curragh, a simples, brilhante e veloz barca de prata. Logo cheagaremos ao reino deBoadag. Eu vejo o por do Sol ainda distante, e chegaremos antes da noite. Havera uma terra merecedora de sua jornada, uma terra alegre para todos que a vêem. Lá vivem somente esposas, donzelas, maridos e consortes, pois lá não há morte. Se você definhar, nós todos viremos a você, e o ajudaremos com alegria."
Quando a donzela cessou seu discurso, Conlla dos Cabelos Flamejantesfoi para dntro da curragh. E então todos, rei e corte, viram ele partir para além do mar brilhante, até o Sol poente. E além e além, até os olhos não mais poderem vê-los, e Conlla e a Donzela Fada, foram para além do mar, e ninguém nunca mais os viu ou encontrou o lugar para onde eles foram. Mas se Connla, que tanto amava seu pai, seu povo e sua terra, nunca mais voltou, então ele permanece até hoje feliz, em Moy Mell, as terras da juventude eterna de Boadag, no Tyr Na Nog.
Finis?

Nov. 10th, 2007

  • 12:52 AM

I - A CONCEPÇÃO DE MONGÁN

Fiachna Lurga, o pai de Mongán, era o único rei da provincia. Ele tinha um amigo na Escócia, a saber, Aédan, o filho de Gabrán. Uma mensagem foi dele para Aédan. Uma mensagem foi de Aédan para ele, para que ele viria em seu auxilio. Ele estava em guerra com os Saxões. Um terrivel guerreiro fora trazido por eles para a morte de Aédan em batalha. Então Fiachna foi. Ele deixou sua rainha em casa.
Enquanto as hostes estavam lutando na Escócia, um homem de aparencia nobre foi até sua esposa em sua fortaleza em Rathmore de Moilinny. Na hora em que ele fora, não haviam muitos na fortaleza. Ele pediu à mulher por um lugar onde se encotrassem. A mulher lhe disse que não haviam no mundo posses ou tesouros pelos quais ela desgraçaria a honra de seu marido. Ele perguntou se ela o faria para salvar a vida de seu marido. Ela disse que se ela o visse em perigo e dificuldades, ela o ajudaria com tudo que tivesse em seu poder. Ele disse que ela deveria faz-lo então, “pois teu marido está em grande perigo. Um terrivel homem foi levado contra ele contra o qual eles não podem..., e ele vai morrer por sua mão. Se nós, eu e você, fizermos amor, tu terás um filho. Esse filho será famoso; ele será Mongán. Eu irei para a batalha que será lutada amanhã na terceira hora, então eu o salvarei, e derrotarei o guerreiro perante os olhos dos homens da Escócia. E eu direi ao teu marido de nossas aventuras e que foste tu quem me mandaste em seu auxilio.”
Assim foi feito. Quando exercito foi levado contra exercito, as hostes viram algo --- um homem de nobre aparencia perante o exercito de Aédan e Fiachna. Ele foi em direção à Fiachna em particular e lhe contou a conversa que tivera com sua esposa no dia anterior, e que ele prometera vir em sua ajuda naquela hora. Portanto ele foi ao exercito perante ele e derrotou o guerreiro. E a batalha foi ganha perante Aédan e Fiachna.
E Fiachna retornou ao seu páis. E a mulher estava grávida e deu à luz a um menino, Mongán filho de Fiachna. E ele agradeceu à mulher pelo que ela havia feito por ele, e ela confessou todas as suas aventuras à Fiachna. Então Mongán é um filho de Manannán mac Lir, embora ele seja chamado Mongán filho de Fiachna. Pois quando ele partira, ele deixou com a mão de Mongán um quarteto dizendo:
“Eu vou pra casa
A pálida pura manhã se avizinha.
Moninnán o filho de Ler
É o nome daquele que veio a ti.”


Notas

Fiachna é listado na lista dos reis de Ulster no Livro de Leinster.
Aédan foi um rei do Dál Riada Escocês (574 – 606)
Quanto às guerras de Aedin com os Saxões, veja o Adamnan, de Reeves, e a Historia Eclesiastica de Beda.

O Annales Cambriae

  • May. 6th, 2007 at 12:11 AM

Os Anais de Gales foram compilados provavelmente no século X, por monges Galeses. Ele conta a Historia da Ilha da Bretanha desde o ano de 453 DC até o ano 954 DC. Sua esttrutura simples, de fundamento principalmente historico, nos dá um perfil dos reis Britanicos antigos, além de um pouco dos Irlandeses, e dos Saxões pagãos. Ele teria alguma importancia para o Paganismo Celta ? De fato, frente à mitologia Irlandesa, ao Mabinogion ou aos relatos Classicos, nos parece que um relato semi-historico com curtas observações sobre reis é totalmente inutil, afinal, não há deuses, personagens de possivel origem divina, nem possiveis referencias à ritos pagãos, ou mesmo à costumes folcloricos. Mas existem algumas referencias que são valiosas. Referencias à Arthur, antes da era do Romance. À Suibne. À Cristianização dos reis. Na verdade, são referencias vagas se vistas sozinhas, mas à luz de outras, acabam se tornando interessantes e fontes de boas discussões.

Annales Cambriae
Os Anais de Gales-Harlian 3859
Aprox. 955 DC



453-Páscoa alterada para o Dia do Senhor pelo Papa Leo, Bispo de Roma
454-Santa Brigida nasce
457-São Patricio vai para o Senhor
458-São David (n.t.: na verdade, São Dewy, cujo nome não é um equivalente Britanico de Davi. Davi seria Dafydd) nasce no trigésimo ano após São Patricio deixar Menevia.
468-A morte do Bispo Benignus.
501- Bispo Ebur descansa em Cristo, ele tinha trezentos e cinquenta anos de idade.
516- A Batalha de Badon, na qual Arthur carregou a Cruz do nosso senhor Jesus Cristo por três dias e três noites em seus ombros e os Bretões foram vitoriosos.
521- São Columbano nasce. A morte da Santa Brigida.
537- A batalha de Camlann, na qual Arthur e Medraut tombam; e houve praga na Bretanha e na Irlanda.
544- O sono (morte) de São Cíaran.
547- A grande morte (praga) na qual Maelgwn, rei de Gwynedd morreu.
558- A morte de Gabrán, filho de Dungart.
562- Columbano vai para a Bretanha.
570- Gildas morre.
573- A Batalha de Arfderydd.
574- O sono (morte) de Brendam de Birr.
580- Gwrgi e Peredur morrem
584- Batalha contra a Ilha de Mann e o enterro de Daniel dos Bangors.
589- A conversão de Constantino (rei da Bretanha) ao Senhor
595- A morte de Columbano. A morte do rei Dunod; Agustinho e Mellitus convertem os Ingleses a Cristo.
601- Sinode de Urbs Legionis (Chester); Gregorio morre em Cristo e também Bispo David de Moni Iudeorum (Ilha de Môn)
606- O enterro do bispo Cynog.
607- A morte de Aidan, filho de Gabrán.
612- A morte de Kentigern e do Bispo Dyfrig.
613- A Batalha de Caer Legion (Chester). E nela morreu Selyf, filho de Cynan. E Iago, filho de Beli dorme (morre)..
616- Ceredig morre.
617- Edwin começa seu reino.
624- O Sol é coberto (eclipse)
626- Edwin é batizado e Rhun, filho de Urien o batiza
627- Belin morre.
629- A suplica do Rei Cadwallonna Ilha de Glannauc
630- Gwyddgar parte e não retorna. Nas Calendas de Janeiro, a Batalha de Meigen, e nela Edwin foi morto com seus dois filhos; mas Cadwallon foi vitorioso.
631- A Batalha de Cantscaul na qual Cadwallon tombou.
632- O massacre do [rio] Severn e a morte de Idris.
644- A Batalha de Cogfry na qual Oswald, rei dos Nórdicos, e Eawa, rei dos Mercianos, tombaram.
645- O esmagar da região de Dyfed, quando o monastério de David foi queimado.
650- O levantar de uma estrela.
656- O Massacre de Campus Gaius.
657- Penda é assassinado.
658- Oswy chega e saqueia.
661- Cummine, o alto morre.
662- Brocmail morre.
665- A primeira celebração da Páscoa entre os Saxões. A segunda Batalha de Badon. Morgan morre.
669- Oswy, rei dos Saxões, morre.
676- Uma estrela de maravilhoso brilho foi vista brilhando por todo o mundo.
682- Uma grande praga na Bretanha, na qual Cadwaladr, filho de Cadwallon, morre.
683- Uma grande praga na Irlanda.
684- Um grande terremoto na Ilha de Mann.
689- A chuva se torna sangue na Bretanha, e o leite e a manteiga se tornam sangue.
704- Aldfrith, rei dos Saxões, morre. O sono (morte) de Adomnan
714- A noite foi brilhante como o dia. Pepino, o Velho (na verdade, Pepino II), rei dos Francos, morre em Cristo.
717- Osred, rei dos Saxões morre.
718- A consagração da Igreja do Arcanjo Miguel.
721- Um verão quente.
722- Beli, filho de Elffin, morre. E a batalha de Hebil entre os Cornicos, a Batalha de Garth Maelog, a Batalha de Pencon entre os Bretões do Sul, e os Bretões foram vitoriosos nas três batalhas.
728- A Batalha de Monte Carno.
735- Bede, o sacerdote, dorme.
736- Oengus, rei dos Pictos morre.
750- Batalha entre os Pictos e os Bretões, que foi a batalha de Mocetauc. E seu rei Talorgan é morto pelos Bretões.
754- Rhodri, rei dos Bretões morre.
757- Ethelbalk, rei dos Saxões morre.
760- Uma batalha entre os Bretões e os Saxões, que foi a Batalha de Hereford, e Dyfnwal, filho de Tewdwr morre.
768- A Pascoa é mudada entre os Bretões, Elfoddw, servo de Deus, a emenda.
775- Ffernael, filho de Ithael, morre.
776- Cinaed, rei dos Pictos, morre.
777- Abade Cuthbert morre.
778- A devastação dos Bretões do Sul por Offa.
784- A devastação da Bretanha por Offa, no verão.
796- A primeira empreitada dos Gentiles (Nordicos) entre os Irlandeses do Sul
797- Offa, rei dos Mercianos e Maredudd, rei dos Demecios, morrem, e a Batalha de Rhuddlan.
798- Caradpg, rei de Gwynedd, é morto por Saxões.
807- Arthen, rei de Ceredigion.
808- Rhain, rei dos Demecios e Cadell de Powys morrem.
809- Elfoddw, arcebispo na região de Gwynedd, vai para o Senhor.
810- Mynyw queima.
811- Owain, filho de Maredudd, morre.
812- A fortaleza de Degannwy é atingida um raio e é queimada.
813- A batalha entre Hywel e Hywel; Hywel foi o vitorioso
814- Houve um grande trovão e ele causou muitos incendios. Tryffin, filho de Rhain, morre. E Gruffydd, filho de Cyngen é morto. Hywel triunfa sobre a Ilha de Môn e ele retira Cynan de lá com uma grande perda em seu próprio exercito.
816- Hywel é novamente expulso de Môn. Cynan, o rei, morre.
817- A Batalha de Llanfaes.
822- A fortaleza de Degannwy é destruida pelos Saxões, e eles tomam o reino de Powys para seu controle.
825- Hywel morre.
831- Laudent morre e Sadyrnfyw Hael de Mynyw morre.
840- Nobis, o bispo, governa Mynyw.
842- Idwallon morre.
844- Merfyn morre. A Batalha de Cetill.
848- A Batalha de Ffinnant. Ithael, rei de Gwent, é morto pelos homens de Brychiniog.
849- Meurig é morto por Saxões.
850- Cynin é morto pelos Gentiles (Nórdicos)
853- Môn é perdida para os Gentiles negros.
854- Cynin, rei de Powys, morre em Roma.
856- Kenneth, rei dos Pictos, morre. E Jonathan, principe dos Abergele, morre.
862- Catgueithen é expulso.
864- Duda devasta Glywysing.
865- Cian de Nanhyfer morre
866- A cidade de York é devastada, na batalha contra os Gentiles Negros.
869- A Batalha de Bryn Onnen
870- A fortaleza de Alt Clud é rompida pelos Gentiles.
871- Gwgon, rei de Ceredigion, foi afogado.
873- Nobis e Meurig morrem. A Batalha de Bannyguolou
875- Dungarth, rei de Cernyw (Cornualha) é afogado
876- A Batalha do Domingo em Mona.
877- Rhodri e seu filho Gwriad são mortos pelos Saxões.
878- Aed, filho de Neill, morre.
880- A batalha de Conwy. Vingança por Rhodri nas mãos de Deus.
882- Catgueithen morre.
885- Hywel morre em Roma.
887- Cerbal morre.
889- Suibne, o mais sábio dos Irlandeses, morre.
892- Hyfaidd morre.
894- Anarawd vem com os Anglos e devasta Ceredigion e Ystrad Tywy.
895- Os Nordicos vem e devastam Lloegr e Bycheiniog e Gwent e Gwynllywlog.
900- Alfred, rei dos Gewissi morre.
902- Igmund vem a Mona e toma Maes Osfeillion
903- Llywarch, filho de Hyfaidd, morre.
904- Rhodri é decapitado em Arwystli.
906- A batalha de Diommeir e Mynyw irrompe.
907- Gorchywil morre.
908- Asser morre.
909- Rei Cadell, filho de Rhodri, morre.
913- Ohter vem
915- Rei Anarawd morre.
917- Rainha Aethelflaed morre
919- Rei Clydog é morto.
921- A Batalha de Dynas Newydd
928- Hywel viaja para Roma.
938- A Batalha de Brune
939- Hyfaidd, filho de Clydog, e Meurig morrem.
941- Aethelstan morre.
942- Rei Aflog morre.
943- Cadell, filho de Arthfael é envenenado. E Idwal e seu filho Elisedd são mortos por Saxões.
944- Llunfert, bispo em Mynyw, morre.
946- Cyngen, filho de Elisedd, é envenenado. E Eneuris, bispo em Mynyw morre. E Strathclyde é devastada por Saxões.
947- Edmund, rei dos Saxões, é morto.
950- Hywel, rei dos Bretões, morre
951- E Cadwgan, filho de Owain, é morto pelos Saxões. E a Batalha do Carno.
954- Rhodri, filho de Hywel, morre.

Antes de mais nada, vamos olhar às referencias à Santa Brigida e São Patricio. Aqui é citado que Santa Brigida nasce no ano de 454. São Patricio, por sua vez morre no 457, quando Brigida tinha três anos de idade. Não tenho certeza se as Cronicas Irlandesas dão datas diferentes, mas se essas forem realmente as datas registradas, as várias lendas que apresentam Santa Brigida junta à Padraig não fazem o menor sentido; a menos, claro, que ela fosse como as inumeras entidades mitológicas que envelhecem em poucos anos. Na verdade, isso parece apontar realmente para a velha teoria de que Santa Brigida não passaria de uma forma encontrada pelos Cristãos para se aproveitar do fortissimo culto à deusa Brighid. Todas as caracteristicas da santa apontam para a deusa, e a confusão de suas lendas, que a colocam ao lado de Padraig, quando ele já deveria estar morto e enterrado faz tempo, mostraria a falta de coesão de uma deturpação de lenda nativa através da inserção de elementos estranhos (Cristianismo, Padraig).
Nas duas citações a Arthur, nos anos 516 e 537, deve-se notar, antes de mais nada, que ele não é chamado de Rei. Nennius, algumas gerações antes dos Annales serem compilados, também não o faz e chama Arthur de Dux Bellorum, um Chefe de Guerra. Não há nenhuma evidencia concreta da existencia de Arthur, mas se ele existiu, as fontes mais antigas disponiveis (junto ao Gododdin) não fazem dele um rei, um Pendragon, mas sim um guerreiro. Na Batalha de Badon, a mais épica de todas as narrativas Arthurianas, é dito que ele carrega a Cruz de Cristo por três dias e três noites. Bernard Cornwell, em seu belo romance, descreve isso como uma cruz pintada no seu escudo. Mas não podemos nos basear nos escritos pós século XV para investigar um possivel Arthur historico. Nennius diz que, na verdade, ele carregou a imagem da Virgem Maria. Em todo o caso, tudo indica que nessa batalha (que é citada até em narrativas sem Arthur, inclusive dos Saxões) Arthur carregou um simbolo Cristão, seja em seu escudo ou estandarte. Mas as Vitas dos Santos Galeses sempre criticam Arthur duramente. Seria Arthur um pagão que se converteu à nova fé nessa batalha ? Não há resposta exata e essa possibilidade é a mais simples. Ainda assim, ele levou os Britanicos à vitória, e mesmo o Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, de Bede, um saxão, diz que para os invesores, Baddon foi uma derrota. Sobre a Batalha de Camlann, essa é a primeira referencia que existe, pois Nennius não a cita. Ela diz que nela, tombaram Arthur e Medraut. Medraut seria com certeza uma versão para o nome Mordred, mas não há nenhuma informação sobre seu parentesco. Talvez o parentesco de Mordred, filho ou sobrinho de Arthur, tenha sido inventado posteriormente, mas desde o inicio, ele parece ter sido o algoz final do heroi Britanico.
A Batalha de Camlann é datada aqui no ano 537, o que nos leva a uma citação interessante do ano 589, mais de cinquenta anos depois, da conversão do Rei Constantino (possivelmente Cystennin) ao Cristianismo. Se levarmos essa informação a sério, mostraria que, mesmo muito tempo após a lenda Arthuriana, o paganismo ainda tinha poder, a ponto de poder colocar um Alto Rei (Constantino é descrito como Rei da Bretanha) no poder. E talvez esse personagem poderia ser uma das bases para a lenda Arthuriana do século XX (Bradley, Cornwell, Massie), onde invariavelmente o "rei" começa como pagão e se torna Cristão. Claro, Constantino se torna Cristão, mas essa citação nos sugere que ele chegou a alto rei como pagão.
Em 626, é dito que Edwin, um principe de Gwent (atual fronteira de Gales e Inglaterra) foi batizado. Normalmente, o batismo era a forma de "lavar os pecados" e consagrar uma pessoa à nova fé. Edwin seria pagão antes ? Um rei pagão, quase cem anos após a lenda Arthuriana seria uma impossibilidade historica muito grande ? Não é o que parece, a julgar pela citação.
Saindo um pouco do Bretões para seus rivais Saxões, é dito que a primeira celebração da Pascoa (uma das festas mais importantes do Cristianismo primitivo, senão a mais importante, uma vez que o Natal ainda não era um hábito difundido) foi no ano de 665, muito tempo depois de Agostinho. Possivelmente, a nova fé ainda demorou a se infiltrar entre o povo de Woden.
A ultima citação importante para nós, é do ano 889 onde é dito que morre Suibne, o mais sábio dos Irlandeses. Como com Arthur, aqui a lenda acaba entrando. A lenda de Suibne tem muito em comum com a lenda de Merlin, como é contada na Vita Merlini. Ambos enlouquecem e vão viver nas florestas, onde vaticinam sobre o futuro de suas terras, o Merlin do Vita Merlini é um rei, assim como Suibne. Aqui, cai o mito comum da loucura associada à profecia, comum em várias culturas. Porém, o que causa a loucura é o que nos interessa aqui. Existem duas variações da lenda de Suibne, sendo a mais comum a de que o rei enlouquece por influencia da lua (que, por suas fases, é sempre associada à inconstancia e à loucura); outra, mais interessante, diz Suibne enlouquece após se recusar a ser convertido ao Cristianismo. Infelizmente, os contos são compilados por monges Cristãos, e torna dificil inferir a possibilidade de um rei pagão no ano 889 na Irlanda. Mas, de qualquer forma, nos dá uma possibilidade de acreditar que o paganismo persistiu por muito tempo após os santos terem "convertido" definitivamente os povos da Ilhas.

Apr. 28th, 2007

  • 12:34 AM

A Corte à Etáin
Prólogo na Terra das Fadas

Do Leabhar na Uidhri
Versão em Português Wallace William “Y Brân Du”

Étain dos Cavalos, a filha de Ailill, era a esposa de Mider, o Sidhe residente em Bri Leith. Agora Mider tinha outra esposa também, chamada Fuamnach, que era cheia de cíumes contra Étain, e buscava tira-la da casa de seu marido. E Fuamnach procurou Bressal Etarlan, o Druida, e pediu seu auxilio; e pelos feitiços do Druida e pela feitiçaria de Fuamnach, Étain foi transformada na forma de uma borboleta que encontra o deleite nas flores. E enquanto Étain estava nessa forma, ela foi levada por um forte vento que fora erguido pelos feitiços de Fuamnach; e ela foi levada da casa de seu marido por aquele vento até que ela chegou ao palacio de Angus O'c que era o filho do Dagda, o deus chefe dos homens da antiga Erin. Mac O'c havia sido adotado por Mider, mas ele tinha inimizada para com seu pai adotivo, e ele reconheceu Étain mesmo em sua forma transformada, quando ela fora levada em sua direção pela força do vento. E ele fez uma tigela para Étain com claras janela pelas quais ela poderia passar, e um véu de purpura foi colocado sobre ela e essa tigela era carregada por Mac O'c para onde quer que ele fosse. E todas as noites ele dormia ao seu lado, e pelo jeito que ele a tratara, então assim ela se tornou bem nutrida e bela de forma; pois aquela tigela era cheia com maravilhosos arbustos de doce cheiro, e com isso ela vicejou, sobre os odores e flores das melhores ervas preciosas.
Agora, para Fuamnach chegaram noticias do amor e veneração que Étain tinha de Mac O'c e ela foi até Mider, e “Que teu filho adotivo,” disse ela, “seja chamado para visistar-te, para que possa fazer a paz entre vocês dois e então peça por novidades de Étain.” E o mensageiro de Mider foi a Mac O'c e Mac O'c foi a Mider para sauda-lo; mas Fuamnach por um longo tempo vagou de terra em terra até que ela estava no mesmo palacete onde Étain estava; e então ela soprou sobre ela a mesma rajada de antes, então essa rajada a carregou de sua tigela, e ela foi soprada dela, como ela havia sido antes, por sete anos através de toda a terra de Erin, e ela foi levada por esse vento à fraqueza e à dor.. Eo vento a levou ao telhado de uma casa onde os homens de Ulster estava com sua cerveja, então assim ela caiu através do teto em uma taça de ouro que estava próxima à esposa de Etar, o Guerreiro, cuja morada era próxima da Baía de Cichmany na provincia que era comandada por Conor. E a mulher engoliu Étain junto com o leite que estava na taça, e ela a descobriu em seu ventre, até a hora em que ela nasceu novamente como uma barulhenta donzela, e o nome de Étain, a filha de Etar, foi dado à ela. E foram mil e vinte anos após o primeiro nascimento de Étain por Ailill que ela nasceu a segunda vez como a filha de Etar.
Agora Étain era alimentada em Inver Cichmany na casa de Etar, com cinquenta donzelas com ela, das filhas dos chefes da terra; E isso era porque o próprio Etar ainda as alimentava e as vestia, para que elas pudessem ser companheiras para sua filha Étain. E um certo dia, quando todas essas donzelas estavam na boca do rio para se banhar, elas viram um cavaleiro na planicie que vinha para a agua na direção delas. Um cavalo ele cavalagava que ra marrom, curvilineo e cabriolês, com uma ampla testa e uma crina e cauda cacheadas. Verde, longa e ondulante era a capa que ele tinha sobre si, sua camisa era decorada com bordados de ouro vermelho e um grande broche de ouro em sua capa alcançava cada lado de seus ombros. Sobre as costas desse homem estava um escudo de prata com uma borda de ouro; e a presilha para o escudo era prata, e uma grande troa havia no meio do escudo; e ele tinha em sua mão uma lança de cinco pontas com anéis de ouro na haste para a ponta. O cabelo que havia em sua testa era louro e claro; e sobre sua testa havia uma tiara de ouro, que prendia o cabelo para que não caisse sobre o rosto. Ele esperou por um tempo sobre a praia da baía; e ele fitou as donzelas, que ficaram todas cheias de amor por ele, e então ele cantou essa canção:

A Oeste de Alba, próximo à montanha
Onde brincam as mulheres de cabelos claros,
Está no meio das meninas encontradas,
Étain que mora na Baía de Cichmany.

Ela curou o olhar de um monarca
Pelo poço de Loch-da-lee;
Sim, e a esposa de Etar, quando bebeu,
A engoliu: chope pesado ela foi !

Perseguida pelo rei, pelo bem de Étain
Passaros voam pelas fornteiras de Teffa.
Isso porque seu lago Da-Arbre
Afoga os difamadores do Rei.

Echaid, que em Meath reinará
Muitos uma guerra por ti farão
Ele trará a perdição dos Sidhe
Milhares despertarão para a furia de batalha.

Étain aqui para o mal foi trazida
A forma de Étain é uma prova de beleza
O rei de Étain em amor ela procura
Étain com seu povo deve descansar !

E depois que ele disse isso, o jovem guerreiro foi embora do lugar onde estavam as donzelas, e elas não souberam de onde ele viera, nem para onde ele partira depois.
Além disso é dito de Mac Ó'c, que após o desaparecimento de Étain, ele foi ao encontro apontado entre ele e Mider; e quando ele chegou, Fuamnach havia partido. “Isso é uma fraude,” disse Mider, “que essa mulher praticou conosco; e se Étain for encontrada por ela na Irlanda, ela vai fazer o mal contra Étain.” “E certamente,” disse Mac O'c, “me parece que a tua suposição é correta. Pois Étain esteve muito tempo em minha casa no palacio em que moro. Além disso, ela agora está no forma em que essa mulher a transformou; e é mais que provavel que tenha sido atrás dela que Fuamnach correu.” Então Mac O'c correu para seu palacio, e encontrou a tigela de vidro vazia, pois Étain não estava lá. E Mac O'c se virou e seguiu a trilha de Fuamnach, e ele a alcançou em Oenach Bodbgnai, na casa de Bressal Etarlan, o Druida. E Mac O'c a atacou, e ele cortou sua cabeça e a carregou consigo até chegar à suas próprias fronteiras.
Ainda, uma historia diferente é contada sobre o fim de Fuamnach, pois é dito que por auxilio de Manannán, tanto Fuamnach e Mider foram mortos em Bri Leith, e dessa matança é o que os homens dizem:

Pense em Sigmal, e Bri com sua floresta;
Pequena astucia futil Fuamnach aprendeu;
A esposa de Mider encontrou sua necessidade na dor
Quando Bri Leith por Manannán foi queimada.


A Corte à Étain
(Versão do Leabhar na Uidhri)


Eochaid Airemm tomou a soberania sobre Erin, e as cinco provincias da Irlanda eram obedientes a ele, pois o rei de cada provincia era seu vassalo. Agora, eram esses os reis das provincias naquela época, Conor filho de Ness, e Messgegra, e Tigernach Tethannach, e Curoi, e Ailill filho de Mata de Muresc. E as fortalezas reais que pertenciam a Eochaid eram a Fortaleza de Frémain em Meath, e a Fortaleza de Frémain em Tethba; além disso, a Fortaleza de Frémain em Tethba era mais agradavel a ele do que qualquer outra das fortalezas de Erin.
Agora, um ano após Eochaid ter obtido a soberania, ele mandou seus comandados aos homens da Irlanda para que eles viessem a Tara para seu banquete, de forma que eles ajustassem as taxas e impostos que seriam postos sobre eles, e eles seriam ajustados por um periodo de cinco anos. E a resposta que os homens da Irlanda deram aa Eochaid foi que eles não iriam pelo rei ao Festival de Tara até que ele encontrasse para si uma rainha, pois ali não havia uma rainha para estar ao lado do rei quando Eochaid assumiu o reinado.
Então Eochaid mandou mensageiros para cada uma das cinco provincias, para atravessar a terra da Irlanda em busca da mulher ou garota que seria a mais bela a ser encontrada em Erin; e ele os ordenou a notarem que nenhuma mulher serviria como esposa para ele, a menos que ela nunca antes tivesse sido esposa para algum homem na terra. E na Baía de Cichmany, uma esposa foi encontrada para ele, e seu nome era Étain, a filha de Etar; e Eochaid a trouxe então para seu palacio, pois ela seria a esposa encontrada para ele, por sua forma e sua beleza e sua descendencia e seu brilhantismo e sua juventude e seu renome.
Agora, Funn, o filho de Findloga teve três filhos, todos filhos de uma rainha. Eochaid Fedlech, e Eochaid Airemm, e Ailill Anguba. E Ailill Anguba foi pego por uma amor por Étain no Festival de Taram após ela ter se casado com Eochaid; uma vez que Ailill ficou por muito tempo a fitando, e uma vez que esse olhar era um sinal de amor, Ailill sentiu muita vergonha de si pelo que fazia, ainda que isso não ajudasse. Pois seu desejo era muito forte para sua resistencia, e por isso ele caiu doente; e para que não houvesse mancha sobre sua honra, sua doença foi escondida de todos, nem falou dela para a própria dama. Então Fachtna, o curandeiro-chefe de Eochaid foi trazido para ver Ailill, e logo viu que a morte poderia estar próxima, e assim o médico disse a ele : “Um dos dois sentimentos que matam um homem, e que não podem ser curados por um curandeiro, está sobre ele; seja esse o sentimento da Inveja ou o sentimento do Amor.” E Ailill se recusou a confessar a causa de seu mal ao curandeiro, pois estava tomado pela vergonha e ele foi levado para a Fortaleza de Frémain em Tethba para morrer; e Eochaid foi para sua viagem real através de toda Erin, e ele deixou Étain com Ailill, com ordens para que os ritos finais de Ailill fosse feitos por ela; assim ela veria onde sua sepultura seria cavada, e se o entusiasmo seria grande por ele, e se seu gado seria morto para ele na sua morte. E para a casa onde Ailill padecia em sua doença foi Étain, todos os dias, para conversar com ele, e sua doença foi amenizada pela sua presença; e quanto mais Étai ficava naquele lugar, mas ele se acostumava a olhar para ela.
Agora Étain via tudo isso, e voltou sua mente para descobrir o motivo, e um dia, enquanto eles estavam na casa juntos, Étain perguntou a Ailill qual era o motivo de sua doença. “Minha doença,” disse Ailill, “veio de meu amor por ti.” “É uma pena,” disse ela, “ que tenhas ficado tanto tempo em silencio, pois tu poderia ser curado muito antes caso soubessemos disso.” “E mesmo agora eu posso ser curado,” disse Ailill, “pois eu encontro boas graças em tua visão.” “Tu terás essa graça,” ela disse. Cada dia após eles terem dito isso, ela veio para acariciar sua cabeça, e para lhe dar a porção de comida que ele pedia, para lavar suas mãos, e três semanas depois, Ailill estava saudavel. Então ele disse a Étain, “Ainda a conclusão de minha cura em tuas mãos me falta; quando a terei ?” “Amanhã,” ela respondeu; “mas não deve ser na casa do leal monarca da terra em que esse crime será feito. Tu irás,” ela disse, “ ao amanhecer até a proxima colina que se levanta além da fortaleza; lá terás o que deseja.”
Agora Ailill ficou acordado por toda a naoite, e caiu em um sono na hora em que ele iria para seu encontro, e ele não acordou de seu sono antes da terceira hora do dia. E Étain foi a seu encontro, e ela viu um homem na sua frente; como era semelhante sua forma à forma de Ailill, ele lamentava a fraqueza que sua doença havia causado, e ele deu a ela as repostas apropriadas, semelhantes às que Ailill deveria dar. Mas na terceira hora do dia, Ailill acordou e eleficou por um longo tempo se remoendo em tristeza, quando Étain foi para a casa onde ele estava; e ela se aproximou dele e perguntou, “O que te faz tão triste ?”. “É porque tu foi se encontrar comigo,” disse Ailill, “e eu não fui à tua presença, e um sono caiu sobre mim, e dele eu não acordei; e certamente minha chance de ser curado agora se afastou de mim.” “Não tanto, de fato,” disse Étain, “pois há um amanhecer para seguir o hoje.” E naquela, ele tomou vigilia, com um grande fogo perante si, e com agua a jogar sobre os olhos.
Na hora em que estava marcado o encontro, Étain foi para se encontrar com Ailill; e ela viu o mesmo homem, que era como Ailill, que ela havia visto antes; e Étain foi para a casa, e viu Ailill ainda se lamentando. E Étain foi três vezes, e ainda Ailill não foi a seu encontro, e ela encontrou aquele mesmo homem em cada vez. “Não é por ti,” disse Étain, “que eu venho a esse lugar; porque vem se encontrar comigo ? É com outro que venho me encontrar, e não é por pecado ou desejo maligno que eu venho, mas porque é apropriado à esposa do Rei da Irlanda salvar um homem da doença sob a qual ele tem estado por tanto tempo oprimido.” “É mais apropriado a ti se encontrar comigo,” disse o homem, “pois quando tu foste Étain dos Cavalos, a filha de Ailill, fui eu quem fora teu marido. E quando tu se tornou minha esposam tu deixaste um grande preço por trás de ti; um dote das planicies e nascentes da Irlanda, e tanto ouro e prata que se equiparam a ti em valor.” “Por que ?”, disse Étain, “qual é teu nome ?” “É fácil dizer,” ele respondeu, “Mider de Bri Leith é meu nome.” “Realmente,” disse ela, “e qual foi o motivo de nossa separação ?” “Também é fácil,” ele disse, “foi pela bruxaria de Fuamnach, e os feitiços de Bressal Etarlam.” E então Mider disse a Étain :


Virás tu para minha morada, donzela de claros cabelos ?
Morar na maravilhosa terra dos feitiços musicais.
Onde as coroas de todas as cabeças, quando primorosas, reluzem,
E da cabeça ao calcanhar, todos os homens são da cor da neve.

Nessa terra, nem “meu” nem “teu” é falado,
Mas dentes perolados e sombrancelhas escuras todos tem;
Em todos os olhos brilham as nossas hostes, quando se aglomeram
E cada bochecha com o rosado da maçã é aquecida.

Com as ricas tintas das urzes cada pescoço corado brilha
Em nossos olhos, todas são as formas que o ovo do passaro negro mostra.
E as planicies de tua Erin, embora agradaveis de ver
Quando é vista a Grande Planicie, quão desertas elas são.

Embora penses que cerveja é forte nessa Ilha do Destino
Nós bebemos uma ainda mais forte na Terra dos Grandiosos;
De um país com maravilhas abundantes, eu falo,
Onde nenhum jovem impetuoso força os olhos.

Há riachos leves e atraentes que fluem através dessa terra,
E a bebida e o vinho são melhores em cada mão;
E crime não há nenhum dentro do país
Há homens sem vergonhas e amor sem pecado.

Através do mundo dos homens, vendo a todos, podemos flutuar
E ainda que ninguém, embora nós os vejamos, possa nos notar;
Pois o pecado do seu senhor é uma bruma sobre eles lançada
Ninguém pode conter nossa hoste que de Adão foi a fonte.

Dama, venha para esse povo; esse meu forte povo
E com ouro em tua cabeça, as claras tranças vão reluzir;
A carne é a mais delicada que comerás
E para beber, será tua a escolha entre leite fresco ou hidromel.
“Eu não irei contigo,” respondeu Étain; “eu não trocarei o rei da Irlanda por ti, um homem do qual não se conhece nem o clã nem a familia.” “Certamente fui eu,” disse Mider, “que muito tempo atrás, pôs sob a mente de Ailill o amor que ele sente por ti, então seu sangue cessou de correr e a carne caiu de seus ossos; também fui eu quem levou o desejo embora, para que não houvesse mancha em tua honra. Mas tu virás para minha terra,” disse ele, “se Eochaid o pedir de ti ?” “Eu iria, nesse caso,” disse Étain.
Depois disso, Étain voltou para casa. “Foi certamente bom, esse nosso encontro,” disse Ailill, “pois estou curado de minha doença; mais ainda, de forma que tua honra permanecesse intacta.” “É glorioso que tenha ocorrido assim,” respondeu Étain. E depois Eochaid voltou de sua viagem real, e ele estava grato pela vida de seu irmão ter sido preservada, ele deu todos os agradecimentos a Étain pelo grande feito que ela fizera enquanto ele estava fora de seu palacio.
Agora, em outro tempo, ocorreu que Eochaid Airemm, o rei de Tara, se levantou um belo certo dia, nos tempos do verão, e ele subiu à alta terra de Tara para ver a planicie de Breg; bela era a cor daquela planicie, e havia sobre ela escelentes flores, brilhando com todas as cores conhecidas. E quando Eochaid olhou ao redor, ele viu um jovem e estranho guerreiro subindo a colina ao seu lado. A tunica que o guerreiro usava era de um purpura em cor, seu cabelo era dourado e de um comprimento que alcançava seus ombros. Os olhos do jovem guerreiro eram brilhantes e cinzentos; em uma mão ele tinha uma lança de cinco pontas, e na outra, um escudo com uma parte central branca, e com gemas de ouro sobre ele. E Eochaid manteve sua paz, pois ele não sabia de alguém que estivesse em Tara na noite anterior, e o portão que levava a Liss não havia sido aberto naquela hora.
O guerreiro veio, e se colocou sob a proteção de Eochaid; e “Boas vindas eu dou”, disse Eochaid, “ao guerreiro que ainda nos é desconhecido.”
“Tua recepção é semelhante à que esperava quando vim”, disse o guerreiro.
“Nós não te conhecemos,” respondeu Eochaid.
“Ainda que a ti, em verdade, eu conheça bem !” ele replicou.
“Qual é o nome pela qual és chamado ?” disse Eochaid.
“Meu nome não conhecido por renome,” disse o guerreiro, “Eu sou Mider de Bri Leith.”
“E com que proposito vieste ?” disse Eochaid.
“Eu venho para jogar um jogo de Fidschel contigo,” respondeu Mider.
“Realmente,” disse Eochaid, “eu sou habilidoso no jogo do Fidschel.”
“Vamos testar essa habilidade !” disse Mider.
“Não,” disse Eochaid, “a rainha ainda está em seu sono, e lá é o lugar onde guardo o meu tabuleiro.”
“Eu tenho aqui comigo,” disse Mider, “ um tabuleiro que não é inferior ao teu.” Isso foi o que ele disse, pois aquele tabuleiro era de prata, e as peças eram de ouro; e sobre o tabuleiro haviam pedras preciosas, exibindo suas cores por todos os lados e nas bordas haviam correntes de latão bordado.
Mider então montou o tabuleiro e chamou Eochaid para jogar. “Eu não irei jogar,” disse Eochaid, “a menos que joguemos por uma aposta.”
“Qual aposta faremos pelo jogo então ?” peguntou Mider.
“Isso é indiferente para mim,” disse Eochaid.
“Então,” disse Mider, “se tu obtiver o direito de minha aposta, eu irei lhe dar cinquenta corceis de cinza escuro, suas cabeças de uma cor vermelho sangue, mas garbosa; suas orelhas pontiagudas e seu peito largo; suas narinas abertas e seus cascos delgados; grande é sua força, e eles são acirrados como uma lamina afiada; ávidos eles são, altivos e espirituosos, ainda que facilmente seguros em seu caminho.”
Muitos jogos foram jogados por Eochaid e Mider; e uma vez que Mider não pôs toda a sua habilidade, a vitória em todas as ocasiões ficava com Eochaid. Mas ao invés das dádivas que Mider havia oferecido, Eochaid pedia que Mider e seu povo fizessem serviços que seriam benéficos ao seu reino; que ele devia retirar as rochas e pedras das planicies de Meath, remover os juncos que tornavam árida a terra ao redor de sua fortaleza favorita em Tethba, cortar as florestas de Breg, e finalmente, construir uma estrada através da charneca de Lamrach que os homens poderiam usar livremente. Todas essas coisas Mider concordou em fazer, e Eochaid mandou seu emissario para ver como esse trabalho estava sendo feito. E quando chegou a hora após o por do Sol, o emissario olhou e viu que Mider e sua hoste feérica, junto com o gado feérico estavam trabalhando na estrada sobre o pantano; e então, muito de terra e cascalho e pedras foram colocados nela. Agora, havia antes daquela época um costume entre os homens da Irlanda de colocar arreiros em seu gado com a correia sobre suas testas, para que a pressão pudesse estar contra as testas do gado; e esse costume terminou naquela noite, quando foi visto que o povo das fadas colocava os arreios sobre os ombros do gado, para que o peso pudesse estar neles; foram neles que os arreior foram postos daquele dia em diante por Eochaid, e dái veio o nome pelo qual ele é conhecido, Eochaid Airemm, ou Eochaid “o Arador”; ele foi o primeiro de todos os homens da Irlanda a por os arreios no pescoço do gado, e isso se tornou um costume por toda a terra da Irlanda. E essa era a canção cantada pelas hostes das fadas, enquanto trabalhavam na estrada:

Empurrar com as mãos! Forçar com as mãos!
Nobres essa noite, como um rebanho de gado trabalhando:
Dura é essa tarefa que nos é exigida, e que
Da estrada de Lamrach devemos ganhar ou perder ?

Nem em todo o mundo poderia ser encontrada uma estrada que fosse melhor que a estrada que eles fizeram, que o povo feérico fez enquanto era observado, mas por isso, uma brecha foi feita nessa estrada. E o emissario de Eochaid foi a ele; e ele descreveu o grande grupo trabalhador perante seus olhos, e disse que não havia na vida um poder que pudesse resistir a eles. E enquanto eles conversavam, eles viram Mider de pé, perante eles, grande era o seu cansaço, e terrivel era a face que ele mostrava, e Eochaid levantou-se, e lhe deu as boas vindas. “Tuas boas vindas são como eu esperava quando vim,” disse Mider, “cruel e insensivel tem sido teu tratamento para comigo, muitas são as privações e sifrimentos que tu dá a mim. Todas as coisas que pareceram boas em tua visão eu fiz por ti, mas agora, raiva para ti enche minha mente!” “Eu não retorno raiva por raiva,” respondeu Eochaid, “o que deseja que seja feito ?” “Que seja como desejas,” disse Mider, “vamos jogar uma partida de fidschell.” “Qual aposta devemos colocar sobre o jogo ?” perguntou Eochaid. “Qualquer coisa que o vencedor pedir,” disse Mider. E dessa vez, Eochaid foi derrotado, e honraria sua aposta.
“Minha aposta foi ganha por ti,” disse Eochaid.
“O que desejo, eu perdi a muito tempo,” disse Mider.
“O que é que desejas que eu conceda ?” perguntou Eochaid.
“Que eu tenha Étain em meus braços, e obtenha um beijo dela!” respondeu Mider.
Eochaid ficou silencioso por um tempo, e então ele disse: “Um mês a partir de hoje tu deves voltar, e então terá o que pediste.” Agora, um ano antes de Mider ir jogar pela primeira vez, havia sido feita a corte à Étain, e ele não a obteve, e o nome que ele deu a ètain foi Béfind, ou Mulher de Cabelos Claros, então foi o que ele disse :

Virás tu para minha morada, donzela de claros cabelos ?

Como foi recitado antes. E isso foi o que Étain disse daquela vez, “se tu me obtiver daquele que é o mestre de minha casa, eu irei; mas se tu não puder me obter dele, eu não irei.” E então Mider foi a Eochaid, e permitiuque ele vencesse primeiro, de forma que Eochaid deveria cobrar seu débito; e então foram pagas as grandes apostas que ele concordara; e depois ele pediu foi que eles jogassem outro jogo, na ignorancia do que seria apostado. E quando Mider e seu povo estavam pagando as apostas, elas eram pagas durante a noite: a construção da estrada, a retirada das pedras de Meath, os juncos ao redor de Tethba, e a floresta sobre Breg, e isso foi o que ele dizia, como está no Livro de Drom Snechta:

Pilares no solo, peso no solo;
Vermelho é o gado que ao redor trabalha;
Pesadas as tropas que minhas palavras obedecem,
Pesados eles parecem, e outrora homens eles foram
Fortes, como pilares, são os troncos colocados
Vermelhos são os galhos que são amarrados.
Cansadas as suas mãos, e seus olhares baixos,
Uma mulher, terminado o trabalho, será entregue!

Gado vós sois, mas vingados serão;
Homens alvos seus servos serão;
Juncos de Teffa serão levados embora;
Dor é o preço que o homem pagará;
Pedras do rispido chão de Meath foram tiradas;
Qual será o ganho ou dor encontrada ?

Agora Mider se aprontou no dia ao fim de um mês, quando ele deveria se encontrar com Eochaid, e Eochaid comvocou os exercitos dos herois da Irlanda, então eles foram a Tara; e todos os melhores dos campeões da Irlanda, anel por anel, estavam em Tara, e estavam no centro da própria Tara, aguardando, tanto fora quanto dentro; e o rei e a rainha estavam no meio do palacio, e a corte externa estava fechada e trancada, pois eles conheciam o grande poder dos homens que viriam sobre eles. E na noite apontada, Étain estava preparando o banquete para os reis, pois era seu dever servir o vinho, quando, no meio da conversa, eles viram Mider de pé perante eles, no centro do palacio. Ele estava, como sempre, belo, ainda mais belo do que ele parecia antes daquela noite. E ele veio para impressionar todas as hostes às quais ele fitava, e todos ficaram em silencio, e o rei deu as boas vindas a ele.
“Tua recepção é como a esperava quando vim,” disse Mider; “que agora eu tenha o que me foi prometido. Esse é um débito que é devido a uma aposta, e de minha parte receberei de ti o que me foi dito.”
“Eu ainda não considerei o assunto,” disse Eochaid.
“Tu me prometeste Étain,” disse Mider,” por isso vim.” Étain se ruborizou de vergonha quando ouviu isso.
“Não se envergonhe,” disse Mider a Étain, “pois não é sábio ter desgraçada a tua festa de casamento. Eu tenho estado procurando por ti por um ano, com as mais belas jóias e tesouros que podem ser encontradis na Irlanda, e eu não te tomaria até o momento que Eochaid o permitisse. Não foi através de de tua vontade que eu a ganhei.” “Eu mesma disse,” falou Étain, “ que até qye Eochaid me entregasse a ti, eu não te daria nada; leva-me, então, de minha parte, se Eochaid de boa vontade me entrega a ti.”
“Mas eu não entregarei !” disse Eochaid; “nunca ele te terá em seus braços sobre o chão dessa casa em que estamos.”
“Será feito !” disse Mider.
Ele tomou sua espada em sua mão direita e a mulher sob seu ombro esquerdo, e a levou embora através do ósculo da casa. E as hostes se ergueram ao redor do rei, pois elas se sentiram desgraçadas, e eles viram dois cisnes circulando ao redor de Tara, e o caminho que eles tomaram levava ao monte elfico de Femin. E eochaid, com o exercito dos homens da Irlanda, foi para o monte elfico de Femun, o qual os homens chama de Monte das Mulher de Cabelos Claros. E ele, seguido pelo conselho dos homens da Irlanda, cavou cada um dos montes elficos até que ele encontrasse sua esposa. E Mider e sua hoste se opuseram a eles, e a guerra entre eles foi longa; de novo e de novo, as trincheiras feitas; por nove anos, como alguns dizem, durou o conflito para os homens da Irlanda entrarem no palacio feérico. E quando os exercitos de Eochaid, no fim, foram para escavar as bordas da morada feérica, Mider mandou para o lado do palaciio sessenta mulheres, todas com a forma de Étain, e ninguém poderia dizer qual delas era a rainha. E o próprio Eochaid foi enganado, e ele escolheu, ao invés de Étain, sua filha Mesbuachalla (ou alguns dizem, Esa). Mas quando ele percebeu que havia sido ludibriado, ele voltou para saquear Bri Leith, e dessa vez Étain se fez conhecer por Eochaid, por provas que ele não poderia se enganar, e ele a levou em triunfo a Tara, e lá ela ficou junto ao rei.

O Javali de MacDathó

  • Apr. 4th, 2007 at 7:24 PM

O Javali de Mac Dathó
Do Livro de Leinster (Século XIV)
Com algumas adições de Rawlinson, escritas em 1560
Versão em Português por Wallace William “Y Brân Du”


Um glorioso rei outrora governou aos homens de Leinster; seu nome era Mesroda Mac Dathó. Agora, Mac Dathó tinha entre suas posses um cão, o qual era guardião de todo o Leinster; e o nome do cão era Ailbe, e toda a terra de Leinster era cheia com noticias de sua fama, e desse cão, isso é o queera cantado :

Mesroda, filho de Dathó
Foi ele quem criou o javali
E seu é o cão chamado Ailbe,
Nenhuma mentira o conto apresenta !
O explendido cão da sabedoria
O cão do qual bela é a fama
O cão pela qual Moynalvy
Para sempre foi chamado.

Pelo Rei Ailill e Rainha Maev foram mandados pessoas ao filho de Dathó para pedir esse cão, e na mesma hora vieram arautos de Conor, o filho de Ness para pedi-lo; e a todos esses foram dadas as boas vindas pelo povo de MacDathó, eles foram levados para falar com ele em seu palacio.
Na época de que falamos, esse palacio era uma hospedaria das seis hospedarias da irlanda; ele estava ao lado da Hospedaria de Da Derga, na terra de Culan, em Leinster; também da hospedaria de Forgall, o Astuto, que ficava em Lusk; e da hospedaria de Da Reo, em Breffny; e da hospedaria de Da Chlo ao Oeste de Meath; e da hospedaria do senhor das terras de Blai, no país dos homens de Ulster. Haviam sete portas para esse palacio, e sete passagens corriam através delas; também haviam lá sete caldeirões e em cada um deles estava fervendo a carne de um boi e carne salgada de porco. Cada viajante que entrava na casa após uma jornada deveria colocar uma forquilha dentro do caldeirão, e o que quer que ele puxasse na primeira tentativa, ele comeria; e se ele nada pegasse, não lhe era dada uma segunda tentativa.
Eles levaram os arautos perante MacDathó, enquanto ele se sentava em seu trono, para que ele pudesse ouvir seus pedidos antes que eles fizessem sua refeição, e dessa maneira, eles fizeram conhecidas sua mensagem.”Nós viemos,” disseram os homens que foram mandados por Connaught, “para que pedissemos por teu cão; assim, por Aillil e Maev nós fomos mandados. Tu terás em pagamento por ele seiscentas vacas leiteiras, bem como uma carruagem para dois cavalos, com os dois melhores cavalos de Connaught, e ao fim de um ano muito mais deve ser teu.” “Nós também,” disseram os arautos de Ulster, “Viemos pedir por teu cão; nós fomos mandados por Conor,e Conor é um amigo de valor, que não é menos do que isso. Ele também dara a ti tesouros e gado, e a mesma quantidade ao fim de um ano, e ele será um forte aliado teu.”
Agora, depois que ele os recebeu, Mac Dathó afundou em um silencio profundo, ele nada comeu,nem ele dormiu, mas virava de um lado para o outro, e então falou sua esposa:
“Há muito estás em jejum; comida é posta perante ti, e ainda assim não a come; o que te aflige ?' e Macdathó não deu resposta, enttão ela disse:

A Esposa
Se vai o sono do Rei MacDathó
Desassossegadas preocupações sua casa invadiram
Embora seus pensamentos de todos ele esconda
Problemas profundos à sua mente pesaram

Ele, minha visão evitando, se vira
Para a parede, esse severo heroi
Bem, sua prudente esposa dscerne
Que o sono abandonou a ti

MacDathó

Crimthann, o filho da irmã de Nar, disse
“Nenhum segredo deve ser contado às mulheres
Segredos de mulheres logo são revelados
Nunca guardam bem essa jóia.”

A Esposa

Porque contra uma mulher fala
Antes que tu a teste, e descubra se ela falhará ?
Quando tua mente para planejar é fraca
Outra ainda engenhosamente avaliará.

MacDathó

Em uma má época, certamente, vieram esses arautos
Que seu mastim, de MacDathó, vieram tomar
Em mais guerras que pelo pensamenti podem ser contadas
Campeões de alvos cabelos devem cair por essa causa.

Se a Conor eu me atrever a nega-lo
Ele deve julgar que é uma atitude grosseira
Nem devem gado ou país serem deixados para mim
Pelas hostes que contra mim ele pode lançar

Se eu recusar a Ailill, eu me arrisco
De toda a Irlanda meu povo se despedirá
De nosso reino Mac Mata deve nos expular
E nossas cinzas nossa trilha há de contar

A Esposa

Aqui um conselho encontro para dar
E em mágoa nossa terra não se dividirá
Esse cão a ambos tu deves dar
E quem por isso morrer pouco nos preocupará

MacDathó

Ah! o pesar que tenho por esse desfecho
Eu tenho alegria por essas palavras de tua lingua
Certamente Ailbe do céu desceu
Ninguém pode dizer de onde ele viera

Após essas palavras o filho de Dathó se levantou, e se chacoalhou, e “Que essa disputa traga bem para nós,” disse ele, “e bem para aqueles que aqui vierem para procurar por ela.” Seus convidados ficaram três dias e três noites em sua casa, e quando esse tempo estava terminado, ele ordenou que os arautos de Connaught fossem chamados para falar com ele, e ele assim falou. “Eu estou”, ele disse, “ em grande vergonha de espirito, e por muito tempo eu hesitei em tomar uma decisão. Mas agora eu decidi dar o cão a Ailill e Maev, então, que eles venham com esplendor para leva-lo embora. Eles terão plenitude para comer e beber, e eles deverão ter o cão, e bem vindo eles serão.” E os mensageiros de Connaught ficaram bem satisfeitos com essa resposta que tiveram.
Então ele foi até onde os arautos de Ulster estavam, e assim ele se dirigiu a eles: “Depois de muito tempo de hesitação,” disse ele, “ eu resolvi dar o cão Conor, e um homem orgulhosos ele deve ser. Que os exercitos dos nobres de Ulster venham para leva-lo embora; eles terão presentes e eu os farei bem vindos;” e com isso os mensageiros de Ulster ficaram contentes.
Agora MacDathó havia então planejado que esses dois exercitos, tanto do Leste quanto do Oeste, deviam chegar a esse palacio no mesmo dia. Nem deviam eles falar, e sim manter essa confiança; no mesmo dia, essas duas provincias da Irlanda vieram ao palacio de MacDathó, e o próprio MacDathó foi para fora e os recebeu. “Para dois exercitos ao mesmo tempo nós não estamos preparados; ainda assim eu os saudo, vossos homens. Entrem na corte da casa.”
Então foram todos para o palacio, metade da casa recebeu os homens de Ulster, e a outra metade recebeu os homens de Connaught. Pois a casa não era pequena, ela tinha sete portas e cinqunta assentos entre cada duas portas; e não era um enccontro de amigos que, então, era visto na casa, pois as hostes estavam cheias de inimigos uns dos outros, pois durante todo o tempo dos trezentos anos que precedem o nascimento de Cristo , houve guerra entre Ulster e Connaught.
Então foi morto para eles o Javali de MacDathó; por sete anos esse javali foi alimentado pelo leite de cinquenta vacas, mas certamente algum veneno entrou em seu alimento, pois muitos dos homens da Irlanda que o abateram morreram. Eles levaram o Javali e quarenta bois como pratos secundarios, ao lado de outros tipos de comida; o próprio filho de Dathó hospedava o banquete. “Sejam bem vindos !” disse ele, “essa besta perante vós não tem igual; e um bom estoque de vacas e e suinos é encontrado com os homens de Leinster. E se algo faltar a vocês, mais serão abatidos ao amanhecer.”
“É um poderoso Javali,” disse Conor.
“O mais poderoso, certamente,” disse Ailill, “como ele deve ser dividido, oh Conor ?” disse ele.
“Como ?” gritou Bricriu, o filho de Carbad, de cima: “no lugar onde os guerreiros da irlanda são encontrados juntos, haverá um teste por seu espólio, para que a parte de cada homem seja ganha por feitos de guerra e conflito; certamente, cada homem qye vocês tem irá atingir o outro com fustigações aqui e agora !”
“Assim então, será,” disse Ailill.
“Esse é um teste claro,” disse Conor, consentindo; “nós temos aqui uma plenitude de jovens que enfretaram batalhas nas fronteiras.”
“Tu deves perder teus jovens essa noite, Conor,” disse Senlaech, o carroceiro que viera de Conalad, no Oeste; “muitas vezes eles deixam um condutor gordo para leva-los, enquanto eles esparramavam suas costas sobre a estrada que às terras de Dedah.”
“Mais gordo é o condutor que tu deixaste para nós,” disse Munremur, o filho de Gerrcind; “o teu próprio irmão, Cruachniu, filho de Ruadlam; e foi de Conalad de Cruachan que ele veio.”
“Ele não é melhor,” gritou Lugaid, o filho de Curoi de Munster; “ que Loth, o Grande, o filho de Fergus Mac lete; e Echbel, o filho de Dedad os deixou caidos em Tara Luachra.”
“Que tipo de homem é esse de quem vós se gaba ?” gritou Celtchar de Ulster; “Eu mesmo matei esse alvoroçado filho de Dedad, e cortei sua cabeça de seus ombros.”
Ao ser dito isso, um homem se levantou sobre todos os homens da Irlanda, e ele era Ket, o filho de Mata, e ele viera da terra de Connaught. Ele ergueu suas armas à uma altura maior que as armas de qualquer outro que ali estava, e pegou uma faca em suas mãos, e se colocou ao lado do Javali.
“Encontrem agora,” disse ele, “um homem dentre os homens da Irlanda que possa igualar meu renome, ou então deixem a divisão do Javali para mim.”
Todos os homens de Ulster foram derrubados em espanto. “Se vês assim, oh Laegarie ?” disse Conor.
“Nuca deveria,” disse Laegarie, o Triunfante, “Ket ter a divisão desse Javali perante todos nós.”
“Com cuidado agora, oh Laegarie,” disse Ket, “deixe-me falar contigo. Entre vocês, homens de Ulster, há um costume de muito tempo, no qual cada jovem dentre vós que pegar em armas deve lutar o jogo da guerra conosco primeiro; tu, oh Laegarie, como os outros veio às fronteiras, e nós investimos um contra o outro. E tu deixaste teu carroceiro, e tua carruagem e teus cavalos para trás, e tu caiu trespassado por uma lança. Não é com semelhante lembrança que tu deves obter o Javali,” e Laegaire se sentou.
“Isso não pode ser,” disse um grande guerreiro de cabelos claros, andando velozmente do banco onde estava sentado, “que a divisão do Javali seja deixada para Ket perante aos nossos muitos olhos.”
“A quem, então, ela pertencerá ?” perguntou Ket.
“Àquele que é um melhor guerreiro que tu,” disse ele, “ mesmo eu, Angus, filho de Lama Gabaid (Mão-em-Perigo) dos homens de Ulster.”
“Por que chamas teu pai de 'Mão-em-Perigo' ?” perguntou Ket.
“O porque eu realmente não sei,” ele disse.
“Ah! Mas eu sei !” disse Ket, “Há muito tempo atrás, estive em jornada pelo leste, e um clamor se ergueu sobre mim, e todos os homens me atacaram, e Lama Gabaid estava entre eles. Ele arremessou uma grande lança contra mim, eu joguei a mesma lança de volta contra ele, e a lança cortou sua mão, e ela ficou sobre o chão. Como quer o filho desse homem medir seu renome comigo ?” e Angus voltou para seu lugar.
“Venham e clamem um renome para igualar o meu,” disse Ket, “ou me deixem dividir esse Javali.”
“Nunca será tua parte, ser o primeiro a dividi-lo,” disse um grande guerreiro de cabelos claros dos homens de Ulster.
“Quem então é esse ?” perguntou Ket
“Esse é Eogan, filho de Durthacht,” disseram todos; “Eogan, o Lorde de Femmay”
“Eu já o vi anteriormente,” disse Ket.
“Onde foi que me viste ?” disse Eogan.
“Foi perante tua própria casa,” disse Ket, “Quando eu estava levando teu gado embora, um brado de guerra foi erguido sobre mim nas terras sobre mim, e tu vieste com esse brado.. Tu atiraste tua lança contra mim, e ela se fixou no meu escudo; mas eu joguei a mesma lança de volta a ti, e ela rasgo fora um de teus olhos. Todos podem ver que és caolho, e aqui está o homem qye arrancou teu outro olho de tua cabeça.,” e ele também se sentou.
“Estejam novamente prontos para a disputa de renome, oh homens de Ulster !” gritou Ket. “Tu ainda não ganhaste o direito de dividir o Javali,” disse Munremur, o filho de Gerrcind.
“Esse é Munremur ?” gritou Ket;”Eu tenho apenas uma palavrinha para ti, oh Munremur ! Não se passou ainda o terceiro dia desde que cortei as cabeças de três guerreiros que vieram de tuas terras, e a cabeça do meio entre as três é a cabeça de teu primogenito !” E Munremur também se sentou.
“Venham para a disputa de renome !”
“Essa disputa eu darei a ti,” disse Men, o filho de Salcholcan (o Calcanhar da Espada)
“Quem é esse ?” perguntou Ket.
“É Mend,” disseram todos os que lá estavam.
“Hey, tu !” gritou Ket. “O filho do homem com esse apelido vêm medir seu renome com o meu ! Porque, Mend, é por mim que veio o apelido de teu pai; pois fui eu quem cortou seu calcanhar com minha esada, então ele fugiu de mim pulando numa perna só ! Como pode o filho desse perneta medir seu renome com o meu ?” E ele também se sentou.
“Venham para a disputa de renome !” gritou Ket.
“Essa disputa tu terás de mim,” disse um guerreiro de Ulster, alto, grisalho, e mais terrivel que os outros.
“Quem é esse ?” perguntou Ket.
“É Celtchar, filho de Uitechar,” gritaram todos.
“Espera um momento, Celtchar,” disse Ket, “a menos que tua mente me esmague em um instante. Outrora eu fui a tua morada, oh Celtchar, e um clamor foi erguido ao meu redor, e todos os homens se ergueram a esse clamor, e tu também vieste com eles. Foi em uma ravina que o combate entre nós foi feito, tu atiraste tua lança contra mim, e contra ti eu também arremessei a minha lança; e minha lança perfurou a ti através da virilha, e desde então tu tens estado doente, nem filho ou filha nasceram para ti; como pode tu competir em renome comigo ?” e ele também se sentou.
“Venham para o conflito de renome !” gritou Ket
“Esse conflito tu terás,” disse Cuscrid, o Gago, de Macha, filho do rei Conor.
“Quem é esse ?” disse Ket. “Cuscrid,” disseram todos, “ ele tem a forma que é a forma de um rei !”
“Nem possui algo que deva a ti,” disse o jovem.
“Bom !” disse Ket. “Foi contra mim que tu vieste no dia em que fez prova de tuas armas, meu jovem; foram nas fronteiras que nos encontramos. E lá tu deixaste a terça parte de teu povo, e tu fugiste com um arremesso de lança através de tua garganta, e desde então tu não pode falar uma palavra claramente, pois a lança trespassou os tendões de teu pescoçom e desde então tens sido chamado de Cuscrid, o Gago.” E dessa forma, Ket pôs vergonha em todos os guerreiros da provincia de Ulster.
Mas quando ele estava exultante próximo ao Javali, com sua faca em sua mão, todos viram Conall, o Vitorioso entrar no palacio; e Conall foi ao meio da casa, e os homens de Ulster o saudaram com um grito, e o próprio Conor pegou o elmo de sua cabeça, e o ergueu para que todos o louvassem.
“Eu esperava que a porção pertencesse a mim!” disse Conall, “Quem é esse homem que dividirá o Javali para vós ?'
“Esse serviço será dado ao homem que ali está,” disse Conor, “Ket, o filho de Mata.'
“Isso é verdade, oh Ket ?” disse Conall, “És tu o homem que partilhará esse Javali ?”
E então cantou Ket:

Conall, todas as saudações !
Baço de pedra dura
Chama de brilho selvagem !
Brilhante gelo penetrante!
Sangue em teu peito.
Furioso e fervente.
Muito tens lutado.
Espólios de vitoria.
Tu, marcado filho de Finuchoen, tu realmente pode clamar
Rivalizar comigo, e se equiparar à minha fama !

E Conall respondeu a ele :

Saudações a ti, Ket !
Bem nos encontramos !
Coração de gélido frio,
Casa para os bravos !
Iniciador dos pesares !
Chefe-condutor das carruagens !
Onda tempestuosa do mar !
Touro, belo e bravo !
Ket ! Primeiro dos filhos de Matach !
A prova deve ser encontrada quando ao combate nós corrermos !
A prova deve ser encontrada quando do combate nos separarmos !
Eles devem contar dessa batalha quem se moveu com cautela
Eles devem contar dessa batalha na arte em que trabalham,
E os herois devem andar a passos largos para a luta de leões,
Pois pelos homens devem tombar homens nesse palacio essa noite
Saja bem vindo, oh Ket.

“Levanta-te e afasta-te desse Javali,” disse Conall.
“Que reinvindicação tu farás para que eu o faça ?” disse Ket.
“É verdade, de fato,” disse Conall, “ que tu compete em renome comigo. Eu lhe darei apenas uma reinvindicação, oh Ket! Eu juro pela honra de minha tribo que desde o primeiro dia em que eu recebi uma lança em minhas mãos, raramente dormi sem a cabeça de um homem de Connaught sob meu travesseiro, e não passei um dia ou noite no qual um homem de Connaught não tenha tombado por minhas mãos.”
“É verdade, sem duvida,” disse ket, “tu és um guerreiro melhor do que eu. Mas estamos sem Anluan aqui, ele poderia batalhar contigo de outra forma; vergonha sobre nós que Anluan não esteja aqui !”
“Sim, mas Anluan está aqui !” gritou Conall, e com isso ele puxou a cabeça de Anluan de seu cinto. Ele jogou a cabeça em direção a Ket, ela o atingiu no peito, e um gorfo de sangue foi jogado sobre seus lábios. E Ket se afastou, e Conall se colocou ao seu lado.
“Agora, que os homens venham para disputar o renome comigo !” gritou Connal. Mas entre os homens de Connaught não havia ninguém que podia desafia-lo, e eles ergueram uma parede de escudos, como uma grande tina ao seu redor, pois naquela casa, eles estavam disputando malignamentem e os homens, em sua malicia, jogariam coisas covardemente contra eles. E Conall se virou para dividir o Javali, e ele tomou o fim da cauda em sua boca. E embora a cauda fosse tão grande que seria toda uma carga para nove homens, ainda assim ele a sugou toda para a sua boca, e nada foi deixado; e disso tem sido dito :
Fortes mãos em uma carroça a levariam
Sua grande cauda, pesada como um fardo para nove homens
Foi devorada por Conall Cernach, o Bravo
Que alegremente as juntas devolveu

Agora, para os homens de Connaught, Connal nada deu além de duas ante-pernas do Javali, e essa parte pareceu muito pequena para os homens de Connaught, e então, eles se levantaram, e os homens de Ulster também o fizeram, e eles correram uns contra os outros. Eles fustigaram uns ao outro até que a pilha de corpos dentro da casa estava tão alta qaunto suas paredes; e faixas de sangue fluiam sob as portas.
As hostes irromperam pelas portas para a outra corte, e grande foi a confusão que se formara, o sangue sobre o chão da casa podia mover um moinho, tão poderosamente cada homem atingia seus adversarios. E nessa hora, Fergus foi empurrado para as raizes de um grande carvalho que estava no meio da outra corte, e eles foram todos para fora da corte, e a batalha foi para fora.
Então saiu MacDathó, levando o cão por uma correia em sua mão, para que ele pudesse solta-lo entre os dois exercitos, para ver para qual lado a sensibilidade do cão o levaria. E o cão se juntou aos homens de Ulster, e ele correu sobre os derrotados homens de Connaught, pois eles estavam em fuga. E é dito que na planicie de Ailbe, o cão se garrou aos mastros da carruagem na qual Ailill e Maev corriam, e lá Ferloga, carroceiro de Ailill e Maev, caiu sobre ele, e ele jogou seu corpo para um lado, e sua cabeça foi deixada sobre os mastros da carruagem. E eles dizem que é por essa razão que a planicie de Ailbe é assim chamada, pois do cão Ailbe seu nome viera.
O caminho foi pela norte, sobrw Ballaghmoon, passando pela Colina Rurin. Sobre o Vau de Midbine, perto de Mullaghmast, sobre o Cume Drum Cruach, que fica de fronte ao que hoje é Kildare, sobre Rath Ingan, que está na floresta de Gabla, e então pelo Vau de MacLughna, sobre o cume das duas planicies, até que eles chegaram à Ponte de Carpre que fica sobre o Boyne. E ao vau que é conhecido como Vau da Cabeça do Cão, o qual fica no Oeste de Meath, onde a cabeça do cão caiu da carruagem.
E, quando eles estavam sobre as urzes de Meath, Ferloga, o carroceiro de Ailill, caiu dentro das urzes, e ele se levantou por trás de Conor, que os seguia em sua carruagem, e ele segurou Conor pela cabeça.
“Eu clamo por uma dádiva se eu poupar tua vida, oh Conor !” disse ele.
“Eu escolho livremente lhe dar essa dadiva,” disse Conor.
“Não é uma grande dádiva,” disse Ferloga, “Leve-me contigo até Emain Macha, e a cada nona hora, que as janelas se abram e as jovens donzelas de Ulster cantem para mim, com a canção :'Ferloga é meu amado' “
E assim as mulheres foram forçadas a faze-lo, pois elas não se atreveriam a desafia-lo, temendo a furia de Conor, e ao fim de um ano, Ferloga cruzou pelo Athlone para Connaught, e ele levou consigo dois dos cavalos de Conor, selados com arreios de ouro.
E sobre tudo isso, tem sido contado :

Ouçam a verdade, vós, jovens de Connaught;
Nenhuma mentira suas dores sentirão.
Um jovem ao Javali dividiu
A parte que vós recebestes foi pequena

De homens, três vezes cinquenta cinquentas
Disputaram o cão Ailbe;
Em orgulho de guerra eles disputaram,
Pouco motivo para conflito eles encontraram
Ainda vieram o conquistador Conor,
E as hostes de Ailill e Ket,
Nenhuma ordem Cuchulain recebeu
E remoendo, Bodo foi encontrado

Sombrio filho de Durtach, grande Eogan,
Devia encontrar essa dura jornada
E Fiaman, bardo navegante
Três filhos de Nera, famosos
Por incontaveis campos de guerra
Três nobres filhos de Usnach
Com cruéis e fortes escudos

Do alto Conalad Croghan
Sábio Senlaech levou sua carruagem,
E Dubhtach veio de Emain
Sua fama é de longe conhecida
E Illan veio, quão glorioso
Por muitos, em campo, eles saudaram.
Severo Loch Sail, chefe Munremur;
Berb Baither, tranquilo de contos,
E Celtchar, lorde em Ulster
E Conall de selvagem valor
E Marcan veio, e Lugaid
Dos três cães, o filho.

Fergus, aguardando o glorioso cão,
Estendeu uma capa sobre seu poderoso escudo
Abalou um carvalho que ele havia tirado do chão,
Vermelha era a dor que capa vermelha ocultava

Ainda estava Cethern, filho de Finntan,
Esperando-os voltar; até seis horas eles fugiram
Massacre dos homens de Connaught sua mão fez
A passagem do vau ele mannteu sozinho.

Exercitos com Feidlim a guerra mantiveram,
Laegaire, o Triunfante cavalgou ao leste
Aed, filho de Morna, vossos ouvidos se queixam
Pequeno é seu pensamenti por lamentar essa besta

Altos são os nobres, seus feitos mostram poder
Belos seguidores, ainda duramente em luta.
Campeões de força, sobre os clãs trazendo morte,
Gradiosos são os cativos, e vasta é a tumba.

As Instruções do Rei Cormac

  • Nov. 24th, 2006 at 11:28 AM

"Oh, Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "quais são os deveres de um chefe e de uma cervejaria ?"
"Não é dificil dizer," disse Cormac
Bom comportamento rodeia um bom chefe
Luz para lampiões
Se empenhar pela companhia
Uma organização adequada das cadeiras
Liberdade aos serventes,
Uma mão hábil ao servir
Serviço atento
Musica em moderação
Curta contagem de historiasUm expressão alegre
Boas vindas aos convidados
Silencio durante recitais
Coros harmoniosos"

"Oh Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "Quais eram teus hábitos quando rapaz ?"
Não e dificil dizer," disse Cormac
Eu fui um ouvinte nas florestas
Eu fui um observador de estrelas
Eu fui cego onde segredos eram envolvidos
Eu fui silencioso em um ermo
Eu fui loquaz entre muitos
Eu fui suave no salão do hidromel
Eu fui austero em batalha
Eu fui suave para os aliados
Eu fui um médico do doente
Eu fui fraco para os fracos
Eu fui forte para os poderosos
Eu não fui intimo para que não fosse um fardo
Eu não fui arrogante embora fosse sábio
Eu não fui dado à promessas embora eu fosse forte
Eu não fui venturoso embora fosse agil
Eu não zombei dos velhos embora eu fosse jovem
Eu não me gabei embora eu fosse um bom líder
Eu não falaria de alguém em sua ausencia
Eu não reprovaria, mas louvaria
Eu não pediria, mas daria
Pois é através desses hábitos que o jovem se torna velho e lidera guerreiros"

"Oh, Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "Qual foi a pior coisa que já viste ?"
Não é dificil dizer," disse Cormac
"As faces do inimigo em batalha"
"Oh Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "Qual a coisa mais doce que ouviste ?"
Não é dificil dizer", disse Cormac
"O grito do triunfo após a vitória,
Louvores após o trabalho,
O convite de uma dama para seu travesseiro."

"Oh Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "Qual a pior coisa para o corpo do homem ?"
Não é dificil dizer," disse Cormac,
Se sentar por muito tempo,
Se deitar por muito tempo,
Se esforçar além de suas forças,
correr demais,
saltar demais,
quedas frequentes,
dormir com uma perna sobre a amurada da cama,
olhar para brasas acesas,
cera,
encolerizar-se,
cerveja nova, carne de vaca,
coalhada,
comida seca,
agua parada,
se levantar cedo demais,
frio,
sol,
fome,
beber demais,
comer demais,
dormir demais,
se entristecer demais,
dor
correr para um cume,
gritar contra vento,
se secar ao lado do fogo,
orvalho de verão,
orvalho de inverno,
inspirar cinzas,
nadar de estomago cheio,
dormir de costas,
brincadeiras imprudentes."

Oh, Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "Quais são as piores defesas e argumentos ?"
"Não é dificil idzer," disse Cormac
Lutar contra o conhecimento,
Afirmar sem provas,
Tomar refugio na má linguagem,
Um entonação dificil,
Um discurso emudecedor,
Fendas nos cabelos,
Provas incertas,
Desprezar livros,
Se virar contra a tradição,
Mudar a alegação de alguém,
Incitar a multidão,
Soprar sua própria trombeta,
Gritar acima da voz de alguém"

Oh Cormac, neto de Conn," disse Carbery, "Quem é o pior que tens por comparação ?"
Não é dificil dizer," disse Cormac
Um homem com a insolencia de um satirista,
Com a vergonha de uma escrava,
Com a desatenção de um cão,
Com a consciencia de um mastim,
Com a mão de um ladrão,
Com a força de um touro,
Com a dignidade de um juiz,
Com a engenhosa sabedoria afiada,
Com a fala de um homem imponente,
Com a memoria de um historiador,
Com o comportamento de um abade,
Com a palavra de um ladrão de cavalos,
E ele, sábio, mentiroso, grisalho, violento, ofensivo, tagarela, quando diz "o assunto está esclarecido, eu juro, você deve jurar."

Oh Cormac, neto de Conn," filho de Conn, disse Carbery,"Eu desejo saber como devo me comportar entre os sábios e tolos, entre amigos e estranhos, entre velhos e jovens, entre inocentes e terriveis."
Não é dificil dizer," disse Cormac
Não seja tão sábio, não seja tão tolo,
Não sej tão vaidoso, não seja tão timido,
Não seja tão arrogante, não seja tão humilde,
Não seja tão loquaz, nem tão silencioso,
Não seja tão duro, nem tão fraco,
Se você for muito sábio, eles vão esperar muito de você
Se você for muito tolo, você será enganado
Se você for muito vaidoso, será visto como irritante
Se você for muito humilde, você estará sem honra
Se você for muito loquaz, você não terá muita atenção
Se você for muito silencioso, você não será estimado
Se você for muito duro, será quebrado
Se você for muito fraco, será esmagado."

Profile

[info]wallacetaliesin
wallacetaliesin

Advertisement

Latest Month

November 2009
S M T W T F S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930     

Syndicate

RSS Atom
Powered by LiveJournal.com
Designed by Teresa Jones